
Eu que nem 14 anos tinha, filho de lavrador que me ensinou os jeitos, manhas e feitios dos animais, junguia a junta de vacas e lá ia eu pequenote, vaidoso como se já fosse gente, de aguilhada a chamar por elas. O fato é que as vacas não nasceram para trabalhar ( e o homem também não) mas, obrigadas a fazê-lo, têm de ser ensinadas a trabalhas 'à mão direita ou à mão esquerda'. Questões de lateralidade. Ao comprar no mercado uma vaca para emparelhar com outra ao carro ou ao arado, a informação essencial era se era da esquerda ou da direita.
Os que hoje tiverem 60 , 70 ou 80 anos, lembrar-se-ão, como eu, desta lição do livro da 3ª classe. O que me trouxe aqui foi uma leitura sobre a administração e cobrança de impostos no Império Romano em que a Jeira representava uma unidade de medida da quantidade de terra que se conseguia lavrar num dia.



A aguardente que matava o bicho, fosse lá o raio do bicho que fosse, um trago pela manhã a arrancar lágrimas represas; a aguardente cara demais para vidas baratas que nem os próprios queriam; a aguardente onde a mãe embebe uma chupeta de açúcar para pôr termo ao choro sem fim da criança; a aguardente que concorre com a urina do próprio na desinfeção do farracho inesperado; a aguardente que mistura com o mosto para fazer a jeropiga, essa bebida fina bebida em pequenos cálices em dias de nomeada. Essa bebida com que muitos teimavam matar as mágoas tornou-se companheira inseparável que apagou o nome de batismo e lhe granjeou o de Aguardente, o ti Aguardente
Por vezes, tornava-se viciante e base de uma liturgia quotidiana.
A aguardente que o estômago já não suportava, mas que fazia parte do ritual: todos os dias, à mesma hora, encostava o burro, frente ao café, posta a corda no polegar da ferradura, entrava, bebia a copa, saía e, encostado à parede, deitava fora a aguardente que regurgitava, teimando voltar à boca. Pegava no rabeiro do burro, - anda lá, vamos! E iam os dois até às Morenas, confinadas entre o Pereiro e o Porto Sabugal.
A falta de espetáculo, de divertimento levava a rapaziada a angariar artistas a troco de uns copos. Sabido, o ponto fraco do ti Aguardente e o Parrado lança-lhe um desafio: - A malta paga-te um litro de aguardente, mas tens que a beber toda de seguida. Ora, o pobre homem não exitou um momento. Venha ela! E foi, mesmo, toda, de uma só vez.
O espetáculo durou pouco. Mal acabou, caiu redondo no chão. A malta começou a ficar aflita que o homem não tugia nem mugia. Pegaram numa padiola levaram-no a casa e meteram-no na cama. No dia seguinte, continuava igual e a malta começou a ficar aflita e a aventar sobre a responsabilidade que teriam no caso. Ao terceiro dia, começou a dar sinais de vida. Não se lembrava de nada, retomou a rédea do burro, passou pelo café e foi até às Morenas.
Atrás da parede do cemitério virada a norte, encontra-se uma pequena colina cujo cume foi aproveitado para a instalação de três cruzes, aquando da representação da Paixão destinada à cena final em que Jesus é crucificado entre os dois ladrões. Trata- se de um local rochoso de onde saíram rochas transformadas em blocos para a edificação das muralhas e/ou da torre de menagem. O local onde foi erigido o atual cemitério junto da igreja em ruínas da Senhora do Castelo (de cujo corpo se usaram as pedras já talhadas para a edificação do cemitério) seria um lugar relativamente plano, quem sabe se um largo em tempos idos onde se realizasse uma feira que como sede de concelho é mais que provável.
Aí se encontram esculpidas na rocha as obras que as imagens retratam

(Imagem 1)
2.Do lado direito (quando virados para a torre de menagem), a menos de um metro sobre a mesma rocha, encontra-se uma outra obra que é, geometricamente, um arco de circunferência com 105 com raio de 100. Junto ao vértice do arco encontra-se uma concavidade circular semelhante aos gonzos de porta, que serviria para rolar um eixo. Ao lado deste, uma incisão reta de 15 de comprimento e 2 de largo. Do mesmo lado, no vértice do arco, tem igual incisão com iguais medidas. Tem a mesma inclinação que a lagareta descrita em 1.

