Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Fotos cedidas por Virgílio Valente
Mais uma vez o apelo a todos, especialmente aos vilarmaiorenses, a que colaborem neste blog com textos, testemunhos, fotografias e obrigado ao Virgílio Valente pela colaboração.
De Carlos Martins a 13 de Janeiro de 2012 às 20:02
Estas fotografias fizeram-me vir à memória a grande tragédia que assolou a nossa terra. Parece que ainda sinto o cheiro da pólvora no ar, os gritos das pessoas, a azáfama em acudir aos feridos. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Tenho a recordação dos pedaços dos corpos no chão e nos telhados, as pessoas a pedir lençóis para tapar/recolher os pedaços que iam sendo encontrados. Recordo-me ainda da missa do funeral, os caixões perfilados junto do altar e o sangue a correr pelo chão da Igreja. Só de pensar que por breves instantes não fiquei também lá!!! Até me arrepio. Tinha acabado de subir as escadas do balcão de casa de minha avó e entrado na cozinha quando se ouviu o forte estrondo. Então vim para o exterior e ainda tenho a imagem de uma paisagem cinzenta colorida com os pedaços de telhas. Enfim momentos que marcam uma vida.
De Carlos Maraques a 14 de Janeiro de 2012 às 18:55
Estava lá e após o rebentamento corri de imediato para o local do acidente, onde terei sido das primeiras pessoas a chegar. O que vi no percurso entre a casa dos meus pais e a Igreja da Misericórdia , bem como nos arredores desta, é algo indescritível . Ajudei a tirar um jovem debaixo dos escombros ainda com vida, o qual, não tendo resistindo aos ferimentos, veio a falecer, infelizmente, dias mais tarde no Hospital de Coimbra. Um dia muito triste que me marcou de tal forma, que ainda hoje recordo certos factos, como se tivessem acontecido ontem.
De Pepina a 16 de Janeiro de 2012 às 17:17
Era eu uma criança com 8 anos quando tudo se passou…Ainda hoje me lembra do foguete que foi lançado e eu segui com os olhos, o seu caminho até à Misericórdia. Provavelmente fui das poucas pessoas que viu o início. Estavam as mordomas e a banda a passar em frente da casa da Ti Dulce e eu no terraço em frente. Depois foram os estrondos ensurdecedores a que se seguiu o pânico, eram gritos por todo o lado e toda a gente corria de um lado para o outro à procura dos seus familiares. Coitada da Ti Dulce que tentou segurar-me, eu gritava pela minha mãe, para fugir mordi-lhe o braço…
Corri para a Rua de Cima, mas em frente a Misericórdia era um monte de pedras e pedaços de pessoas….
Fui para a casa da minha avó e!!!!, os tectos de estuque tinham caído e as janelas que davam para a Rua Debaixo tinham desaparecido….
A minha mãe com o meu irmão ao colo tirava as roupas das camas e mandava-as pelas janelas (para tapar os mortos).
O meu pai vinha ao alto de Badamalos e sentiu o estrondo, mais pedalou em direcção à Vila pensando que ia encontrar a família morta. Felizmente da família directa ninguém morreu, mas um primo dos meus avós entrou na loja das vacas para os cumprimentar e sobreviveu, o filho ficou na rua e perdeu a vida (tantas vezes o meu avó contou este episódio…).
Ainda hoje o barulho das ambulâncias (que eu nunca tinha visto antes!) me estremece e o cheiro a pólvora está presente.
Quando hoje ouço falar de acompanhamento psicológico em situações de crise me pergunto: como não fiquei com traumas? Felizmente fiz-me adulta e sem problemas, mas provavelmente diferente…
Mas a Vila não mais voltou a ser igual e as festas perderam muito brilho e encanto (pelo menos para mim).
De
da cruz a 22 de Janeiro de 2012 às 19:44
so filla doma pesoa que moreio pose tere o noumero das 2 pesoas que fizero o comentera
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