Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013

Rei morto, rei posto


Após longo reinado da Velha Acácia, cujo início se perdeu na memória dos vivos e de que não consta registo escrito ou outro, já ali se encontra um novo rei - um carvalho - que iniciou o seu reinado em quatro de Novembro de 2013. Pelo que me soou haveria vários pretendentes à reinação: uns que deveria ser uma sucessora na linha direta, portanto, acácia ao que um outro alvitrou que essa era uma alienígia vinda da Austrália e que se queriam a sua opinião deveria ser uma amoreira, argumentando para tal o nobre historial da árvore em terras da vila, nomeadamente a que no Curral Grande, hoje propriedade de António Cerdeira (o Tó da ti Ester), fartava de amoras o povo e alimentava o bicho-da-seda. Essa sim, árvore patrimonial que se foi no silêncio de todos, quando todos achavam que todas as árvores eram iguais sem distinção.

Irritava-se um outro, à beira, por não o ouvirem e que, segundo ele, o Carvalho era, sem dúvida a árvore mais representativa da flora da vila. Mas acrescentava que o carvalho gosta  da altitude e não carece, nem gosta da frescura nas raízes que o lugar oferece, que disso gosta o freixo que ali haveria de gozar e dar árvore de grande porte como convém à sucessora da acácia.

Ora, quem chega primeiro é que toma o lugar e quem lá está é o carvalho a quem nos resta desejar saúde, que tenha uma reboleirice viçosa, que ganhe uma copa frondosíssima que nos assombre em tempo de estio, que se encha de bugalhas e produza muita bolota (ou boleta que assim aqui se chamava). Que seja um reinado longo e próspero!
publicado por julmar às 16:13
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  1. Página inicial - 41

  2. Velha acácia - Que faremos com o teu corpo? - 28

  3. Curtir azeitonas - 20

  4. À sombra da velha acácia - 16

  5. Constituição dos Órgãos da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos - 14

  6. A Vila, importante centro comercial na primeira metade do século passado - Dr Leal Freire - 5

  7. Requiescat in pace, Amélia Lavajo - 5

  8. O tempo na Vila parou porque não há quem dê corda ao tempo - 4

  9. À Sombra da Acácia - 2

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publicado por julmar às 16:07
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Domingo, 3 de Novembro de 2013

Velha acácia - Que faremos com o teu corpo?

O tronco encontra-se fendido em dois. os mais imaginativos conseguirão ver na parte mais seca uma nossa Senhora.

Têm surgido  várias sugestões sobre o que fazer com o tronco: Queimá-lo na noite de natal; cortá-lo em pedaços que poderão ser requeridos pelas pessoas que o desejarem. Por mim, a parte seca colocá-la-ia numa estrutura e ficaria como memória desta multissecular acácia.

Talvez se possam conjugar várias propostas. Façam sugestões 

publicado por julmar às 19:59
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À sombra da velha acácia

regresso ao passado 003.jpg

 À sombra da Acácia que já mal sabia a idade contaram histórias do passado quando havia ainda havia sonho, esperança e se conjugava o futuro de quase todos os verbos.

(post de Junho de 2012)

publicado por julmar às 19:46
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Sábado, 2 de Novembro de 2013

Constituição dos Órgãos da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos

O Senhor Presidente da Junta prestou-nos esta informação que julgamos útil

Junta:.

- Presidente - António Bárbara Cunha - Secretário - Joaquim José Gomes Nobre - Tesoureiro - João Lopes Martins

Assembleia;

- Presidente - António César Marcos Gata - 1º Secretário - João Lavajo Cunha - 2º Secretário - Manuel Vaz Lavajo - Vogal - Nelson Filipe Fonseca Fernandes - Vogal - Manuel Pinheiro Dias

NOTA - O senhor Jerónimo Brigas Fernandes, eleito pela CDU, não compareceu à tomada de posse nem justificou a sua falta. O senhor Manuel Gomes Monteiro ainda não tomou posse por motivo de doença.

publicado por julmar às 19:33
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A Vila, importante centro comercial na primeira metade do século passado - Dr Leal Freire

Alguns textos, como este, do Dr Manuel Leal Freire são um precioso contributo para a História de Vilar Maior no século passado

  

Para os  moradores dos povoados  em redor, a  vila, a  vila  por  excelência é  Vilar  Maior As outras vilas, o  Sabugal incluído, só se identificam  pelo nome  todo. É a homenagem devida à antiga sede de concelho, que o foi por vários séculos. Mas  é  também  reminiscência  dos  anos  posteriores  à  extinção  quando o  pessoal das  aldeias  tinha  de deslocar-se  a Vilar  Maior para  adquirir  bens essenciais, aquilo  a  que no linguajar  comum  se  chama  o  que  há  de mister.

Nalguns daqueles  lugarejos, nem uma  taberna  havia.

Se se acabassem os fósforos, por  ali  chamados  palitos ou paulitos, ia-se, com  uma  tijola  pedir  uma  brasa ao  vizinho  que  já  tivesse  lume  a  arder.

