Sábado, 21 de Julho de 2012

ARTESANATO GASTRONÓMICO - Dr Leal Freire

Inteligente, o povo de Vilar Maior cedo intuiu que, pela reduzida extensão dos seus agros cultiváveis, não podia competir na grande agricultura.

Virou-se, por isso, para a horticultura, que exige sobretudo dedicação e perseverança.

A horta só anda contente se tiver quase permanente as face do dono

Mas, assim vigiada e acarinhada, desfaz-se também ela em mimos e primícias.

Os povos de grandes extensões de batatais e feijoais, de searas e pradarias também de centenas de hectares, nomeadamente o Soito e  Aldeia da Ponte – conhecem bem os pimentos de Vilar Maior—os queimososos e os doces, os verdes e vermelhos, as ginjas Gordass e abogalhadas, os exemplares apifarados e  anguilares.

Na sazão,vão para lá aos cestos, pagos a dinheiro ou trocados por batatas, feijões, cereaais ou castanhas, segundo medidas tradicionalmente consagradas

Mas os horticultorres da vila, e vila só há uma, Vilar Maior e mais nenhuma, sabem exportar os pimentos de conserva—no vinagre que lhes dá vida e sabor

O vinagre da terra é excelente, como excelente é o vinho, superior ao dos povos vizinhos e em que o grande bairrista que foi o saudoso Cabo Seixas - o César Cerdeira  Seixas - situava mesmo a ascendência do generoso Porto

E os conserveiros sabem mesmo apurar-lhe o grau ao ponto certo - acidez  que evite a deterioração do produto, sem intervir com  a essência  sápida do produto final, na verdade  excelente

Aliás, a conservação pelo vinagre estendeu-se a outros produtos hortícolas--casos da cebola, do tomate… nós dizemos as tomatas…o pepino e até o feijão verde – as nossas vaginas –   e a couve arrepolhada

Produtos que ao natural dificilmente acharão competidor

Por uma felicíssima série de circunstâncias – desde o aboletamento nos verdes anos no famosíssimo João do Grão, da Guarda, ao ascenso já quase no fim da velha idade á condição de grao-mestre da Ordem dos Sabores, tenho sido efectivamente um privilegiado nesta coisa da Boa Mesa

Apesar do que posso jurar sobre um livro de horas que não há melhor caldo do que o de vaginas brancas das hortas de Vilar Maior, como são por igual, passe o pleonasmo, inigualáveis as suas tomatas.

publicado por julmar às 22:48
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Joana Nunes, Preparando a feira dos talentos

Uma amostra do que a Joana Nunes colocará na sua banca. Haverá também desenhos e pinturas
publicado por julmar às 22:35
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012

Feira de Talentos - Venha ser feirante por um dia! Divirta-se

Já há muita gente inscrita, muita gente que prometeu e sabemos que vai colocar a sua banca ... e há os que ainda não disseram, os de última hora que todos somados são muitos. O ideal é que todas as pessoas vendam alguma coisa que todos têm alguma coisa para vender desde produtos agrícolas (cebolas, batatas, feijão, gravanços, chícharos, alhos, abóboras e tudo o mais comestível), compotas (o doce de ginja, cereja, amora, abóbora, a marmelada) frutos sêcos (figos, nozes, amendoas), bebidas (vinho, licores, aguardentes, geropiga), queijos (frescos, curados...) ervas aromáticas, chás (poejos, tilia...), mel do Cimo da vila. Vá até ao Cesarão, Coa, Barragem de Alfaiates pesque uns barbos, umas bogas e venha vendê-as. 

Se não vá à arca e tire de lá aquela toalha de linho esquecida emostre-a ou venda-a; venda os atafais da burra, o cabresto, a cilha. Venda alguma coisa.

A única coisa que pedimos que não venda é a alma ao diabo! 

