Começaremos por uma quadra do poeta Aleixo:
Vinho que vai pra vinagre
Não volta atrás ao caminho
Só por obra de milagre
Pode voltar a ser vinho
Mas do bom vinho é que sai o bom vinagre
E este ditado tem tanta mais força quando é certo que corre mundo, em adágios no mínimo paralelos
Passamos a transcrever do livro O Folclore do Vinho, do estudioso brasileiro Whitaker Penteado, a demonstração desta universalidade. A versão brasileira, idêntica à portuguesa, é, no entanto, diferente de um provérbio praticamente universal, embora muito semelhante. A sabedoria popular noutros países, repete a ideia de que «o vinho mais doce produz o vinagre mais azedo», o que corresponde ao dito popular “as aparências enganam”
Na Itália, diz-se «forte é l’aceto di vino Dulce»
Na França a expressão equivale-se-lhe «c’est du bon vin que se fait le plus fort vinaigre»
Na Inglaterra correm duas máximas muito antigas «sweetest wine makes sharpest vinegar ou take heed of vinegar of sweet wine»
A contradição doce-azedo ou melhor a transformação ao caso imanente levou já a que para as mesas mais exigentes dos mais refinados gastrónomos se passasse a fazer vinagre a partir da oxidação de portos de grande qualidade, até dos chamados VINTAGE que atingem no mercado preços proibitivos.
Aqui, na Raia Sabulgalense, poucos lavradores faziam propositadamente vinagre, pois o vinho, por sua fraca qualidade ou deficiências de fabrico ou acondicionamento, avinagrava de per si, com grande raiva, às vezes, do colheitero.
Alguns iam-se habituando à deterioração, bebendo-o já aldeído ascético como vinho de três estalos, o que podia acontecer até pela progressiva adequação do paladar.
Eu tive um tio, homem até de posses muito acima do comum, cujo lagar dava para a cozinha. Possivelmente por este mau contacto, o vinho já saía dali com picos de vinagre. E, todavia, ele só gostava daquele.
- Só gosto do meu, dizia ufanamente.
Já meu pai, extremamente cuidadoso com a sua aliás pequeníssima produção, tinha uma barrica só para o vinagre, numa loja o mais distante que a casa permitia da adega, onde uma poderosa flora microbiana tornava em fortíssimo vinagre até o mau vinho que lá caía. Por isso, a vizinhança disputava aquele vinagre para as suas conservas de inverno. Com sinas diferentes, os dois produtos não deixam de ser irmãos.
Diz o vinagre
O meu irmão vai á missa
Eu á missa não vou não
Não é que tenha preguiça
Mas falta de vocação
O Rifoneiro Francês do Vinho
Dado o grande exodo que das nossas terras desviou para França a quase totalidade da nossa população activa e atendendo a que hoje se pode falar já de emigrantes de quarta geração, muitos dos leitores do blogue VILAR MAIOR dominam perfeditamente o Francês.
Trazemos aqui com a devida vénia do doutor Júlio Marques uma série, aliás longa, de provérbios franceses, ao tema atinentes, dispensando-nos de os verter para português:
A bon vin, point d’enseigne
Ami, or et vin vieux, sont bons en toux lieux
Beauté sans bonté, est comme vin eventé
De bonne plant, plante la vigne, de bonne mère prends la fille
L’âne de la montagne porte le vin et boit de l’eau
Le bon vin réjouit le coeur de l’homme
Le boire entre, la raison sort
Le lait avec le vin se tourne em venin
Les tonneaux vides sont toujours ceux qui font le plus de bruit
Le vin est le lait des vieillards
Vin délicat, friant et bon, n’a mestier lierre ni brandon
Vin sur lait, c’est souhait, lait sur vin c’est venin
Sans pain, sans vin, l’amour n’est rien
Saint Vincent, claire et bon, met du vin au tonneau
S’il pleut a la Saint Barnabé, les vignes baignent dans l’eau jusqu’au tonneau
Si Saint Laurent manqué d’ardeur, le petit vin de l’année sera froid
Pays de vin, pays divin
Saint Martin boit le bon vin, e laisse l’eau courre au Moulin….
Como perceberá qualquer simples iniciado na Língua Francesa, estes provérbios não diferem grande coisa dos nossos
E em tradução literal quase se podem dizer coincidentes. Não encontramos qualquer referência a santa Bebiana ou santa Bebelhana, padroeira em Portugal das mulheres que refocilam no garrafão. Aliás o nome é uma incentivação à bebida:
BEBE-LHE ANA
Ana, porque nome da mãe de Nossa Senhora, é muito frequente na nossa antroponímia feminina. Com os derivados resultantes da má interpretaçao de ordens registrais.
