
(Fotografia de Carlos Gata)
Mudam-se os tempos, muda-se a paisagem. Os que nasceram no século XXI, nunca viram nada assim. A fotografia será da década de 80. Com a emigração iniciada no início dos anos 60, a economia tradicional baseada na pastorícia e no amanho da terra com o arado, a charrua e a enxada foi sendo abandonada. Primeiro abandonou-se a cultura do centeio, depois deu-se o abandono das vinhas (com a ajuda da CEE que subsidiava o arranque das mesmas), depois as veigas onde se cultivava a batata, o milho, o feijão e o linho até ficarem apenas as Hortas da Ribeira onde uma grande parte das famílias tinha uma pequena leira onde cultivava legumes e hortaliças ( alfácias, couves, tomatas, pimentos, pepinos, melões, etc). Os quintais do Cimo da Vila, terra secadal, onde não entrava o arado, era, cultivados com batata - que era arrancada mais cedo, quando a tulha já tinha terminado - , com couve galega que, na ausência de outra hortaliça, era o que compunha a panela do caldo, com gravanços e uns pés de cardo para coalhar o leite. Tudo foi terminando à medida que se instalavam os "Intermarchés", superfícies comerciais onde, a troco de dinheiro se tinha tudo, de pior qualidade.
A fotografia, em vésperas de primavera, mostra-nos quintais já semeados, algumas hortas já preparadas para a sementeiras, um rio limpo com o azul do céu refletido, um pomar bem alinhado, casas inteiras com telhado.
Falta a fotografia atual para ver o contraste, esperando por fevereiro para a editar neste post.
E, enfim, agradecer aos últimos resistentes que nos últimos anos lutaram para que a paisagem se aproximasse do que havia sido - José Viana, António Seixas, José da Cruz, Fernando Cerdeira, Adriano Seixas, João Marques e, no presente, António Cunha, Carlos Martins e, se tivesse de haver um prémio iria para António Robalo e Manuela Prata. As desculpas a alguém de que me tenha esquecido.
Desta vez fui bem enganado. Eu que tenho um blog que alguém, com alguma razão, apelidou de obituário, encomendei o presente livro por pensar que o autor trataria, a sério ou a brincar, da perpetuação do legado dos defuntos. Porque na minha aldeia todas as pessoas são importantes e todas têm uma história que mereceria ser contada, sempre que os sinos tocam a sinal para anunciar (onde o som dos sinos chega) a morte de um conterrâneo, eu no blog faço chegar a notícia até aos confins da terra. Primeiro era o sacristão (o ti Junça, o Daniel, o Alexandre e, por fim, o Chico), agora, que não há sacristão, é um mecanismo elétrico que coloca os sinos a badalar ou mais exatamente a martelar. Não é a mesma coisa. Também eu um dia morrerei e ninguém mais saberá quem morreu, nem escreverá as breves linhas deo epitáfio do 'requiescat in pace'. Até já me passou pela cabeça escrever o epitáfio de todos os velhos da aldeia, incluindo o meu, e deixar encarregado alguém que na hora carregasse no botão: publicar. Dizem os entendidos que uma das primeiras manisfestações ou expressões de humanidade tem a ver com o culto dos mortos provado ao longo da história quer por monumentos gigantescos como as Pirâmides dos egípcios, pela diversidade de artísticos túmulos e de panteões, aos túmulos escavados nas rochas ou ás campas rasas do cemitério da minha aldeia. Pois, o meu blog é, assim, uma espécie de necrópole onde poderão ver a fotografia do ente querido e umas breves palavras que espelham o melhor da sua viagem terrena. Talvez, com o passar dos anos seja quanto fica, não lavrado em pedra mas numa matéria imaterial, perdoe-se o paradoxo. Concluindo, acho, pois, que é um trabalho valioso. Preservar a memória dos mortos. Com a vantagem de que nenhum deles reclamará.
Mas, afinal, por que fui bem enganado?
Porque, esperava uma coisa e saiu-me outra que está completamente dentro dos meus interesses: Andar. E li com gosto a descrição da viagem que o personagem principal faz : O Caminho de Santiago que sempre quis fazer, não fiz e agora não sei se ainda me atrevo.
Como ensinamento devemos saber que no caminho de Santiago ou no caminho da vida todos transportamos uma mochila. Devemos saber o que transportar nela e o peso que carregamos. Saber o que é necessário, deitar a tralha fora.
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