O ti Manel pertencia a uma extensa família, a família Rasteiro, que se confinava, praticamente, à freguesia de Vilar Maior e sua anexa Arrifana, com extensão a Aldeia da Ribeira e Batocas. Nas ocupações de suas vidas eram pastores, lavradores, contrabandistas. As gerações mais novas, emigrantes. Comerciante de gado e carne, o Xico Rasteiro. Ousados e corajosos habitavam no reino do bem e do mal, puxando mais para um ou outro, uns puxando mais a um, outros mais a outro. A vida é assim.
Da velha geração recordo o ti António (Arrifana), o Ti Júlio, o ti Manel e a (mãe do António Rasteiro).
Ao ti Manel Rasteiro tinha uma peculiar maneira de falar a que juntava um autoconceito muito elevado, o que em português da vila se diria que se gabava muito: tina as melhores vacas, as melhores terras ... e nada lhe era impossível. E tinha alguma razão: Era capaz, mais a sua Maria se pôr, sózinho a ceifar as tapadas do pão ou a malhar a meda do pão, ao Seixal. E dava conta dela! E lá vinha o bordão do seu discurso
- Caractel, Maria! Ceifamos nós mais do que um rancho de ceifadores!
Onze anos na companhia de um cão, é tempo. Filho de um macho Huski e de uma fêmea Labrador, acossado pelos irmãos refugiava-se debaixo dos carros, hábito que não perdeu. Patinho feio da ninhada foi o último a ter dono por rogo da amiga Paula vizinha da proprietária que me atirou uma pergunta: - sabe os trabalhos em que se vai meter? Não me lembro, devo-lhe ter alinhavado uma resposta aceitável. Salvaguardando as distâncias entre caninos e humanos é a mesma pergunta de quem resolve ter um filho. Sabe os trabalhos em que se vai meter? Verdadeiramente só sabemos as coisas quando passamos por elas. Tudo o resto são suposições.
Verdade é que o Czar foi e continua a ser o mais fiel amigo da família e meu, em particular. Até posso dizer que a minha vida não seria a mesma. Por ele ( ou por pretexto) tive um Jipe para quando chegadas as férias o pudesse levar a Vilar Maior. E foi muito muito feliz por lá nas águas do Coa e Cesarão e companheiro inseparável nos passeios pelo Porto Sabugal, retortas, Casas dos Moiros...
Agora quase todos os dias, oito da manhã, corre comigo cinco quilómetros ( havemos de subir a parada). Todos os dias, de manhã, ao chegar à cozinha, lá está o Czar patas no parapeito da janela à espera do naco de pão. O czar despede-se de mim quando saio, e cumprimenta-me sempre quando chego. Guarda-me a casa e que ninguém se atreva a passar o limite se eu não estiver. Os garotos vêm ao portão e fazem-lhe festas. E há um velhote que há falta de carinho humano vem e , pensando que ninguém vê, dá-lhe a cara, junto da grade, para ser lambida.
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