O dicionário “Expressões Populares Portuguesas” de Guilherme Augusto Simões contém 376 expressões a começar por andar e a terminar em andar um a mais( quando há mau cheiro causado por ventosidade anal sem ruído), estando longe de esgotar todas as formas. A expressão referida só é quantitativamente ultrapassada pelas expressões começada por estar que conta 404 formas.
A expressão andar é conforme a forma de ser do povo português que sendo um país de tão poucas gentes e de tão escasso espaço se disseminou ao longo dos séculos pelos cinco continentes de onde lhe adveio uma experiência inigualável na dimensão viandante. É um povo de andanças: nunca se sente bem onde está e daí andar de aqui para ali e de além para acolá. Está mal muda-se e depois lastima-se por ter mudado. Este o seu fado que se traduz no indefinível sentimento que dá pelo nome de saudade.
O povo português anda, desigualmente, de todas as maneiras: de cavalo para burro, de cu tremido, com o cu às fugas, às sopas, às cegas, às escuras, às aranhas, a reboque, ao sabor do vento, ao deus dará, à nora, à mama, a dormir na forma, à vela, de burros, de mal a pior, de orelha murcha, de peito feito, de proa levantada, de queixo caído, de cabeça no ar, de rastos, de tanga, em dia, em maré alta, na berra, nas nuvens, no mundo por ver andar os outros, pelas ruas da amargura.
Desde o andar tradutor das leis gerais de toda a humana natura ao andar que reflecte o caldeamento de povos e culturas que por aqui deixaram rasto: gregos, romanos, bárbaros diversos, judeus, moiros, galegos, franceses, ingleses, castelhanos muitas variações destes todos e de muita outra inominada gente. Algumas dessas expressões dão conta de acontecimentos históricos. Tal é o caso da expressão “andar com o credo na boca”. Corriam difíceis os tempos para os judeus na Península Ibérica. Era um povo culto e instruído dado mais ao comércio do que a actividades extractivas ou transformadoras. Nunca os cristãos lhe perdoaram o terem matado Cristo nem, sobretudo, verem-nos prosperar de forma rápida e fácil. Durante muito tempo não entendia porque quando se queria insultar alguém nesta terra se lhe chamava judeu, e marrano (= judeu). Muitas vezes, da situação que deu origem a uma forma de dizer só esta fica. Aqui, onde pelo século XVI terá havido uma forte comunidade judaica, permaneceram modos de dizer que passaram a ser extensivos a outras etnias e outras situações. São infinitas as formas de andar e inúmeros os sítios por onde ele se faz: carreiro, carreira , carril, veredas e caminhos (os do senhor, os da perdição, os de cabras ...) as varedas, os atalhos, as calçadas, os becos, as rodeiras.
O andar se faz por vias (viagem, viajante, viandante, via sacra, viático. Muitas vezes sai dos eixos e desvia-se, transvia-se, avia-se, envia-se).
O leitor entenda tudo isto de modo sério ou trivial, como lhe aprouver que uma e outra fazem parte do viver. Com efeito, eram três as ruas ou vias (tri-via) que ao foro romano iam dar e nas quais os senadores enquanto não entravam para tratar dos assuntos do império iam falando de questões de lana caprina. Das múltiplas maneiras que há de andar em Portugal, aqui, neste lugar de Vilar Maior, se pode: (a continuar)
In, Memórias de Vilar Maior, minha Terra, minha gente - Júlio Marques
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