
(fotografia de Dulce Costa)
Viver na vila, ao contrário e viver na cidade, é ter assegurada uma identidade, é assumir uma personagem independentemente do estatuto social que se tem. Teve direito, como todos, a uma alcunha- o ti Zé Romão e todos o que o conheceram como eu conheci, ficamos contentes por o podermos recordar. E, imediatamente, nos saltam à memória a ti Maria (mulher) e o Manel (filho), meu colega de escola e de brincadeira. Imediatamente nos ocorrem mil e uma histórias metade verdadeira e outra metade inventadas como todas as histórias. Ainda lá está a casa, na rua De Cima, abandonada.
E era assim o ti Zé - alto, de cabeleira farta e branca, bóina basca, cigarro na boca, de espírito independente pouco dado a servidões. E, talvez, o primeiro a utilizar na vila um veículo como o que se vê na fotografia.

Está marcada para dia 19, sábado, pelas 18 horas, no edifício da Junta de Freguesia, a tomada de posse dos membros da Assembleia da União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos.
A todos os empossados desejamos felicidades e de todos esperamos o empenhamento na defesa do bem dos povos que constituem a nova unidade administrativa : Batocas, Aldeia da Ribeira, Escabralhado, Vilar Maior, Arrifana, Carvalhal e Badamalos.
Vilar Maior Primeiro tudo fará, dentro dos objetivos que prossegue, para o engrandecimento e desenvolvimento sustentável deste grande território que vai da raia à margem direita do Côa.
Fico incomodado quando não encontro solução para um problema, porque educado para uma atitude científica e baseado nos princípios lógicos da razão, sei que tudo o que existe tem uma causa. Isso aplica-se também aos modos de dizer que como tudo têm um nascimento uma vida e uma morte.
Não é a primeira vez que visito a expressão "não ter as aldrácias". Nos dicionários não há rasto. Numa consulta na Net o que encontro, o mais das vezes, é a a transcrição do significado da expressão da minha monografia «Vilar Maior, minha terra, minha gente» : «Não ter as aldrácias: se se faz um favor a alguém espera-se alguma recompensa ou algum gesto de reconhacimento. Se tal não acontece diz-se que não teve as aldrácias». Ora, o certo é que não descortino nehuma luz sobre o assunto, o que não me impedirá de continuar a procura.
De todo o modo, a expressão, além de ser bonita, responde a um valor fundamental das organizações e da sociedade: o reconhecimento, tão importante para a alma quanto o pão o é para o corpo. Na leitura do evangelho de domingo (Lucas 17:11-19) - a cura dos leprosos - Jesus mostrava-se chocado por ter curado dez, e apenas um ter voltado para lhe agradecer. Os outros não tiveram as aldrácias. O reconhecimento é importante porque, sendo o essencial da sociedade a interacção entre os seus membros, ele atesta sobre a qualidade dessa interacção. E, para além das trocas mediadas pelo interesse, pelo dinheiro e pelo contrato que dizem respeito ao ter, há a dádiva , há a graça, o ser de graça que dizem respeito ao ser, ao valor de ser pessoa. É, sobretudo, a este nível que a expressão se aplica. Nenhuma será forte se não houver reconhecimento. E para os que medem tudo pelo lado do dinheiro, saibam que o reconhecimento não tem preço. Porém, exige uma predisposição de bem querer, de admiração, de consideração, de compreensão, de atenção ao outro. Por isso, tanto quanto puder, viva de graça.
Para os que são católicos, oiçam a palavra do papa Francisco, que se assim continuar, há-de acabar com uma parte da Igreja que não liberta o homem:
«'Com licença, obrigado, desculpas' são as três palavras da convivência e quando são usadas, a família vai bem»
Os mercadores provinham da classe do povo. Eram,por isso, plebeus. Mas não lhe estava vedado o acesso à fidalguia. Quando o mercador era abonado de capitais e os seus negócios atingiam certo volume, era a própria lei que lhe concedia privilégios.
A aristocracia mercantil era, pois, uma aristocracia do dinheiro.
Atingido o escalão de mercador de Grosso Trato, não podia ser açoitado no pelourinho, nem espiar culpa com baraço ou pregão.
Os mercadores não tinham como tinham os homens das artes e ofícios uma organizaçao corporativa. Mas a ocupação de mercador não se podia exercitar sem os necessários requisitos de fidelidade e sabedoria, e a estes fins não se pode passar senão pelos próprios e adequados meios de educação e experiência.
Os quais só se podem conseguir se os caixeiros que entrarem nas lojas tiverem bons exemplos de probidade nos patrões a que assistirem e procurarem eles próprios adiantar-se nos cálculos e negociações mercantis.
Que não tenham menos de seis anos no exercício de caixeiros para lhes ser permitido abrir lojas por sua conta.
O caixeiro só podia ser admitido como tal entre os doze e dezoito anos e era submetido a provas de exame - ler, escrever e fazer contas.
E os comerciantes tinham de estar na posse de quatro virtudes - probidade, verdade, boa fé e boa fama.