3. A uns quinze metros destas, andando no sentido do castelo, encontra-se incisa numa rocha uma pequena pia quadrangular (cerca de 30 de lado) com uma profundidade de cerca de 10(medidas a confirmar).
(todas as medidas referidas são em centímetros)
Quase sempre, dada a minha falta de formação nestas áreas, tenho muito mais dúvidas do que certezas. Que são resultado de obra humana e não fatores da natureza, não há dúvida e que, portanto, ali estão materializadas, intenções, necessidades, desejos, saberes e tenologia. Que tais obras se enquadram num ecossistema de gente sedentária que por ali viveu em comunidade, não há dúvida.
Quanto à imagem 1, quadrangular tratar-se-á de uma pequena lagareta e serviria para pisar uvas, fazer vinho. Coloca-se o problema sobre onde armazenavam o vinho e como é que (ou onde) o fermentavam.
Quanto à imagem 2 – Não consigo colocar hipótese, dado sugerir haver um mecanismo qualquer que ali trabalhava. (Tratamento de peles?!)
Quanto a o pequeno recipiente 3 – Poderia tratar-se de uma medida de capacidade para cereais e outras granívoras.
Devemos ter em conta que o ecossistema natural em que se encontram se não mudou na sua morfologia, mudou muito em termos de fauna, de flora e de recursos hídricos. As encostas do castelo já foram lugares produtivos onde ainda na primeira metade do século XX se cultivava a vinha e que depois da filoxera os proprietários se queixavam depois de terem sido obrigados a arrancar as videiras continuarem a pagar a décima muito elevada. Constava que o melhor vinho provinha da encosta sul e oeste. Nestes terrenos feitos de socalcos desde o sopé até ao cume, quase todos cavados à enxada proliferavam cerejeiras, figueiras, marmeleiros, amendoeiras e nogueiras que produziam em abundância. Também havia recursos hídricos (minas, poços e nascentes) O último poço próximo (40 metros) das imagens de que nos trouxeram a este texto foi soterrado em 2007 quando fizeram o calcetamento da rua que conduz ao parque do castelo.

Mais um conterrâneo, amigo da Vila e nos visitava no Verão que nos deixa.
O funeral realiza-se em 10 de Abril, às 16h, no Centro Funerário de Barcarena. Para a família as nossas condolências.

A história poderia ter sido assim: Duarte D'Armas por incumbência do rei veio a Vilar Maior desenhar a fortaleza. Esta é a parte fatual. Duarte D'Armas convida Camões a acompanhá-lo e chegados que foram aqui com tão bom recebimento, comendo bem e bebendo melhor, por cá se demoraram, Duarte a desenhar e Luís, deslumbrado com os verdes campo e a esbelta Leonor, a fazer poesia. Esta é a parte do que poderia ter sido. Mais tarde Zeca Afonso, lendo este poema, tão belo o achou que, vibrando as cordas da viola, o cantou.
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões

António José Seixas Badana (1953-2024)
Tocaram a sinal os sinos da Vila pelo falecimento deste nosso conterrâneo, emigrante em França desde a infância mas que todos os anos, enquanto a doença não bateu à porta, vinha a Vila matar saudades e cuidar dos haveres. O António era filho de Joaquim Manuel Badana e de Maria dos Santos Dias Seixas, nascido em 1953. Encontrava-se doente em França, tendo falecido dia 4. O funeral será no dia 9, em Vilar Maior, pelas 16,30. Do António guardo o modo reservado e discreto, amável, comunicativo e generoso.
As minhas condolências à família e, de modo especial, ao filho.
. Requiescat in pace, Agost...
. Gente da minha terra - An...
. Requiescat in pace, Beatr...
. Requiescat in pace, Lurde...
. Vilar Maior em meados do ...
. badameco
. badameco
. o encanto da filosofia
. Blogs da raia
. Tinkaboutdoit
. Navalha
. Navalha
. Badamalos - http://badamalos.blogs.sapo.pt/
. participe, leia, divulgue, opine