Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013

A mudança da paisagem


O carrascal fora das muralhas

 

 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança:

 Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança:

 Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem (se algum houve) as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,

 Que já coberto foi de neve fria,

 E em mim converte em choro o doce canto.

 

 E afora este mudar-se cada dia,

 Outra mudança faz de mor espanto,

 Que não se muda já como soía.

                                                                                                          Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

Lia este poema de Camões e ocorreu-me, a reflexão feita na minha peregrinação diária, nos últimos dias do ano, até à Igreja de S. Pedro de Aldeia da Ribeira em cuja frontaria ostenta: " restaurada em 1940". Andar assim, durante cerca de hora e meia, permite-nos olhar para dentro de nós, olhar para a natureza e assim irmanarmo-nos com o universo, perceber as nuances do estado do tempo, sentir o cheiro intenso dos marmelos que ninguém quis colher nas hortas junto das Alminhas de Aldeia da Ribeira onde a ribeira tranquila se enche do verde dos limos. O relógio bate bate as nove horas. ( esse velho relógio que sempre envergonhou o da vila pela exatidão na marcação do tempo e pela sonoridade do bater das horas que enfiando pela ribeira abaixo se ouviam claras pelas Retortas e Areal). O som leva os meus olhos à torre onde dão com a cegonha imóvel e altiva, suportada numa das suas pernas. Resistira toda a noite a uma fortíssima geada. Parece que as cegonhas já não emigram, talvez, por isso, tenham deixado de trazer bebés. Nunca me tinha dado conta da beleza desta aldeia que desde garoto me ensinaram a olhar como a grande rival da vila. Lá estão as Alminhas a pedir as nossas orações: " ó vós que passais, tende compaixão de nós". A casa do João tinha as janelas fechadas. O cão da Bernardina avança com ladrar ameaçador, mas vendo-me determinado e de cachaporro na mão, deu meia volta e ficou a ver-me passar. Na margem direita uma placa da União Europeia - programa FEDER - com os custos de arranjo das margens do rio, deitada por terra, ao lado da mesa granítica com bancos de granito. Nas margens do Cesarão, nas margens do Côa, junto de fontes, em clareiras de bosques, um pouco por toda a Raia aparecem monumentos destes. Talvez pensassem que o desenvolvimento se fizesse sentando-nos à mesa a fazer piqueniques à beira rio. Esta é a nova cultura - a cultura do lazer, contrastando com a incultura das veigas marginais. A agricultura ( literalmente cultura do campo) morreu e com ela morreu a região com as suas gentes. E quando o homem não domestica a natureza ela regressa ao estádio selvagem onde impera a lei da seleção natural onde sobrevive o mais forte e às vezes o mais forte não é o melhor. Por isso, as giestas invadem os campos, as silvas descem ás veigas e hortas, a tabua invade os rios, o mato cresce por todo o lado de tal maneira que a obra milenar das divisões de propriedades com paredes feitas das pedras com que se limpava o terreno, desaparecem da paisagem, substituídas por arame farpado que vedam propriedades e tapam caminhos públicos. Mas a reflexão que o poema me suscitou, tem a ver com uma mudança florestal - começa a ser dominante, competindo com o carvalho, a azinheira que por cá designamos como carrasqueira, como é visível no caminho Vila-Aldeia da Ribeira e que acontece um pouco por todo lado, no exterior das muralhas do Castelo e no interior das mesmas. Perguntará o leitor, porquê. Porque deixou de haver gado ovino e, sobretudo, caprino. Mal despontava no solo o rebento da bolota era devorado pelo dente da cabra, que é um dente excomungado.


O carrascal dentro de muralhas
publicado por julmar às 23:15
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Domingo, 6 de Janeiro de 2013

OS SANTOS REIS - Dr Leal Freire

 

Virão cantar os reis  novos

Os povos  do  Sabugal

Virão primeiro àqueles  povos

Que  já  tiveram foral

 

Á frente,Vilar  Maior

Que é o  maior vilar

Comanda o alcaide-mor

Que é mor  a  comandar.

