Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Espelho de água

A beleza do Cesarão é incomparável desde a musicalidade das suas águas, à limpidez com que reflecte o céu,as casas, as árvores.
publicado por julmar às 23:17
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A sorte de ter uma aldeia

Eduardo Lourenço é um beirão, nascido em 1923 em S. Pedro do Rio Seco (concelho deAlmeida), licenciado em Ciências histórico-filosóficas. Em 1949 publicou o seu primeiro livro "Heterodoxia" a que se seguiu uma vasta obra, da qual destaco " Nós e a Europa ou as duas Razões" e " O Labirinto da Saudade". A viver em França há muitos anos é , sem dúvida, o maior pensador português e do ser português da actualidade. Foi-lhe atribuído em 2011 o Prémio Fernando Pessoa. " Só há aldeias. Porque mesmo as pessoas que vivem nos grandes meios escolhem sempre um canto que lhes serve de aldeia. A aldeia é um conjunto de casas. E no meio da casas há a casa. O problema é aqueles que sabem isso e que não têm casa. Que a tiveram e deixaram de ter" Eduardo Lourenço, prémio F. Pessoa, In Expresso

publicado por julmar às 18:23
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Vilancetes dos pastores - Dr Leal Freire

São José ao Deus Menino

Foi a beijá-lo na cara

O Deus-Menino lhe disse

Não me piques com a barba

 

Peçamos a São José

Não lhe arrume mais a cara

Porque assusta o menino

Com essa barba tão larga

 

No presépio de Belém

Fizeram lume os pastores

Para aquecer o menino

Nascido em frios rigores

 

Os pastores não são só homens

Mas anjos do céu também

Porque foram os primeiros

No presépio de Belém

 

Ouviu a trova o diabo

E fez outra de revés

Escreveu-a com o rabo

Rabiscou-a com os pés

 

E disse-a com voz rouca

Por cima dos sete mares

Acompanhando os seus ditos

Com trejeitos e esgares

 

Os pastores nunca são homens

Mas uns brutos animais

Comem migas das caldeiras

E ouvem missa nos currais

                                                                                                                                                                                          

Um pastor que estava atento

Deu-lhe resposta num ai

Benzeu-se e persignando-se

Avisou-o e cá vai

 

O demo quando rabeia

Põe os cornos de revés

Rabeia, demo rabeia

Corno foste, corno és...

publicado por julmar às 18:17
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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Ao conterrâneo ausente

Querido irmão Espero que te encontres de boa e perfeita saúde na conpanhia da família pois nós por cá ficamos bem. Cá viemos mais uma vez passar estes dias de festa á terra e desta vez a viagem correu bem felizmente mas ficou bem mais cara por mor das portagens que puseram na auto-estrada. Se calhar temos de começar a ir pelas estradas de antigamente. O tempo por aqui anda munto bom. De noite caem geadas munto fortes e criam um códão munto rijo mas de dia está um sol lindo. Na véspera de Natal houve missa às 10 horas da noite e o senhor padre fez uma prática que deu gosto ouvi-lo. Toda a missa foi uma cantoria pegada com a Lurdes Monteiro a presidir e no fim beijou-se o menino Jesus. A Seguir apichou-se o lume ao toco que era grande mas a lenha estava verde e viram-se às aranhas para o fazer arder. Não havia munta gente que da França só vieram os da Amélia e de Lisboa parece que só estava o Carlos Gata. Cá pela vila está tudo na mesma. A ribeira corre cheia e canta com força que até dá gosto. Andam a fazer a calçada para o castelo e parece que também vão calcetar do senhor dos Aflitos para a ribeira onde eram as poldras e daí até à ponte. É uma boa ideia se puserem luzes até de noite se pode passear. A passagem de ano foi munto animada com a sala do centro de dia cheia de gente. E com munta comida e munta bebida. Tinha muntas entradas. E tinha bacalhau assado no forno com batatas assadas no mesmo, e carnes assadas no forno que deu um trabalhão a aquecer e ra carne de vitela, e de cabrito e de peru. Depois as sobremesas nunca mais acabavam. Eu acho que sobrou munto mais do que se comeu. Teve fogo de artíficio tão bonito que o senhor Bernardino não se cansava de dizer que tomaram muntas terras terem nas festas um fogo de artifício como este. Distribuíram-se passas de uvas e quando deu meia noite só se ouvia o barulho das garrafas de champanhe. Arrumadas as mesas foi dançar pela noite fora retemperando as forças com um caldo verde fumegante. Dia de ano novo o tempo mudou está munto nevoeiro mas está menos frio. O senhor padre que fez a missa era velhinho mas falou munto bem e a missa tinha bastante gente. Tive munta pena de não estardes cá mas o importante é que estejandes todos de boa saúde e desejamos- vos uma no novo cheio de prosperidades. Um abraço para ti e beijos para todos.
publicado por julmar às 19:33
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