Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

A nossa pobre e desequilibrada balança de pagamentos -Dr Leal Freire

3- Alhos valencianos

 

Possivelmente pelo sangue israelita que me circula nas veias e a que já fiz  delongada referência  em anterior croniqueta  tenho um apego porventura excessivo à Terra  Patrum, que  os nossos vizinhos espanhóis  chamam  Patria Chica e os meus patrícios  da Raia Sabugalense  apelidam de Santa Terrinha.

Assim, parafraseando a despedida até para o ano em Jerusalém, eu costumo dizer  então até à próxima no Carril ou mais funebremente até ao Vale de Josafá, onde  nascidos e nascituros  nos havemos de concentrar todos ao som da trombeta  e do grito Surgite Mortui et venite ad judiium.

Pois numa das minhas últimas escapadelas pelo Carril e adjacências dei com uma Camioneta que me perseguiu desde Puebla de Azaba, passando por Albergeia, Aldeia da Ponte, Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Bismula, anunciando alhos de Valência, província espanhola  de que nos meus verdes anos vinham para a Raia, melocotones, pimientos  grasos e naranjas rojas.

Mas alhos não, que os portugueses tinham, desde as eras afonsinas, tal fragrância que os  nossos monarcas  os preferiam à pimenta, cravinho, gengibre e demais especiarias. E que também ao longo dos séculos os nossos avoengos sempre cultivaram amorosa e sabiamente.

O chão era enriquecido a cinza, certamente que para proteger os dentes plantados das agruras do inverno.

Escolhia-se recanto abrigado. E a operação tinha datas. Quem quiser um bom alhal, plante-o pelo natal. Os retardatários sofriam natural punição

Pelo entrudo, alho porrudo, só cabeça sem dentes e a suscitar desperdícios. Pior ainda para os mais atrasados. Plantados pela Páscoa, alhos de casca.

A cozinha e os enchidos requeriam dos bons, de dentes e carnudos. O vinhadalhos e os escabeches eram exigentes. Para untar o pão, havia um expontâneo – o raposinhão, inigualável em sabor e odor. Mas era raquítico.

Estes, apregoados como valencianos  mas vindos não sei de onde, estavam já encanecidos. Possivelmdente seriam restos do GILDO ou de outros almacenes que os não despacharam a tempo. Na minha meninice, os homens ricos da Raia davam a pele pelas trines, consuelos e pilares.

Agora contentamo-nos com as cascas de alho, que a parte aproveitável do dente já se sumira.

 

publicado por julmar às 18:37
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