 

Os burgos seus suseranos

Acorrem ao cantochão

São milénios, que não anos

De perfeita comunhão

 

Das ameias  do castelo

A  luz em focos se  expande

Não são as  trevas  flagelo

Nenhuma há que não desande

 

O coral aos  sete céus

Sobe  brando nos  eflúvios

Chegam à dextra  de  Deus

São as  trovas  quais  dilúvios

 

O Baltasar, o Gaspar

A seguir, o  Melchior

Batizaram o  Vilar

A  que  chamaram  Maior

 

Aqui adoraram  Cristo

Aqui Lhe deixaram prendas

Aqui  se  fez  o registo

Que  ficou  por  sobre as  lendas

 

As águas  do    Cesarão

Que alguns chamam  Cesaréu

Marulhando em cantochão

São laus Deo  ou  Te Deum.

 

publicado por julmar às 19:13
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

Esclarecimento - um comentário indigno

Escrevi e não publiquei este post antes do Natal. Tinha mesmo decidido esquecer. Não por consideração do senhor Sempapasnalíngua mas por não querer ferir outras pessoas.

Porém, o senhor Sempapasnalínua, esquecendo a boa vontade de quem retirou o indigno comentário, voltou a reincidir hoje no post sobre a passagem do ano. E desta vez, não retiro o comentário para que os leitores possam saber quem se esconde sobre o anonimato ou sob o pseudónimo de Sempapasnalíngua.

 

Esclarecimento - um comentário indigno

Um post recente - O Regresso á terra, Vamos cultivar as Hortas da Ribeira -  teve um comentário miserável de alguém que escondendo-se atrás de um pseudónimo  - Sem Papas na Língua - resolveu de maneira cobarde e vil difamar  e caluniar um conterrâneo nosso que está muitos degraus acima da vileza do difamador.

Além de ter faltado dignidade ao comentador faltou-lhe também inteligência, pois tal como o gato que se escondeu, deixou o rabo de fora. E que rabo!

Não devia servir-se do Sr dos Aflitos para resolver eventuais questões pessoais. Não é o dono do Sr dos Aflitos e ninguém lhe delegou autoridade para elogiar ou censurar quem aceita ou não ser mordomo.

Pela primeira vez, como gestor do blog, me vi obrigado a deitar ao lixo um comentário que era isso mesmo: lixo. No passado, muitos comentadores usaram o anonimato, divertiram-se, gozaram, contestaram ideias mas nunca insultaram.

Do senhor Sem Papas na Língua espero não voltar a ver qualquer comentário. Não se conseguirá esconder mesmo que comece a escrever num teclado nacional.

Lamento, este incidente, em época natalícia, e faço votos de que a paz habite no coração de todos os homens de boa vontade.

 

publicado por julmar às 21:10
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

Apresentação de Contas

Na missa do Primeiro de Janeiro, o senhor padre leu as contas relativas à Festa do Senhor dos Aflitos, apresentadas pela respectiva Comissão:

Despesa - 32763,01€

Receita - 32763,01€

publicado por julmar às 20:54
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Passasagem de ano

Organizada pela comissão de Festas, a passagem teve todos os ingredientes da festa: muita comida, muita bebida, música, dança tudo a preparar um espírito de alegria e fraternidade dos cumprimentos e votos recíprocos. 

 

 

Na falta de crianças para extrair o bilhete sorteado do cabaz de natal, coube ao mais velho, o ti Fernando. O bafejado pela sorte foi Carlos Gata.

 

A culminar a festa fogo de artifício.

publicado por julmar às 20:28
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BOM ANO 2013

Porque a felicidade não cai do céu Desejo a todos os que passam por este espaço que continuem a sonhar e encontrem motivação, coragem, saber ... e alguma sorte para transformarem os sonhos em realidade.

publicado por julmar às 19:14
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