Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Sempre aprender com Dr Leal Freire

Nominum Ratio

O título nomes das coisas sugeriu-me uma pequena abordagem do tema, fazendo uma abreviada peregrinação pelas regras da evolução, tanto filológica como semântica das palavras

Já não há papel na Guarda

Nem tinta pelos conventos

Nem aves que criem penas

Para escrever sentimentos

Precedendo de milhões de milénios os aparos e canetas, mesmo os mais rudimentares  que eu e os meus coevos ainda usámos na escola, eram as penas de ave que exerciam aquela função, com elas rabiscavam os letrados as sentenças  que remetiam  para o pelourinho, a cadeia  ou, in extremis, a forca, aqueles que julgavam.

A pena ditava o castigo que tinha de se cumprir e como esse cumprimento implicava dor, tudo o que desgostasse passou a ser pena.

Com pena pego na pena

Com pena de te escrever

Com pena eu te escrevo

Com pena de te não ver

ou

Para marcar o desgosto da separação

O papel em que te escrevo

Sai-me da palma da mão

A tinta sai-me dos olhos

A pena do coração

 

Mas não eram só as aves que forneciam aos nossos antepassados instrumentos  para a escrita.

Os caules de pequenas dimensões, nomeadamente os do trigo e centeio, também se usaram e, com eles, os escribas ao serviço dos governantes escreviam as determinações destes.

Determinações que, por saírem dos calamos, se chamavam calamidades e que, por, normalmente, serem más para o povo, se confundiam com desgraça.

Mas uma calamidade, entendida a palavra na sua pureza original, é pura e simplesmente um decreto.

A palavra ladrão, hoje vituperada, significava antigamente um cargo da mais alta importância.

Laterão – do latim lateronem – era o governante sentado à direita do monarca e em quem este delegava para a resolução das grandes questões.

O laterão era, pois, o chefe do governo, o primeiro ministro, em linguagem actual.

Os abusos do poder foram minando o conceito

Inversamente, o ministro, antigo moço de recados, nobilitou-se

Como os homens, habent sua fata verba

publicado por julmar às 22:34
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