Na sequência do alerta feito neste blog e dos contatos com a Direção RegionalCultural do Centro (DRCC), foi feita uma visita conjunta dos serviços técnicos da DRCC e da Câmara Municipal do Sabugal para avaliar o estado das ruínas da Igreja Românica de Nossa Senhora do Castelo.
Em conversa com o arquiteto Antero Carvalho da DRCC o mesmo me informou que foi tomada a iniciativa de proceder a obras no sentido da sua preservação. Estaremos atentos.

O meu agradecimento ao Dr Leal Freire, cujos conhecimentos no domínio da botelharia me ajudarão no aproveitamento das doze cabaças produzidas de uma só pevide
Há quem chame cabaça a esta espécie de abóbora, genericamente assim designada pelo Santo Espanhol Isudoro de Sevilha que, antes de ser padroeiro particular de toureiros e aficionados, o foi genericamente de todos os homens do campo.
Ao contrário das demais variedades isidorianas, todas elas suculento ingrediente para culinária humana e enriquecimento das viandas para porcos e vacas, esta foi aplicada para recipientes e ornatos.
Até à difusão generalizada dos plásticos, o custo relativamente elevado dos objectos de lata e afins e os riscos do estilhacimento de barros, vidros e vidrados, levavam ao aproveitamento dos mais diversos materiais para o transporte e acondicionamento de líquidos. Das peles de cabra vaziam-se odres. Do estomago dos bovinos, vasos para leite. E dos chifres se grandes, bojo para vinho, e, se pequenos reservas de óleo para afiar as gadanhas, de cortar feno
A botelha ou cabaça usava-se sobretudo para levar vinho cabonde para trabalhos no campo e romarias.
Havia mesmo bebedores especializados, que levavam a boca da anfora botelheira ao alto e sorviam fortes golos ao som do encadeamento de gregórios....
O Chambaril
No dia da matança, a que alguns chamam matação, o cevado pendura-se no chambaril, apenas se lhe retirando uma faixa de soventre, para um ligeiro toca-dentes, depois de frito e temperado a alho e sal. O fígado, para um guisado, prato essencial no grande jantar. E um pedaço da barbela, ao lado do sítio onde se fizera o golpe para a sangria, naco que cozido satisfará os desejados de marrã gorda.
O restante, que é quase tudo, fica pendurado numa loja fresca e resguardada para as carnes enrijecerem e tomarem densidade
Quarenta e oito horas depois, apeia-se e depõe-se num grande tabuleiro o animal.
Um homem experimentado e com facalhão de boa lâmina trata logo de o esquartejar - a cabeça para um lado. As pás, ou seja as duas pernas dianteiras, para outro. Os presuntos para outro ainda. E finalmente, o tronco, rachado a meio pela espinhela
É ainda trabalho para especialista retirar as banhas e extrair-lhes os rins, desenhar os mantarrões de toucinho, aparar pés e presuntos e descascar a cabeça.
Depois, vem o trabalho das mulheres.
Os osssos da cabeça poem-se de lado, para uma excelente caldeirada num dos dias seguintes.
Orelhas, focinho, faceiras e calubas migam-se para um alguidar, já com vinho, colorau, sal e alho moído, onde também se deitarão o rabo e a espinhela
Os lombos e outras fêveras de qualidade, vão para um outro alguidar, igualmente temperado
São ainda precisos mais dois barranhões - um para os bofes, passarinhas e outras fêveras menos nobres. E o outro para as gorduras, a usar na fabricação das farinheiras.
Presuntos, pás e mantas de toucinho vão para as salgadeiras, onde se cobrem de sal grosso.
Até 30 de Novembro o relógio continuava parado. Há quem não se incomode. A mim faz-me diferença de noite e de dia, quando estou na vila e quando lá não estou. Um relógio numa torre não é um relógio qualquer. É o relógio. Esta é uma questão que não podemos pôr ao Presidente da Câmara, nem depende do Governo.
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