(mercado de especiarias Istambul)

publicado por julmar às 19:25
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Espelho de água

Parabens ao fotógrafo que, primeiro que os outros, se apercebeu da combinação fantástica da luz das sombras, do céu, da água, das árvores.
Este é um dos sítios mais bonitos da Vila, agora beneficiado com calcetamento a convidar a um passeio ao entardecer ou depois do jantar se fosse iluminado.
publicado por julmar às 12:42
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Feira de Talentos - Comércio de Albino Freire

No dia da Feira de Talentos  a D. Mariazinha terá a amabilidade de ter a porta aberta para podermos visitar um espaço central da vila do século XX e podermos ver uma bela colecção de objectos que o saudoso Carlos Freire e D. Mariazinha preservaram neste espaço.
publicado por julmar às 11:53
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Feira de Talentos em marcha

Para vos dar conta de com estão a correr os preparativos para a feira

Na sexta feira tive uma reunião com o senhor Presidente da Câmara que manifestou todo o interesse na realização deste evento. Tomou o compromisso de diligenciar no sentido das instalações do Forno e do Turismo estarem desocupadas e emcondições para o dia da feira e de envidar esforços para que as peças sejam colocadas no museu. 

Temos de ser realistas para andar com as coisas para a frente. Se esperarmos por condições ideais não faremos nada. Em vez de perguntar o que os outros podem fazer, temos de perguntar o que é que eu vou fazer. Por isso, cada feirante deve procurar a logística necessária ao seu negócio (procurar o espaço mais conveniente, o suporte aos produtos - mesa ou outro - talvez um guarda-sol dê jeito, verificar se precisa de eletricidade, etc, etc.) 

Por sugestão do António Gata e de outras pessoas poderão ser utilizados pelos feirantes as lojas contíguas à Praça e ao Largo do Pelourinho e, ainda são bastantes. Deverão contactar os respectivos proprietários que deste modo contribuirão para o evento. 

Em conversa com o António Cunha, Presidente da Junta, achou-se que a parte dos comes e bebes poderia funcionar no Centro de Dia que agora dispõe de um largo muito agradável. Para além da participação do Centro de Dia com a confeção de um prato que venderia, serviria de logística (casas de banho, mesas, cadeiras, etc) para os que participam com bancas de comes e bebes. Toda a gente da vila e de fora poderá (deverá?) almoçar ali nesse dia - comprando os alimentos e bebidas disponíveis que desejar.

A Catarina Falcato e Bárbara Cardoso vão dar o seu melhor em termos de organização para que tudo corra muito bem e para que o dia 12 seja um dia muito produtivo e divertido para todos e que seja a Primeira de muitas feiras que se vão seguir.

O Paulo Almeida, da Comissão de Festas, já começou a divulgar com os cartazes para o efeito nos locais habituais.

As pessoas que tenham coisas de interesse e queiram mostrar podem-no fazer também em suas lojas ou casas.

Nesse dia, por exemplo, vamos poder revisitar o comércio do Sr Albino Freire, depois da D. Aninhas Frias e depois de Carlos Freire e Professoa Mariazinha.

O número de bancas está a crescer. A Beatriz Lavajo irá ter cachecois e outros produtos, a Zulmira irá trazer-nos as tradicionais vassouras de bracejos e de cuanhas.

O importante é mesmo participar. Se nunca vendeu nada, aproveite faça a sua experiência! Vai ser mesmo divertido!

Não se limite a si, leve os seu amigos!

publicado por julmar às 10:51
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

MERCADOS DO RIBACOA - Dr Leal Freire

Cento e vinte povoados

Portugal, duas Castelas.

Vão em compita  aos mercados

Espairecer sequelas

 

De Pega a Fuenteginaldo

Desde o Jarmelo até Xalma

São andanças sem rescaldo

Suaves remansos de alma

 

Vêm quatro gerações

São as veredas torvelinhos

Os mais altos torreões

Tinge-os o pó dos caminhos

 

Em casa só os avaros

A quem o tempo carece

Mas esses são bichos raros

Que a Raia até desconhece

 

O tempo de Deus promana

E Deus de todos amigo

Talhou igual a  semana

Ao  ricaço e ao mendigo

 

Terminaram as colheitas

Inda não há sementeiras

É tempo--as hortas estão feitas

De romarias  e feiras

 

Vai-se a uma, vai-se a todas

Num raio de sete léguas

Come-se mais do que em bodas

O corpo já pede tréguas.