-Então, que nome quer para a menina?
-Ponha-lhe ANA.
A primeira parte da opçao por vezes é mal interpretada.
A madrinha não usou o verbo pôr mas outros igualmente determinativos - botar, plantar, prantar e daí as Botelhanas ou prantelhanas...
Se bem que a bota é mais própria, nestas coisas de bebida, do linguajar castelhano A la bota, darle el beso, despues del queso...
Vinagre - um produto multifuncional
Liminarmente, trataremos de fazer o contraste VINHO-VINAGRE
Somos iguais na nascença
Diferentes no parecer
Meu irmão não vai á missa
Eu não a posso perder
Entre bailes e festanças
Lá me encontrarão
A preparar cozinhados
Isso é lá com meu irmão.
Nós somos dois irmãozinhos
Ambos duma mãe nascidos
Ambos iguais nos vestidos
Porém não na condição
Para gostos e temperos
A mim me procurarão
Para mesas e banquetes
Falem lá com meu irmão
Que a uns faz perder o tino
A outros a estimação
Fazendo perder o juízo arrasta a bebedeira o senso crítico, gizando travalinguas como este
Uma vez era um era-não-era
Andava lavrando na serra
Com um boi calhandro
E outro outrotanto.
Veio-lhe a novidade
De que seu pai sem idade
Pois ainda não nascera
Morrera.
Pegou nos bois às costas
E o arado a pastar
Foi por ali abaixo
Achou um ninho de cartaxo
Ao cimo do outeiro
Estava um castanheiro
Carregado de avelãs
E ameixas temporãs
E nozes barrigudas
Foi às amoras
E encheu a barriga de uvas
A estas horas
Veio lá o dono dos marmelos
Com cara de trinta pelos
Ó ladrão que estás a comer os figos
Que o meu pai comeu com os amigos ....
O vinagre esse não perturba a mente, uma vez que o alcóol deu lugar ao ácido acético, de efeito umas vezes corrosivo, outras conservante.
O espírito, é-lhe, portanto indemne. E, mesmo sobre a nossa parte corporal o efeito deletério é pouco. No estômago espevita os sucos, coisa a bem dizer desnecessária, pois o agricultor fora, raríssimamente, sofre de falta de apetite. A merenda é que muitas vezes tarda.
A alta cozinha, por aqui, não se pratica. De modo que, directamente, o seu uso se restringe ao tempero das saladas. Sempre teve e continua a ter grande utilização é como conservante. Como o sal, o fumo e o pimentão para as carnes e enchidos ou o sol para as vagens secas e algumas ervas, o vinagre era o responsável pela conservaçao das hortofruticolas, à cabeça das quais os pimentos-doces e picantes. Havia e há ainda também quem conserve tomates verdes, pepinos, repolho e até vagens.
Mas o grande consumo de vinagre, que nem sequer tem de ser muito acidulado, é com os pimentos, particularmente com as ginjas mais carnudas, espécie granadina que pegou muito bem nas veigas do Pereiro e do Cesarão.

O caldo era dos pobres que os ricos comiam sopa. O caldo fazia-se todos os dias e quase sempre da mesma maneira e com os mesmos produtos. Colocada ao lume a panela, da proporção do tamanho da família, punha-se água a que se juntavam as batatas descascadas, sal quantum satis, umas lágrimas de azeite ou uma colher de unto. Esta era a base para todos os caldos. Depois o mais comum era acrescentar as couves galegas, mais ou menos finamente cortadas – o caldo de couves. Quando não era de couves podia ser de «alfácias» ou mesmo de «terrábias», mais raramente de repolho. Ou de feijão verde, ou feijoca, ao tempo. Já o caldo de gravanços, de preferência com macarrão, era para domingos, dias de festa ou para os dias das malhas do pão.
Caldo diferente era o caldo de baginas (era assim que se chamavam as vagens) secas. Quando faltava a água para a criação do feijão, colhiam-se as vagens verdes que se cortavam e secavam ao sol. Ainda que em muitas sopas se cozesse enchido (morcela, farinheira, chouriça) ou carne gorda, o caldo de vagens era especialmente adequado para o efeito.
Outro caldo frequente, era o caldo de batata que era servido ao almoço (actual pequeno almoço) a que muitos comensais gostavam de acrescentar um pouco de vinho tinto.
Poderia não se cozinhar outra coisa mas o caldo era feito todos os dias e sabia sempre bem … a menos que se entornasse.
