Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

A Festa religiosa

Quando os ingredientes de uma equipa são feitos de vontade, trabalho, competência, responsabilidade, visão e criatividade o resultado só pode ser mais que perfeito. Foi isso que aconteceu este ano com a mordomia. Dificilmente se encontrará uma festa religiosa (procissões, terço, missa) onde a atmosfera religiosa seja tão intensa. Uma hierofania, o sagrado que irrompe no profano. Nem faltou a palavra do pregador a tocar o coração contrito dos devotos.

Com isto não se assuste a nova comissão de mordomia, a quem felicitamos: Aprender o que esteve bem, e há muito ainda a melhorar.

 

Início da celebração da missa

 

 

A devoção dos participantes

 

O adorno musical
 

 

Zé Prata - A cerimónia religiosa não seria a mesma sem ele. Um sacristão sabedor, atento e atencioso

 

 

Muitos anjos. Bem precisamos deles

 

 

Início da procissão

 

 

 

Pausa para mudança de turno

 

A comoção e a lágrima furtiva na hora do adeus

 

 

A recolha da imagem do Sr. dos Aflitos ao som do hino e salva de morteitos

 

I

Nosso Senhor dos Aflitos

De dois anjos ladeado

Atendei corações contritos

Defendei-nos do pecado.

CORO

Ao deixar-te, ó meu Jesus

Ouvi hoje rogos meus

Derramai as vossas bênçãos

Aceitai o meu adeus

II

Nas desditas desta vida

E nas horas de aflição

Teu coração por nós palpita

Sede nossa consolação

III

Rei de Amor, Rei de Beleza

Sois o Deus, sois o Senhor

Canta a Terra Portuguesa

Canta o povo de Vilar Maior

publicado por julmar às 14:54
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

O Clã Silva/Leonardo voltou a reunir

Com cerca de meia centena de elementos reuniu o clã (fizeram-me notar, com toda a pertinência, ser mais adequado este conceito que o de tribo) Silva Leonardo. Com comida, bebida, música, conversa se reforçam afectivamente os laços das quatro gerações presentes. Susana Marques ( faz parte do grupo - Olivia da ti Assunção, Paula e Rosarinho filha e neta da Olívia; João Marques e Cristina Martins Marques, filho e nora do Júlio da ti Graça que não puderam estar na foto de família) dado o bom desempenho na organização do evento, ficou responsável pela organização do próximo que ocorrerá no 1º Sábado de Setembro de 2012.

Grande Família!

                                                                           Esta sim, é uma foto de família

publicado por julmar às 16:40
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Peddy Paper

Enquanto não chega a foto dos vencedores do 1º e 3º lugar, aqui vai a foto da equipa 3M com o 2º lugar.

Júlio Marques(centro) Cristina Martins Marques e João Marques
publicado por julmar às 21:58
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A chegada da Música

Lembrando/parafraseando o refrão de conhecida canção

Na festa do Senhor dos Aflitos

Houve arraial e foguetes no ar
O vinho correu à farta
E a fanfarra não parou de tocar

Há cinquenta anos ( quem nos dera uma fotografia do acontecimento!) não havia estrada alcatroada. A entrada na vila de um veículo motorizado era acontecimento raro. O padre Zé Baptista, pároco da freguesia, andava de mula. O seu sucessor, o padre Narciso, começou por andar de mula e depois comprou um automóvel que tratava como se de uma mula se taratasse. A fraqueza do motor  e a inclinação acentuada da barreira de Aldeia da Ribeira levava a que o padre Narciso de pé no acelerador acompanhasse a dificuldade na subidacom umas pancadinhas no tablier: - Anda, vá com jeitinho, tu vais conseguir!

Para além disto só a camioneta do Romão e Faria, de vez em quando, para abastecer o comércio do senhor Aníbal. E todos os anos, de forma regular, no sábado da festa chegava a camioneta dos músicos, oportunidade única para a garotada andar de camioneta.

De forma diferente, continua a ser um momento importante da festa, de alguma forma é o início oficial da mesma.

 

                                                                     A felicidade da mordomia

publicado por julmar às 21:08
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Quando a festa virou tragédia

Primeiro Domingo de Setembro de 1971. Celebração da Festa do Divino Senhor dos Aflitos de Vilar Maior. Veio gente de todo o lado, sobretudo de França. De Lisboa também. E romeiros de terras vizinhas. Já a banda de música tocara a alvorada e já haviam sido estoiradas muitas dúzias de foguetes. As donas de casa preparavam o almoço da festa e já se sentiam no ar cheiros de guizados de borrego e a canela de arroz doce. Muitos aprimoravam-se na higiene e olhavam ao espelho a figura enfateada, enquanto maldiziam o desconforto dos sapatos a estrear. A banda de Loriga, claro, executava marchas musicais pelas ruas ornamentadas, com a garotada atrás dela e a mordomia feminina de cestos de vindima recolhia porta a porta as oferendas para arrematação na quermesse.  Era sempre assim, sempre assim fora. À porta da Misericórdia os fogueteiros aprontavam foguetes juntando cartuchos de pólvora a canas num ritual ordinário para os executantes mas que entretia alguns curiosos espectadores. Um destes sentia-se ali tão bem, nesta manhã soalheira, que confessou mesmo:

- Já não saio hoje daqui!

