Domingo, 16 de Dezembro de 2012
Circula entre nós um velho prolóquio, segundo o qual TUDO SE QUER A SEU TEMPO E OS NABOS NO ADVENTO
O adágio válido como tudo o que se consigna na sabedoria popular, que tem a marca duma multimilenária aprendizagem, leva-nos logo a uma primeira indagação, qual seja a de definir o tempo do Advento
Esta palavra nasce do adjectivo verbal do verbo latino advenire, sendo pois advento o que está para vir.
E que para nós, cristãos, ressalta essencialmente a vinda ao Mundo de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, para o calendário litúrgico, as semanas que precedem o Natal.
Estas é que são, pois, o tempo do Advento, durante o qual os nabos adquirem as excelências do paladar e o máximo da sua força nutritiva.
Recorde-se que aquele produto, antes da divulgação da batata detinha enorme importãncia na alimentação humana, sendo reservado às suas cabeças, o papel que a partir do século dezanove se transferiu para a batata, até então práticamente desconhecida na Europa, onde se usava apenas como uma planta ornamental--aliás produtora de lindíssimas flores.
Não sei se os leitores já alguma vez se deliciaram apreciando um batatal em floração, nomeadamente das conhecidas por especiais da rosa branca.
Obviamente que, hoje, os critérios da selecção do tubérculo são outros, fixando-se nos níveis de produção e nas diferentes aptidões para a culinária.
Por consequência, as opções já se não movem ao ritmo da beleza,mas da utilidade.
Quanto aos nabos, nos meios rurais o seu uso quase se restringe à alimentação de gados - cozidos em suculentas viandas para porcos.
Crus os escaldados para vacas
Na culinária urbana, reveste-se já o seu uso de foros de especialidade, nas sopas, nos cozidos, no esparregado
E tanto aqui em Portugal, como por toda essa Europa em fora, particularmente na vizinha Espanha, florescem as confrariss dos nabos, com pratos de excelência.
Levados pelo mimetismo do exemplo, tambem nós os rústicos nos vamos deixando seduzir pelos sabores, repudiando o dito macarrónico AMEN, AMEN, DICO BOBIS, CALDO DE NABOS NUNCA O PROVES