A pedido de um invejoso comentador do post «a melhor gente do mundo», aqui vai a lista dos eugénios de 1948
| Ana da Conceição André | André, Augusto | Graça, Beatriz da Conceição | 1948 |
| Elvira da Conceição Martins | Martins, António | Luísa, Maria | 1948 |
| Albino Leonardo Dias | Gonçalves, José Dias | Leonardo, Lúcia Silva | 1948 |
| Alexandrina Videira Quelha | Quelha, Bernardo Tavares | Videira, Maria de Jesus | 1948 |
| Ana Lavajo André | André, Joaquim Lavajo | Lavajo, Maria do Nasimento | 1948 |
| Ana Maria Soares Cunha | Cunha, António Martins | Soares, Olímpia | 1948 |
| António Dias Badana | xxxxxxxxxxxxxxxxx | Badana, Maria Dias | 1948 |
| António Esteves Tavares | Tavres, José Joaquim | Esteves, Élia Cunha | 1948 |
| António Fernandes Silva | Leonardo, Luís Silva | Fernandes, Isabel Proença | 1948 |
| António Margarido Afonso | Afonso, José Proença | Margarido, Virgínia | 1948 |
| Francisco Fonseca Cerdeira | Cerdeira, José | Fonseca, Elvira da Conceição | 1948 |
| Ilídia Dias Soares | Soares, António Lucrécio | Dias, Mercês Bárbara | 1948 |
| Isabel da Conceição Silva Dias | Almeida, António Dias | Caramelo, Maria José | 1948 |
| João Silva Marques | Marques, João António | Leonardo, Maria da Graça Silva | 1948 |
| José Andrade Nunes | xxxxxxxxxxxxxxxxx | Nunes, Maria Andrade | 1948 |
| José Araújo Esteves | xxxxxxxxxxxxxxxxx | Araújo, Maria de Lurdes | 1948 |
| José Fernandes da Silva | Silva, José Lúcio da | Fernandes, Maria da Anunciação | 1948 |
| José Gonçalves Simões | Simões, Manuel Bernardo | Gonçalves, Maria N. Gata | 1948 |
| Júlio Valério Silva | Silva, Manuel Alves | Valério, Elvira dos Santos | 1948 |
| Lúcio Silva Valério | Valério, Manuel | Silva, Ana de Jesus | 1948 |
| Manuel Cerdeira Silva | Silva, Francisco Fernandes | Cerdeira, Maria Júlia | 1948 |
| Manuel Marcos Gomes | Gomes,José | Monteiro, Isabel Marcos | 1948 |
| Maria Alcina Afonso Serrano | Serrano, Joaquim Augusto | Afonso, Maria Cândida | 1948 |
| Maria da Conceição Esteves Martins | Martins, António Joaquim | Esteves, Maria de Lurdes | 1948 |
A refeição do raiano pobre - e, por aqui os ricos contavam-se pelos dedos dum sindáctilo e os remediados pelos das duas mãos - era naturalmente pobre.
Como pobre era também a baixela - no caso no sentido etimólogico da palavra - em que era servido.
A palavra caldo radica em cálido, isto é, em quente.
E água fervida com couve galega e algumas batatas era efectivamente o caldo que se comia.
Como tempero, usava-se o sal, umas gotas de azeite ou uma amostra de unto.
A parte mais substantiva provinha do ferro microgranaticamente desgarrado da panela onde a água fervilhou toda a manhã.
Depois, ou se comia do barranhão, posto para todos os comensais, ou se as horas variavam, no caço ou caçoilo de barro - barro simples no caso de o fabrico ser o da Malhada Sorda, ou vidrado se se tratar daaqueles que o COJO DE ALMEDILLA trocava por feijões, cheio por cheio.
Para dias de trabalho mais exigente, ou para reforçar dietas de combalidos, o caldo levava uma mancheia de feijões - cor de cana, vermelho ou riscado...
E para as parturientes que não tinham acesso a canja, havia o recurso ao gravanço
Prevalecia a cozinha de temperança que os tratadistas dizem resultar da argúcia dos desamparados, dos frades mendicantes, dos pobres de pedir, dos peregrinos sem eira nem beira...
A necessidade é mestra e mãe de engenhos
E assim apareceram a sopa de alho silvestre, a sopa de cardos, a sopa fervida, a sopa de urtigas, a sopa de asselgas, a sopa de azedas…
Ou quando uma alma mais caridosa se interpunha na peregrinação, a sopa de unto, a sopa de castanhas, os aferventados, os caldos escoados.
