Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

Bom ano para os vilarmaiorenses

Com amor, bondade e sinceridade desejo, de todo o coração, a todos os conterrâneos um bom ano 2019

Poema do coração

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então poderia dizer-vos:
“Meus amados irmãos,
falo-vos do coração”,
ou então:
“com o coração nas mãos”.

Mas o meu coração é como o dos compêndios.
Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue ao circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados,
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz dos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então, meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

(António Gedeão)

publicado por julmar às 17:46
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Sábado, 22 de Dezembro de 2018

Ande eu quente, ria-se a gente

Aqui à Vila chegou muito mais do que imaginamos. E estes versos de Luis de Góngora (nascido em Córdoba  - 1561-1627) chegaram aqui. Não me perguntem como, que não sei. Porém, partes dos seus versos eram conhecidas e a alcunha gongoras aqui se aplicava áquele que falava de modo enrolado, artificioso e pesado que , de algum modo,  é o que carateriza o Gongorismo. 

Ande yo caliente,
y ríase la gente.
Traten otros del gobierno
del mundo y sus monarquías,
mientras gobiernan mis días
mantequillas y pan tierno,
y las mañana de invierno
naranjada y aguardiente,
y ríase la gente.

Coma en dorada vajilla
el príncipe mil cuidados
como píldoras dorados,
que yo en mi pobre mesilla
quiero más una morcilla
que en el asador reviente,
y ríase la gente.

Cuando cubra las montañas
de plata y nieve el enero,
tenga yo lleno el brasero
de bellotas y castañas,
y quien las dulces patrañas
del rey que rabió me cuente,
y ríase la gente.

Busque muy en hora buena
el mercader nuevos soles;
yo conchas y caracoles
entre la menuda arena,
escuchando a Filomena
sobre el chopo de la fuente,
y ríase la gente.

Pase a media noche el mar
y arda en amorosa llama
Leandro por ver su dama;
que yo más quiero pasar
de Yepes a Madrigar
la regalada corriente,
y ríase la gente.

Pues Amor es tan cruel,
que de Píramo y su amada
hace tálamo una espada,
do se junten ella y él,
sea mi Tisbe un pastel,
y la espada sea mi diente,
y ríase la gente.


(Luis de Gongora)

publicado por julmar às 19:08
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Retrato demográfico da Vila

HPIM5679.JPG

O espírito preguiçoso, a que o comum das gentes, incluindo os políticos, é muito atreito, fala mais do que o que sabe e na ausência de saber inventa histórias. Agora está na moda falar da interioridade, dos territórios de baixa densidade, de desertificação do interior ... blá,blá, blá.

Se eu ainda fosse professor, diria assim:

Tendo em conta os dados do quadro etário:

a) Identifique o problema desta comunidade

b) Que medidas poderão ser tomadas para a sua resolução. 

Quadro etário da população residente em Vilar Maior, no mês de dezembro de 2018

Total de residentes: 64, distribuídos por cada dez anos:

0-10

10-20

20-30

30-40

40-50

50-60

60-70

70-80

80-90

90-100

3

5

0

4

2

2

16

13

14

5


Há 14 indivíduos viúvos: 3 do sexo masculino e 11 do sexo feminino.

Por sexo: 29 do sexo masculino; 35 do sexo feminino.

Número de casas habitadas: 34

Número de indivíduos por casa

Casas

15

12

5

1

1

Indivíduos

1

2

3

4

6

Média de habitantes por casa: 1,9

 

publicado por julmar às 19:10
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Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Afinal, Vilar Maior entrou na 2ª Guerra Mundial!

DSC_0243.JPG 

DSC_0235.JPG

Com a ajuda do título (exagerado), talvez saiba o que as fotografias representam

 

publicado por julmar às 19:11
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2018

Andar sem sair do sítio

DSC_0207.JPG

No sítio dos Vales

Fascinam-me as rodas (noras), uma engrenagem mecânica que no essencial é constitída por duas rodas dentadas em que o movimento da roda dentada horizontal é transmitido a uma roda vertical que ligada por um veio a uma roda maior, com uma cadeia de copos, faz ascender a água a um nível superior. Na Vila, segundo uma contagem por defeito, serriam cerca de oitenta. Uma invenção de origem árabe, terá chegado à Vila apenas no princípio do século XX e terá transformado a economia local aumentando consideravelmente a área de regadio que até à sua chegada era feito em terras servidas por minas/presas, por açudes do rio ou pela elevação da água através da burra (picota ou cegonha são as designações mais comuns). A roda veio permitir um considerável aumento da produtividade, nomeadamente da cultura da batata cujo escoamento era facilitado pela recente inauguração da linha de comboio da Beira Alta. 

Quem se deve ter desgostado com a roda foi o burro, já que a vaca tinha um passo demasiado lenta e era mal empregada. Assim,  ganhou uma nova valência: tocar a roda. Qual reencarnação de Sísifo, horas seguidas a andar em circulo, sem sair do sítio. Uma coisa de dar em doido, se não fosse o caso de o fazer de olhos vendados.

publicado por julmar às 20:47
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