Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Os dois mais famosos cultores do improviso por terras de Riba Coa - Dr Leal Freire

Nasceram em Vilar Maior, mas casaram e morreram na Bismula, onde se encontram sepultados e onde residem ainda seus descendentes em primeiro grau, dois irmão, cujos improvisos, acompanhando à concertina o fado menor, se tornaram famosos em toda aquela corda de povos que vai, de norte a  sul, de  Poço Velho  aos  Foios, e de levante ao ocaso, das Batocas ao Terreiro das   Bruxas.

Refiro-me, escalando-os  por ordem de idade, a José Bárbara Leitão e Joaquim Bárbara Leitão, conhecidos depois do casamento, respectivamente por Zé da Rita  e  Joaquim da Prazeres

Físicamente eram de estatura muito acima da média, a tenderem para o agigantado.

Para além de agricultarem os seus próprios agros, dedicaram-se também a pequenos negócios, o que os tornava mais assíduos em feiras e arraiais do que a generalidade dos seus coevos.

Senhores de vozes agradavelmente sonoras, dominavam bem as regras da quadração e as técnicas gerais da versificação em redondilha menor.

Mais de autiva que de leitura, conheciam os passos essenciais das Sagradas Escrituras, da História Pátria, da Europeia, da Mundial, até...

Tinham, assim, matéria para verbalmente se digladiarem horas a fio, despertando a curiosidade e mantendo o interesse de auditórios que iam engrossando à medida que a disputa ia subindo de tom.

Pergunta requer pergunta

Agora pergunto eu....

 

Primeiro haviam sido os cumprimentos.

 

Deus te salve, cantador

Deus te cubra de benção

Mais a todas as pessoas

Que neste lugar estão

E a tudo quanto pertence

a  humana geração....

 

Com a resposta

 

Deus te salve a ti e a mim

Mais ao povo aqui presente

 

Depois, o despique

 

Hei-de te fazer andar

Como a roda de um sarilho

 

Para de seguida ouvir

 

Tu não te exaltes comigo

Que uma lição não ma dás

Mas inda que tu ma desses

Sempre eras um bom rapaz

 

As ameças subiam de tom

 

Se és galo arrebita a crista

Se és frango larga a pesnuge

Se vens despicar comigo

Calça os tamancos e fuge

.

Vai haver tiros, temiam uns

No menos, naifa ou estadulhada, opinava-se

 

Mas vinha o abraço precedido da declaracão

Cantador és meu irmão

Não só de Eva mais de Adão

Como aquele que ali vai

Mas sim de mãe mais de pai...

publicado por julmar às 17:48
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1 comentário:
De Aradas a 27 de Janeiro de 2012 às 16:15
Já lá irá meio século, mas não me esqueci. Numa noite, em vésperas de festa do Senhor dos Aflitos em Vilar Maior, na taberna de Aníbal Gata os dois irmãos a cantarem à desgarrada, desfiando o rosário sobre a vida de Cristo. E eu, rapazito que era, como fiquei impressionado com tanto saber cor e salteado! É que eles passaram ali horas, no toma lá e dá cá a deixa. Outros tempos.


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