A casa que meu pai mandou alindar e se situa na freguesia da Bismula, junto ao largo do mercado das gentes, ostenta na fachada um belo reboco, que, mau grado os seus setenta e cinco anos, ainda hoje impressiona, quer pela forma, quer pelo colorido. Trata-se de uma sucessão de pequeníssimos cones que preenchem todo o espaço.
Suponho eu, alheio às técnicas e materiais da construção civil, que terá sido utilizada argamassa embebida em qualquer tinta ou verniz cor de rosa palodo.
O efeito agradabilíssimo para os olhos teve ainda a virtude de resistir ao tempo - os já invocados três séculos de duração - e às asperezas e oscilações climáticas que vão dos quarenta graus de Agosto aos dez negativos das noites do advento ou dos reis.
Pois foi tudo obra de Mestre SEIXAS que eu conheci nos meus verdes anos e deixou, pelo menos, dois filhos.
António que lhe seguiu a arte e graças a Deus nela prosperou e vive ainda e César, infelizmente já no Além, que seguiu outro caminho profissional, pois tendo sido marçano até à incorporação militar, se alistou na guarda fiscal onde fez carreira e era muito querido e respeitado.
Com ambos fiz laços de perene amizade e com o César privei longos anos pandegando juntos no grande Porto, nomeadamente na Casa da Beira Alta e em riquíssimos banquetes com quadros superiores da Guarda Fiscal e Delegações Aduaneiras, despachantes e grandes importadores.
Devotados amadores da Santa Terrinha, Vilar Maior, Bismula, Todo o Carril dos dois lados da Fronteira, centenas de vezes viemos juntos do Porto para a Raia, trazendo connosco companheiros de farra para matanças, jantares de bucho, cabritadas e arrozadas de lebre...Mas voltando ao talento do MESTRE SEIXAS PAI, recordo-me de o ver em obras de Aldeia da Ponte - restauro do Posto Fiscal, de parte do velho convento, Claretianos, das residências de quatro grandes lavradores locais, Doutor Camejo, Professor Arnaldo Manso, Francisco Chorão e António Barreto.
Trabalhou igualmente nas Termas do Cró - balneários e casas de hóspedes.
E na estação da Cerdeira, ao tempo de reconhecida importância como porta e pulmão de uma vasta zona que ia da Raia Sabugalense às Abas do Jarmelo.
Como na Ruvina, em instituições de benemerência e casas de recepção a altos dignitários da Igreja
A fama dos Seixas, os filhos de muito novos coadjuvavam o pai e com ele aprendiam os segredos e as técnicas do ofício, chegou ao limite sul do concelho.
Levando-os trabalhar na freguesia do Casteleiro, nomeadamente na Quinta de Santo Amaro, na Vila Mimosa e no solar dos Rosas
Aliás transcendeu-o mesmo, pois andaram por Pega, já do município da Guarda, sendo numa povoação das cercanias desta terra de sapateiros, padeiros, laneiros e manteiros, se me não engano em Monte Brás que o CESAR trocou a espátula e o pincel pelo metro do chitolenço
Enfim, o talento dos SEIXAS DA VILA está bem documentado algures e nenhures, ou seja na Raia e para além dela
As nossas homenagens, pois...
. Requiescat in Pace, Aníba...
. Requiescat in pace, José ...
. Soldados de Vilar Maior n...
. Requiescat in pace, Antón...
. Bom ano para os vilarmaio...
. Ande eu quente, ria-se a ...
. Retrato demográfico da Vi...
. badameco
. badameco
. o encanto da filosofia
. Blogs da raia
. Tinkaboutdoit
. Navalha
. Navalha
. Badamalos - http://badamalos.blogs.sapo.pt/
. participe, leia, divulgue, opine