Os do meu ano foram os primeiros a ir fazer o exame da 4ª classe a Alfaiates. Ainda me lembro da minha mãe a regatear o preço do meu primeiro fato (de Santix) que, à altura, foi uma pequena fortuna: 140$00. Ainda sei qual foi o texto da oral de Português que terminou com a resposta acertada da análise morfológica de um "que" relativo. Pura sorte porque só bem mais tarde soube distinguir, com segurança, as orações relativas das integrantes. Exame impecável, não fora a nódoa de uma pergunta de catequese a que não soube responder.
Antes de mim o exame era feito no Sabugal com direito a dormirem por lá que não era coisa de se fazer num dia.
Então, lá se faziam os preparativos que incluíam, para além das fatiotas dos examinandos, as merendas para viagem e estadia, mais o aparelhamentos dos burros com os arreios de dias festivos, mais as mães acompanhantes, mais os almocreves que os conduziam à carreira. E foi como almocreve que eu fui nessa comitiva levar o meu irmão Carlos até ao Seixo do Coa onde se aguardou a carreira à sombra de um frondoso carvalho. Por vezes, ficavam para a posteridade frases ditas. Desta vez, foi a frase da senhora Quinha Gata, depois do filho ter feito exame:
-Alberto, agora sempre em frente.
Lembrei-me do dito, outro dia, quando deambulando pelo cemitério deparei com a sepultura do Alberto.
Paz à sua alma.