Sábado, 12 de Março de 2022

Tornar Vilar Maior Uma aldeia cultural - José Ribeiro Leitão

galinha.jpg

O que é que a imagem tem a ver com o assunto? 

As zonas de fronteira foram, são ainda noutras paragens, lugares de guerra. Os castelos, de um lado e outro do rio Coa eram os lugares estratégicos de defesa e de ataque. Há pouco mais de duzentos anos, os nossos tetra e penta avós enfrentavam os exércitos franceses que roubavam e aterrorizavam as populações. Louis Henri Loison (1771-1816) ficou célebre pelas torturas, crueldades e  pilhagens. Tudo ia parar a este general que perdera uma mão durante uma caçada, ia tudo para o Maneta como foi alcunhado. Mas as gentes daqui não lhe tornavam a vida nada fácil.

Nas minhas ociosas pesquisas de documentos de Vilar Maior no século XIX, entre personagens de relevo social, aparece em vários registos o nome de José Ribeiro Leitão (do pai e do filho)

Casado com Isabel China, é um casal de proprietários fiador em quantias avultadas, nomeadamente, ao tesoureiro e subdiretor da alfândega da Vila (1843). Viúvo casou em segundo matrimónio com Maria da Cunha Cardozo. Era escrivão da Câmara Municipal deste concelho em 1843.

O seu pai tinha o mesmo nome, José Ribeiro Leitão e aparece referido nos Anais da Beira Côa (Parte II), de Fernando Larcher :

“25 Jul. Vão 15 franceses a Vilar Maior e tomando armas José Ribeiro Leitão com vários paisanos põem-nos em fuga e perseguem-nos por meia légua 992. (vide 27 Jul. e 3 Ago.)

 E dois dias depois

“27 Jul. Aparecem 25 dragões franceses em Vilar Maior. Resistiu-lhes o povo liderado por José Ribeiro Leitão, matando dois soldados e pondo os outros em fuga. (vide 25 Jul. e remissões aí constantes)”

“3 Ago. Tendo informação de que o inimigo viera a aleias vizinhas de Vilar Maior, partiu daqui José Ribeiro Leitão pelas aldeias de Arifana e Malhada de Açorda , com alguns paisanos. Juntaram-se outros destes lugares para atacar os franceses que eram de infantaria e cavalaria. Estavam alguns a roubar na Quinta do Jardo, que fugiram logo e se foram reunir a outros que estavam pelos moinhos do Coa onde juntavam o que pilhavam. Os portugueses perseguiram-nos até ali e em S. Caetano mataram 25 homens, um dos quais oficial, e tomaram-lhes 6 cavalos, 5 mulas, e armas, deixando um cavalo morto. Tomaram-lhes também muita farinha e vários trastes, como caldeiras, que na sua fugida se viram obrigados a deixar. O resto dos franceses que seriam cento e tantos retiraram-se com a maior precipitação pelos montes 998 .”

Então, conseguiu encontrar resposta à pergunta?

 

publicado por julmar às 21:29
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Quinta-feira, 3 de Março de 2022

Histórias de vida que começam assim

"Bartolomeu deu entrada na roda no primeiro dia abril de 1855 sendo encontrada a porta de Adrião Martins do Seixo do Coa, na madrugada do dia 30 março com um escrito que dizia: 'este menino já está batizado, o seu nome é Bartolomeu, e foi batizado por um sacerdote, aonde quer que fica estamos bem que por tempo será procurado', não traz enxoval algum mais que uns pequenos panos em que vinha envolto e não trazia sinal algum natural"

e para constar o registo eu José Ribeiro Leitão.

O Bartolomeu foi entregue a Isabel Chamusca de Vilar Maior no primeiro de Abril de 1855. Em 1 de Abril de 1861 foi dada baixa.

Talvez esta seja a única memória que fica deste menino.
 
Terminava assim o post que publiquei no blog Badameco em 24/11/2021. ( https://badameco.blogs.sapo.pt/historias-de-vida-que-comecam-assim-327442)
Afinal, vim encontrar o fim da história neste registo de óbito. Por ele ficámos a saber que viveu trinta anos e que exerceu a profissão de alfaiate. E talvez não saibam quão feliz fiquei em reencontrar o Bartholomeu!  

Bartholomeu, exposto e editado.jpg

publicado por julmar às 20:51
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