O petróleo iluminante quase  se desconhecia  e  mesmo  a  candeia  a  azeite  pouco  se acendia  que  aquele  bendito  óleo, que  alumiava  o  Senhor, era  pouco  para  a molhanga  das  batatas. E, a  taberna, quando  existia, limitava-se  a  fornecer  vinho  ao copo, aguardente  aos calechos, pirolitos   e umas  laranjadas  de  fabrico  artesanal.

Ora, ao  tempo, existiam  já  na vila  dois  estabelecimentos  a  que se  poderia  chamar  de  tem-tudo.

Eram os Gatas e os Freires.

Os  primeiros  eram  aborígenes, isto  é  naturais  da  Vila. Os  Freires, cujo  pai  pertencia  a  uma  linhagem  de  mercadores  de  nação, isto é  de sangue  judeu, que  vindo  de  Alverca  da  Beira, viera, por casamento  e  veniaga, radicar-se  na Bismula, abriram  loja  em várias  localidades  da zona Um deles, de nome  Albino instalou-se  e  prosperou  em  Vilar  Maior. O  seu  estabelecimento  conseguiu  efectivamente  tomar  uma  posição concorrencial  face à  Casa Gata, não  obstante  a  maior  antiguidade  desta   e  o peso  da  sua  tradicional clientela.

Mas  tanto  no  Senhor Aníbal, como  no Senhor Albino os  habitantes   de  Vilar Maior  e  aldeias  circunvizinhas - ou  até  mesmo  os  espanhóis  de  Alamedilha   podiam    adquirir   os  artigos  de  mercearia, panos, quinquilharia, retrosaria, drogaria de uso  mais  corrente

Os dias de maior movimento eram  os  domingos  e  feriados  religiosos  em  que  convergiam  para  as  duas   lojas   muitos   moradores   de  Aldeia  da  Ribeira, Escabralhado, Arrifana, Badamalos, Carvalhal  e    Bismula

Esta  ultima, porém, viria  a  autonomizar-se, autoabastecer-se,   e  até  a  tornar-se  concorrencial,    com  a  loja  do  Senhor  António  Mendes, vindo  de  Angola, com   um  bom fundo  de  maneio  nos  finais  da  Segunda  Grande  Guerra.

De  referir  que  um  filho  do  dito  Senhor  Mendes, de  nome  completo  José Corceiro Mendes  estagiou  nos  Gatas. Mas  não  seguiu  a  carreira  comercial. Foi  professor  em Portugal  e  na  Alemanha, tendo   na  última  fase  da  vida - faleceu  recentemente -estanciado  na  Casa do Professor.

publicado por julmar às 13:15
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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

Ó dramática aldeia de abandono - João Valente

 Ó dramática aldeia de abandono,
antigas chaminés que aos poucos de vão apagando! casas vazias,
beirais que já não gotejam nestes chuvosos dias

de Outono...
E na praça o bebedouro que há anos não corre!
as portadas das janelas, com o tempo caindo...
O terreiro aqui e ali a erva invadindo,
ao pelourinho, a secular acácia que finalmente morreu,
depois de longa agonia.


Ó triste aldeia ao abandono,
lamúrio de almas transidas ao frio
de Outono...
Pardieiros, ruínas, húmido deserto
de famílias inteiras que foram por esse mundo fora,
espectros de mortos-vivos... sonho encoberto...
e saudade... tanta saudade, que ao passarmos na ponte, 
o rio chora,
por nós que também vamos embora.

publicado por julmar às 22:04
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O tempo na Vila parou porque não há quem dê corda ao tempo

Vai para uns vinte anos que deixei de usar relógio. Não se pense com isso que não cumpri horários. Antes, pelo contrário, sempre fui pontual, num país que anda sempre atrasado, pois indicações horárias é o que não falta  por todo o lado.  Até mesmo na Vila, além do sol, o mostrador do relógio da torre e as badaladas do mesmo me ajudavam a orientar no tempo. 

Ora acontece que desde o dia que cheguei o relógio teima em não sair do ângulo reto com o ponteiro das horas no 3 e o dos minutos no 12. Pode ter parado nas três da manhã ou nas três da tarde. De todo o modo, este fantástico relógio, mesmo parado, duas vezes por dia diz a verdade.

Grave é que não se encontra por aqui quem dê corda ao tempo. E sinto uma espécie de sufoco cada vez que olho aquele relógio parado, um pouco como se a vida tivesse parado ou como se deixasse de fazer sentido. E entristece-me que as pessoas achem normal que o relógio que no seu tic-tac acompanha cada batida do nosso coração esteja assim parado. 

Que falte dinheiro para tudo, mas arranjem quem dê corda ao tempo. 

publicado por julmar às 21:38
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Requiescat in pace, Amélia Lavajo

Conheço a ti Amélia desde que me conheço. Vizinha ao cimo da Praça, ao fundo da Praça ou no Pelourinho, mais do que a saudação havia sempre um pouco de conversa. Aos poucos e pocos, quando olhamos em volta, deixamos de ver o universo formado pelos nosos vizinhos. Com a morte da ti Amélia desaparece a geração das mulheres da Praça, a geração dos nossos pais, e todos nos sentimos mais órfãos. 

Para os familiares, em especial para os filhos, um abraço grande de sentido pesar.

publicado por julmar às 21:11
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