 

Mas o ciclo só se encerra

Em dia de  São Francisco

Abala o gado da terra

Em busca  de novo aprisco

 

Recolhe um cristão a casa

Que o frio coa neve bulha

Mas haja lenha prá brasa

Pão e batatas na  tulha

 

Haja pipinho ou barril

Com torneira que se abra

O porco no chambaril

Não falte o queijo de cabra

 

E haja  a benção dos Céus

A coisa  mais  almejada

O pouco é muito com Deus

O muito sem Deus é nada

publicado por julmar às 19:04
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Sábado, 14 de Julho de 2012

Feira de Talentos - A arte na natureza

Passaram uns e outros às dezenas, centenas, milhares. Mas ninguém reparou na forma caprichosa que semelhava uma imagem. Pois é. Uns veêm, apenas; outros param para reparar. É isto que faz o António Rasteiro (o Tó do Zé Duarte), acrescentando um pouco num lado e retirando do outro para revelar um mundo novo. Então aí vai uma amostra do que apresentará na sua banca na Feira dos Talentos:

 

 

publicado por julmar às 22:50
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Feira de Talentos - O pão nosso de vez em quando

Bom mesmo era que fosse o pão nosso de cada dia. Há-de ser, de certeza, o pão da Feira de Talentos. Há, seguramente, um ano que ando a treinar. Este será o penúltimo treino antes da prova final.

De resto, aqui pela vila onde me encontro, mais gente anda a preparar os seus talentos, como em breve verão.

Assim se amassa,

Assim se peneira

Assim se dá a volta

Ao pão da masseira

Depois de amassar e fintar, tende-se
 
 
Depois deita-se o lume ao forno ... e tem que selhe diga

 

 E, no fim, está pronto a ir à mesa

publicado por julmar às 14:33
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012

Feira de Talentos - A horta do Manel

 

Todos os que nascemos em Vilar Maior temos obrigação de honrar e preservar o sítio onde nascemos, cada um na medida das suas possibilidades. E isso é feito das mais diferentes maneiras. Todos sabemos a alteração paisagística que sofreu: As noras pararam, as "burras" desapareceram, as veigas foram invadidas por silvas, juncos, giestas e bracejos, os caminhos tornaram-se intransitáveis, o arame farpado substituiu as paredes de pedras, as ribeiras enchem-se de tabuas e outras plantas, as Hortas da Ribeira foram ficando incultas; as vinhas que nos meses de estio coloriam a paisagem de verde foram arrancadas obedecendo às ordens de Bruxelas e dos interesses da PAC. As eiras passaram a estar vazias. Não precisámos mais nem de pão, nem de vinho. nem de batatas. O país acabou com a agricultura, com a Indústria e com a pesca. Éramos um país pequeno. Agora já não sabemos bem o que somos. O comércio da aldeia deixou de existir. Os Intermarchés municipais passaram a substituir a horta.

Deixemos o país, voltemos à vila. Para dize que ainda estamos a tempo de dar o nosso contributo, de alimentar a esperança em que seremos capazes de contribuir para o seu desenvolvimento.

Ontem dei uma volta para ver quantas Hortas da Ribeira estavam cultivadas.

Mesmo junto da ponte está cultivada de uma forma exemplar e com toda a técnica antiga a horta do Manel da ti Ester. Era assim que todas as hortas estavam há cinquente anos. Depois,  frente à capela de S. Sebastião es´tão algumas leiras do Adriano Seixas. Um pouco mais acima uma leira cultivada de Carlos Valente Martins e ao cimo de todas a horta do nosso Presidente da Junta, António Cunha. Indo para a margem esquerda encontamos primorosamente tratadas várias leiras do ti Zé da Cruz (que continua a humanizar a paisagem nos Galhardos) e a horta de João Marques que assim se estreou na arte do cultivo hortícola.

Tudo o mais está de relva. E a política da relva (ou dos relvas) tornam o país mais pobre. Sim, relva pode ser sinónimo de falta de esforço, trabalho, cultura.

 

 

publicado por julmar às 16:09
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