Milagre foi a sopa de pedra.
O mendicante a que ninguém atendera, não tinha mais que ferver.
Os transeuntes estupefactos paravam. E a sopa ficará boa, perguntavam.
Excelente, respondia o trino.
Mas melhoraria ainda com uns grãos de sal, um bocado de unto, umas fímbrias de presunto, umas rodelas de salpicão
Então com uma tronchuda e um punhado de feijão manteiga, até os anjos se mimavam.
O povo, a princípio avaro e incrédulo trouxe de tudo.
E assim nasceu a famosa Sopa de Pedra que, todavia, no concurso das Sete Maravilhas foi derrotada pelo Caldo Verde…
Assegurava-me o Manel da ti Ester, sem necessidade de mais argumentos, olhando para mim e eu olhando para ele que não havia melhor gente no mundo como aquela que nasceu em Vilar Maior em 1951. E seguramente nasceu mais gente nesse ano na vila que nos últimos trinta anos. Alguns terão ido povoar o céu como anjinhos mas os que ficaram são todos excelentes pessoas.
A coluna da esquerda são os filhos, a do meio são os pais e a da direita são as mães
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Ana Maria Monteiro Fernandes |
Fernandes, José Leal |
Monteiro, Nazaré |
1951 |
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Ana Valente Lopes |
Valente, José Joaquim |
Lopes, Prudência Fernandes |
1951 |
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António Augusto Nunes |
Nunes, Francisco |
Soares, Maria Isabel |
1951 |
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António José Narciso Simões |
Simões, Álvaro José Neves |
Narciso, Teresa de Jesus |
1951 |
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Armamdo André Quelhas |
Fernandes, Joaquim |
André, Ana Lourenço |
1951 |
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Carlos Alexandre de Oliveira Araújo |
Araújo, Raul Gouveia |
Araújo, Maria José Oliveira |
1951 |
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Deolinda da Fonseca Duarte |
Duarte, Artur |
Ninfa, Ermelinda da Fonseca |
1951 |
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Fernando Bárbara Cunha |
Cunha, Francisco Cerdeira |
Bárbara, Justina |
1951 |
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Filomena de Fátima Lavajo |
Lavajo, António Proença |
Prata, Leopoldina |
1951 |
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Jerónimo Fernandes Gonçalves |
Gonçalves, Manuel Marques |
Rasteiro, Maria |
1951 |
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José Alves Costa |
Costa, António Cerdeira |
Alves, Beatris dos Anjos |
1951 |
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Júlio Bárbara Proença |
Proença, José |
Bárbara, Filomena |
1951 |
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Júlio Silva Marques |
Marques, João António |
Leonardo, Maria da Graça Silva |
1951 |
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Luís Carlos Gonçalves Simões |
Simões, Manuel |
Gonçalves, Maria do Nascimento |
1951 |
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Manuel Henrique Silva Cerdeira |
Cerdeira, Fernando de Deus |
Silva, Ester da Ressurreição |
1951 |
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Manuel Joaquim Esteves Martins |
Martins, António Joaquim |
Esteves, Maria de Lurdes |
1951 |
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Maria de Fátima Videira Quelha |
Quelha, Bernanardo |
Videira, Maria de Jesus |
1951 |
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Maria Isabel da Cruz |
Cruz, Joaquim Cunha da |
Afonso, Filomena Proença |
1951 |
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Maria Miquelina Fernandes |
Francisco, José |
Fernandes, Celestina Alves |
1951 |
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Sara Leonardo Dias |
Gonçalves, José Dias |
Leonardo, Lúcia Silva |
1951 |
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Virgínia dos Anjos Fernandes Simões |
Simões, Adriano Valente |
Ferreira, Maria Isabel Proença |
1951 |

«O Google homenageia esta s«egunda-feira Marie Curie com um «doodle», em lembrança aos 144 anos do seu nascimento, no ano escolhido para marcar o centenário do segundo Prémio Nobel de Química concedido à cientista polaca.
Marie Curie, que fez importantes descobertas na área da radioactividade, foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e uma das poucas personalidades a receber duas vezes a distinção instituída pelo inventor da dinamite, Alfred Nobel, no seu testamento.
Os seus trabalhos sobre a radioactividade alargaram os conhecimentos da física nuclear. Ela identificou dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio, abrindo as portas para uma nova era da medicina com grandes avanços no tratamento de combate ao cancro.
Em 1903, a cientista recebeu o prémio Nobel de Física ao lado do marido Pierre Curie e Henri Becquerel. Oito anos mais tarde conquistou sozinha o Nobel de Química
As grandes destilações são na nossa zona de data recente.