Havia diversas espécies de mercadores: Grosso Trato, Panos de cor, Linheiros, Tendeiros e Mesteirais
Havia ainda os mercadores de Nação que eram os judeus, que se encontravam arruados, vivendo em bairro próprio, com sinagoga e forno privativo.
Por seu turno, capelista era o mercador de fazendas e miudezas.
Tratante e traficante eram, segundo o foral, pessoas de bem. Era tratante todo o que tinha por modo de vida contratar nos cálculos e negociações mercantis.
arruados, vivendo em bairro próprio, com sinagoga e forno privativo.
Traficante especificava que o seu titular andava no tráfico, isto é nos negócios.
De modo que, naquelas eras se chamava tratante ou traficante - nomes hoje pejorativos - a qualquer bom, honesto e honrado comerciante.
Minha aldeia é todo o mundo. Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro e confundo com gente de todo o mundo que a todo o mundo pertence.
Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.
Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que emergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
António Gedeão
A minha pena é não ter feito com mais afinco o registo escrito das formas de dizer dos antigos, verdadeiras preciosidades. Delas dei conta no meu livro "Memórias de Vilar Maior, minha terra minha gente".
Depois das colheitas da batata, do centeio, do feijão, do linho e de outras vem nos princípios do Outono a maior colheita dos frutos doces - as vindimas. Tal como depois das ceifas em que os mais deserdados iam na procura das espigas deixadas e formando manojas de onde haviam de tirar alguns litros de centeio, também nas vindimas iam ao rebusco na mira de encontrarem um ou outro respigo ou um comprido gatcho que escapou aos olhos do vindimador. Os garotos também faziam o rebusco das amendoas cascudas e das nozes que, dependendoda sorte e habilidade que tivessem no jogo do carambolo, haviam de perder ou multiplicar.
Mas quem andar de ouvido atento ainda poderá surpreender-se com termos que já não soe usarem-se, como me surpreendi no mês de Agosto, de em conversa corrente, a propósito de uma alimária(não sei se caval se burro), o Zé Carlos a adjectivar de parchão ou o Zé da Amélia a usar a expressão "ora tomba lá chão" a que, na repetição, acrescentou "e bate-lhe com a testa". Expressão de tão bom dizer que é difícil substituí-la por "que grande admiração" ou a vulgar "branco é, galinha o põe", evidências tão claras como as verdades de monsieur de la Palice, nobre francês, que se não tivesse morrido ainda estaria vivo.

Há expressões caídas em desuso e às quais temos dificuldade em atribuir uma origem e, muitas vezes, saber o que com elas se queria dizer. Ouvia-a, com frequência na minha menimice um pouco no mesmo sentido como aquela de "andar na boa vai ela", tentação permanente para quem mais gosta da animação do que da mortificação.
E, mortas estas formas de dizer, em perigo estão também essas raras e belas árvores - os mostajeiros - que conheci várias na Vila e de que sei apenas onde encontrar uma. E os frutos miúdos e com muitas graínhas sabiam bem, porque tardios, muito depois da abundância dos gatchos, dos figos, das nozes e das amendoas.
Bem que todos os que puderem podiam preservar as que há. E porque não plantar algumas? Só podemos fazer a diferença por aquilo que é nosso, por aquilo que endémico. E temos mais, muito mais.
Comecemos por «andar aos mostágios».
Para mais esclarecimentos consultar o regulamento em www.fvp.pt ou contactar a Fundação Vox Populi:
- Email: geral@fvp.pt
- Telefones: 21 755 3125 ou 966011389
Houve um tempo em que as ruas da Vila, na ausência de veículos motorizados, servia o trânsito de carros de vacas de animais (vacas, ovelhas, cabras, burros) e as galinhas de todos se entretiam a debicar no cisco da rua. Era a vida e não havia outro jeito senão atender onde se punham os pés. Por vezes, alguns sítios eram enxovias feitas dos usos medievais do «água vai!», aviso importante para evitar um banho de ... porcaria corpo abaixo. Tudo muito medieval como a vila o era nos princípios dos anos sessenta do passado século. Porém, sem serviços de limpeza pública, todos cuidavam de varrer a sua testada sobretudo aos sábados. E se havia um dia de festa, então havia esmero na limpeza. E em dia de Páscoa todo o circuito da procissão (que era de um lado ao outro do povo) não era apenas o esmero da limpeza mas toda a rua se atapetava de um manto de folhas e de flores.
Agora circulam carros e pessoas ... e cães. O lixo é outro, mais civilizado mas mais perigoso porque não biodegradável. As ruas estavam cheias de pasto (ninguém se lembrou da limpeza do recinto e em redor das escolas, os passeios da Avenida das Escolas tinham silvas que os obstruíam e ouvi muita gente queixar-se destss coisas).
Em dias de festa o lixo aumenta. Vi alguns elementos da Comissão de festas que tentaram limpar a Praça o melhor que puderam. A limpeza é um problema público e quem gere e administra o público tem de cuidar destas situações e não pode deixar de haver verbas para o que tiver a ver com higiene e sanidade públicas.
As imagens são de Domingo de Festa, pelas 11horas
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