Ao dizer isto cai uma cana dum foguete mal rebentado no ar e  incendeia todo o monte dos que os fogueteiros armaram e que leva ao rebentamento da grande tulha de fogo que se encontrava na denominada Casa do Sino.

A festa virou tragédia indescritível. Passaram 40 anos. Os homens continuam a festejar o Senhor dos Aflitos. O que pode a fé!

publicado por julmar às 20:55
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PATRONIMICOS,MATRONIMICOS,TOPONIMICOS, NOMES ENCOBERTOS, ALCUNHAS- Dr Leal Freire

 Em tempos idos,quando o romanço, nossa língua pátria inicial, tomou a vez do latim latao, a regra para obter novos nomes era a patronímia. Assim,o filho do HENRIQUE,seria HENRIQUES,o de SANCHO,SANCHES,o de PEDRO, PERES. O REGISTO PAROQUIAL que foi o unico até 1911, dava apenas o nome principal, por isso chamado de pia ou de batismo. os outos e havia quem tivesse muitos eram compostos a geito. Aqui na Raia, nitidamente por influência espanhola o último vinha da mãe. Eu, filho de Francisco Leal e de Guilhermina Freire tenho o nome civil de Manuel Leal Freira. Também se diz que esta prevalência decorre duma certa desonfiança, aliás pouco justificada em gente de sãos costumes como somos nós os beirões. Desconfiança de todo em todo injustificada pelo bom porte das mulheres da zona e que certamente radica no aforismo latino--MATER SEMPER CERTA,PATRIA NUJNQUAM... De qualquer modo, nos meios rurais, sobre os nomes do registo, prevalecem muitos outros. De resto há cidadãos conhecidos e tratados por nomes que nada tem a ver com os, digamos, oficiais. Dois exemplos: Um prestante lavrador, registado como Alexandre Fernandes foi toda a vida, aliás, conhecido por João Lgarto, João por virtude do tio que o criou; Lagarto, por ser oriundo da Arrifana. Manuel Dabó esse registralmente era João dos Reis.  Muitas vezes, como se frisa no texto que serve de base a este comentário, é a mãe que dá o mote. Outras a terra de origem Manuel alverca; João Batocas;Zé Espanhol. Outras um potamónimo Chico do Coa;Chico do Pereira mais ainda o ofício, próprio ou da família Alfaiate, Ferreiro, Ferrador, Polícia. O defeito físico Coixo, Aleijado, Maneta, Seis Dedos, Marreco, Cambado ... Por vezes, uma simples circunstância,como ter participado numa peça de teatro. Pilatos, Caifás, Herodes.

publicado por julmar às 15:33
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Os filhos da mãe

Diz o provérbio ( e se o povo o diz a sabedoria o sabe) "cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso". Ora, nas questões de alianças matrimoniais e estabelecimentos de parentescos cada cultura ( e cada microcultura) existem regras que todos os participantes conhecem e cumprem mas de que a maior parte das vezes não têm consciêcia. As tradições, usos e costumes asseguram as praticas sociais, a harmonia social e a resolução de conflitos. Nomes, sobrenomes, alcunhas, heranças, residência está tudo codificado mais doa ue no direito escrito no direito consuetudinário. Se por lei formal a sociedade na vila de Vilar Maior era uma sociedade patriarcal, na prática em muitos aspectos ela era matriarcal. Em regra, a mulher ficava menorizada saindo da tutela do pai para a tutela do marido, adquirindo, por vezes, o nome e a autonomia quando viúva. Nessa altura, o nome próprio passa a ser usado com o sobrenome de família, declinando-se no feminino, se for o caso: Cardosa, Monteira, Pinheira, etc. A identidade dos filhos faz-se, no dia a dia, pelo nome da mãe: o Júlio da ti Filomena, o Manel da ti Ester, o Carlos da ti Graça, o Tó da ti Maria Gila. A identificação das mulheres casadas faz-se por pertença ao marido: A ti Filomena do Ti Zé Badana, a Ester do ti Fernando, a Graça do ti João Marques. Os filhos são das mães, as mulheres são dos homens. Quando o homem é de fora e casou e reside cá, frequentemente, toma ele o nome da mulher: o Zé da Lúcia. Dado o fechamento destas sociedades, por norma predomina a endogamia, sendo destinadas as mulheres da terra aos homens da terra, razão pela qual quando um estranho aqui vem namorar lhe ser exigido, inexoravelmente, um tributo pelos rapazes solteiros - o chamado pagamento do vinho. Claro que este ritual ao mesmo tempo que torna mais sério o compromisso do pretendente também traduz uma forma de integração do estranho na comunidade. Há uma infinidade de histórias a este respeito, cada caso dando origem a uma ... E nem todas acabavam bem.
publicado por julmar às 19:57
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