O que não significa que se não produzisse aguardentes, prática aliás secularmente tradicional.
Genericamente, usava-se para o efeito uma caldeira móvel de origem árabe, a alquitarra que de Outubro a Março saltitava de cabanal para cabanal, quando se não implantava mesmo em pátio destelhado.
Raros, efectivamente, eram os alambiques, de estrutura fixa e que exigiam cortinha própria e apropriada e proximidade de poço ou fonte com água cabonde.
Ambos os sistemas funcionava a lenha, criteriosamente seleccionada de forma a se obter brasel que perdurasse, mas sem crepitante chama.
Rachões de carvalho eram o normal, embora se não engeitassem o freixo ou se lhe preferisse o carrasco, que, todavia rareava e praticamente se restringia aos últimos redutos do Carril, já ligados a Fuentes e Alamedilla.
A matéria prima era o bagaço - a casca de uva, espremida no lagar e depois conservada em dornas de boca coberta com uma mistura argilosa encimada por folhas de parra.
Havia também quem destilasse figos, maças, cerejas, mas eram poucos e só excepcionalmente o faziam, sendo certo que, pode afirmar-se, não existir fruto, no sentido mais abrangente do termo, que não seja destilável.
Genebras, vodcas, uisque, rum...antigamente desconhecidos aqui na Raia Sabugaldense, mas hoje acessivel a qualquer pelintra ou bilontra, provêm de cana sacarina, uns, de cereais, outros, e de batatas até.
A cerveja pode usar a cevada, a aveia, o lúpulo, o milho, até a bolota.
A alquitarra requeria ciência e prática. E, acima de tudo paciência.
A adequação da intensidade calorífica, a temperatura no capitel, as porções a destilar em cada caldeirada eram factores determinantes, quer relativamenteno às quantidades, quer quanto à qualidade do produto, sendo certo que a melhor aguardente é a que sai a meio da operação.
A primeira tem um certo grau de toxicidade que a relega para a farmacopeia e a última costuma revelar tão baixo grau que dela se diz que apenas serve para lavar a cara aos santos.
Conquanto a destilação seja uma operação normalmente nocturna, o o alquitarreiro não costuma estar só.
O lume, apetecível noite em fora, a hipótese de beber um trago, ainda que da pior, ou de mordiscar uma batata tostada no braseal, atraem os moinas.
Além de que é sempre agradável ouvir os diálogos que em torno da caldeira se suscitam, lições de folclore, de história local, de milagres de santos, de safadezas de bruxas e lobisomens..E não há melhor alcoviteira do que uma fogueira na noite.
Á medida em que ia saindo e depois de um certo arrefecimento, a aguardente guardava-se em garrafões empalhados ou em talhas de barro vidrado, de onde passariam a recipientes menores adequados aos usos do quotidiano.
Os lavradores de mais posses usavam-na para a confecção da geropiga, numa proporção maior ou menor, a um terço ou a um quinto, consoante o grau a atingir.
Outros conservam ginjas, cerejas e rodelas de frutos de que disponham. Ou enchem garrafas que foram de anis, frunchando-as…
A maior parte usa-a para mata-bicho matinal, alguns com tanta frequência e alta dose que em vez da hidra de lerna que se lhes instalou nos buchos se matam a eles próprios.
Mas genericamwnte, a função é salutar e substitui mesmo os desinfectantes de base farmacológica.
Da medicina caseira contra gripes e catarros, faz parte a Queimada, com açúcar, às vezes enriquecida a canela.
A prática é universal.
Eu faço parte de duas confrarias espanholas que a têm por símbolo
E desde o tempo das grandes peregrinações jacobeias.
Na Galiza, onde como todos sabem, fica o centro do culto a São Tiago, e no País Basco, onde entroncava o Caminho Francês.
Já agora, aproveito para recordar como de Jacob se passou a Santiago e a Tiago.
Jacob deu a palavra Iago, que por crase com Santo deu Santiago, que, por diérese ou divisão deu Tiago
Desde que o meu pai faleceu que, ano após ano, me desloco à Vila no dia de Todos os Santos. Este ano também e com dobrada razão que na mesma campa jazem o pai e a mãe. Só, no cemitério, ali estive num tempo sem conta, comungando com eles o tempo passado numa grande saudade mas numa tranquilidade imensa. E deambulando pelas campas recordei todos que, mais próximos ou mais distantes, fizeram parte da minha vida. Tantas histórias por contar!
Que descansem em paz.
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