Primeiro foi o homem a caminho de França. Depois do rapissé, arranjou a carta de séjour e depois tornou-se un ouvrier indispensable na construção de bâtiments, perito que se tornou no uso da pá e pioche e na feitura do béton. Tão apreciavelmente indispensable que passou a trabalhar horas extraordinária que engordavam a sua folha de peia e lhe dava direito a congé e a vacanças também. Com a vida acorrer desta feição mulher e filhos seguiram caminho de France. Fecharam portas e janelas. Primeiro abriam-nas quando, vivendo em France, os pensamentos ainda estavam na vila e lá vinham pelo mês de Agosto. Aos poucos desenraizaram e acabaram por ficar por lá. A janela fechada foi cedendo à inclemência do tempo até que um vento mais forte a abriu. As silvas vão no encalço e qualquer dia entram casa dentro e quem sabe um casal de andorinhas dela faça o seu lar.
3- Alhos valencianos
Possivelmente pelo sangue israelita que me circula nas veias e a que já fiz delongada referência em anterior croniqueta tenho um apego porventura excessivo à Terra Patrum, que os nossos vizinhos espanhóis chamam Patria Chica e os meus patrícios da Raia Sabugalense apelidam de Santa Terrinha.
Assim, parafraseando a despedida até para o ano em Jerusalém, eu costumo dizer então até à próxima no Carril ou mais funebremente até ao Vale de Josafá, onde nascidos e nascituros nos havemos de concentrar todos ao som da trombeta e do grito Surgite Mortui et venite ad judiium.
Pois numa das minhas últimas escapadelas pelo Carril e adjacências dei com uma Camioneta que me perseguiu desde Puebla de Azaba, passando por Albergeia, Aldeia da Ponte, Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Bismula, anunciando alhos de Valência, província espanhola de que nos meus verdes anos vinham para a Raia, melocotones, pimientos grasos e naranjas rojas.
Mas alhos não, que os portugueses tinham, desde as eras afonsinas, tal fragrância que os nossos monarcas os preferiam à pimenta, cravinho, gengibre e demais especiarias. E que também ao longo dos séculos os nossos avoengos sempre cultivaram amorosa e sabiamente.
O chão era enriquecido a cinza, certamente que para proteger os dentes plantados das agruras do inverno.
Escolhia-se recanto abrigado. E a operação tinha datas. Quem quiser um bom alhal, plante-o pelo natal. Os retardatários sofriam natural punição
Pelo entrudo, alho porrudo, só cabeça sem dentes e a suscitar desperdícios. Pior ainda para os mais atrasados. Plantados pela Páscoa, alhos de casca.
A cozinha e os enchidos requeriam dos bons, de dentes e carnudos. O vinhadalhos e os escabeches eram exigentes. Para untar o pão, havia um expontâneo – o raposinhão, inigualável em sabor e odor. Mas era raquítico.
Estes, apregoados como valencianos mas vindos não sei de onde, estavam já encanecidos. Possivelmdente seriam restos do GILDO ou de outros almacenes que os não despacharam a tempo. Na minha meninice, os homens ricos da Raia davam a pele pelas trines, consuelos e pilares.
Agora contentamo-nos com as cascas de alho, que a parte aproveitável do dente já se sumira.
Na década de 40, nomeadamente aqui na vila, a mortalidade era assustadora. Mas como dos nados mortos não reza a história, aqui vão os eugénios de 1946 que vingaram na vida.
|
Maria do Céu Silva Cerdeira |
Cerdeira, Fernando de Deus |
Silva, Ester Rasteiro |
|
Abel Fernandes Monteiro |
Monteiro, António Fernandes |
Monteiro, Maria Gomes |
|
António Manuel Cunha Alves |
Alves, Domingos |
Cunha, Dulce Ester |
|
Beatriz Fernandes Jacinto |
Jacinto, António |
Fernandes,Maria Faustina |
|
Carlos Alberto Leonardo Marques |
Marques, João António |
Leonardo, Maria da Graça Silva |
|
Filomena Brigas dos Santos |
Santos, Henrique dos |
Serrano, Antónia Brigas |
|
Filomena Proença Cerdeira |
Cerdeira, José |
Badana, Angelina Proença |
|
Florêncio Lavajo André |
André, Joaquim |
Lavajo, Maria do Nasimento |
|
Henrique Valério Silva |
Silva, Manuel Alves |
Valério, Elvira dos Santos |
|
Isabel Clotilde Proença |
Proença, José Afonso |
Margarido, Virgínia Clotilde |
|
João Ferreira da Cruz |
Cruz, António da |
Ferreira, Patrocínia Simões |
|
João Garcia Marcos |
Pinheiro, José Marcos |
Garcia, Isabel |
|
João Proença dos Santos |
Santos,José dos |
Proença, Elvira |
|
Joaquim Lourenço Quelha |
Quelha, José Tavares |
Lourenço, Adelaide |
|
Joaquim Monteiro Fernandes |
Fernandes, José Leal |
Monteiro, Nazaré |
|
Joaquim Valério Franco |
Franco, Adriano Ferreira |
Valério, Olívia Soares |
|
José da Cruz Franco |
Franco, Lourenço Ferreira |
Cruz, Justina da |
|
José dos Santos Rasteiro |
Rasteiro, Manuel |
Santos, Maria da Luz dos |
|
José Jarmela Fernandes |
Fernandes, César Lourenço |
Jarmela, Maria Isabel |
|
José Silva Valério |
Valério, Manuel |
Costa, Ana |
|
Júlio Simões dos Santos |
Santos, José Laurentino |
Conceição, Maria da |
|
Manuel Costa Valério |
Valério, Manuel Prata |
Martins, Deolinda Costa |
|
Manuel Margarido André |
André, José |
Margarido, Filomena dos Anjos |
|
Maria da Conceição Gonçalves B.V.Clo Br |
Castelo Branco, Fernando da Silva |
Gonçalves, Adélia Gata |
|
Maria Isabel Silva Dias |
Dias, José |
Leonardo, Lúcia Silva |
|
Maria Justina Lourenço Fernandes |
Fernandes, Joaquim Augusto |
Lourenço, Joaquina |
|
Maria Teresa Bárbara Proença |
Badana, José Proença |
Bárbara, Filomena |
|
Mário Cerdeira Silva |
Silva, Francisco Fernandes |
Monteiro, Júlia Maria |
. Confraternização, era ass...
. Descubra a(s) diferença(s...
. Filho de Vilar Maior, Bis...
. Nós por cá continuamos as...
. badameco
. badameco
. o encanto da filosofia
. Blogs da raia
. Tinkaboutdoit
. Navalha
. Navalha
. Badamalos - http://badamalos.blogs.sapo.pt/
. participe, leia, divulgue, opine