Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Monte do Arreçaio

Não tenho certeza que seja esta a escrita correcta deste lugar (Arsaio, Arçaio ?), deste monte que em acentuado declive de rochas graníticas ( os nossos barrocos) se ergue das Hortas da Ribeira à planura das Moitas e as sutem. Mas na penúria de terra, ergueram-se cômoros aqui e ali, cercados por muros de pedra miúda e lá se foi encontrando chão que pudesse ser agricultado à enxada para cultivo de cereal, de gravanço (o grabanzo castelhano) ou de batatas secadais. Da forca se chamaram estes Chães (o computador está-me a pôr a maior parte das palavras a vermelho. Eu sei que o plural de chão é chãos, mas foi assim que sempre ouvi dizer e não emendo). Lá no ponto mais alto, ao lado da cruz, ainda se encontra um resto de muro em pedras na forma de quadrado onde se erguia a forca. Esta está bem patente no desenho de Duarte D’Armas, desenhador do rei D. Manuel, o rei que atribuiu foral novo a Vilar Maior. Os criminosos, depois de expostos à vergonha pública, amarrados ao Pelourinho, eram levados e enforcados ali. Agora sem vergonha do próprio, era visto ao longe por todos, para que servisse de exemplo. Penso que o nome do monte Arreçaio faz todo o sentido ter a sua origem no termo receio.

A cruz é o testemunho da passagem pela freguesia do padre Narciso. De cimento armado, foi executada por Adriano Seixas (alguém me emende se erro) e foi inaugurada por volta de 1957( se a data não for esta é possível confirmá-la no local). Participei no evento.

publicado por julmar às 19:55
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11 comentários:
De Manuel Maria a 28 de Janeiro de 2008 às 10:41
Nunca tinha associado o nome à forca. Bem vistas as coisas... és capaz de ter razão: Arsaio vem de Arreceio.


De Jarmeleiro a 28 de Janeiro de 2008 às 20:06
Ná . Esse nome Monte do Arreçaio não me soa nada bem. E em Vilar Maior os montes chamam-se cabessos e por isso eu digo que o nome do lugar é cabesso da forca ou então châes da forca. E até porque o arressaio é aquela parte entre a estrada e a ribeira. Por isso é que se dis, eirinha do arreçaio.


De julmar a 28 de Janeiro de 2008 às 21:42
Quanto aos cabeços concordo inteiramente com o Jarmeleiro. Na vila há cabeços e não montes. Mas quanto ao Arsaio ( ou qulquer escrita semalhante), porque sei que todas as palavras têm uma origem e uma história, se não for a que eu conto qual será? Se me derem uma razão melhor eu rendo-me inteiramente. Ou seja, o medo o receio (ou o arceio, de acordo com a forma própria do nosso povo)que a forca provocava terá originado o nome do lugar ou topónimo.


De Ribacôa a 30 de Janeiro de 2008 às 00:37
Julgo não errar se disser que os Chães da forca constituíram (talvez desde tempos imemoriais), um dos raríssimos casos de propriedade comunitária em Vilar Maior. Uma espécie de baldio onde qualquer um podia pastorear os seus rebanhos e fazê-lo em qualquer altura do ano. Sei que não raras vezes ali se juntavam três ou quatro piaras de gado (ovelhas), mormente nas manhãs dos dias de Inverno, única estação do ano em que os mesmos dormiam nas cortes (lojas), resguardando-se dos seus rigores. Contudo, tamanha procura nada tinha a ver com a qualidade da pastagem, bem pelo contrário, já que raramente ali despontava um fio de erva ou mesmo uma rama de giesta e de um braceijo nem falar. Um contra-senso dirão; Mas não. O intuito de por ali fazer passar os rebanhos, tinha a ver com o facto destes, após uma longa noite encerrados numa corte e a palha de centeio para lhes fazer a cama muitas vezes escassear. Assim, urgia levá-los à pastagem mais próxima para ( no dizer dos pastores) limparem as patas, antes de seguirem para as veradeiras pastagens. Outro regime algo peculiar de pastagem era o das moitas, onde o rebanho de cada um podia pastar nas propriedades (rasas) de todos sem nada pagar.Porém, esse tipo de pastorícia só podia vigorar entre a última ceifa e a sementeira seguinte. Posto isto e lançando mais uma olhadela à fotografia dos Chães da Forca, entendo na perfeição o porquê da quase enexistência de fogos florestais naquela altura e de bombeiros nunca tinha ouvido falar.


De Katekero a 30 de Janeiro de 2008 às 00:55
À data não se poderia falar da moda do cimento no seu verdadeiro esplendor mas... Para lá caminhávamos . Desconheço se a cruz tem alguma relação com os que ali foram executados. Seja como for , uma cruz daquela envergadura feita em granito, num local privilegiado e numa terra em que ele tal rocha abunda como em poucas, seria de elementar justiça.


De Manuel Maria a 31 de Janeiro de 2008 às 15:38
A Origem da cruz é bem simples:
O Bispo quis transferir o Padre Narciso. Mas com Vilar Maior ainda era naquele tempo uma terra agrícula, cuja côngroa ainda enchia a tulha do padre, mais do que a de qualquer lavrador, ele, consta, fez a promessa de, não sendo transferido, mandar fazer aquela cruz.
A tulha do padre(umas tábuas a fazerem tabique do chão ao tecto) ficava na loja da Ti Elvira Polónia, que me contou a história e jurou que ficava cheinha até ao cimo de centeio.
O problema é que a emigração desfalcou a vila e tornou incultas as terras, fazensdo minguar a tulha; o padre, esse, acabou por aceitar de muito bom grado a transferência, mas deixou a cruz.


De Manuel Maria a 31 de Janeiro de 2008 às 15:41
desculpas pelos erros...
"como" "agricola"...


De Vilar a 31 de Janeiro de 2008 às 20:54
E a cruz do Padre Narciso foi o prenúncio do calvário dos donos das melhores propriedades, o qual culminou na agonia fina, com a revolução de Abril.


De julmar a 31 de Janeiro de 2008 às 17:46
No tempo, como diz o Ribacoa, em que as piaras do gado limpava as patas pelo cabeço acima, tinha um as pecto diferente do da foftografia: não havia giestas como agora.


De NM a 1 de Fevereiro de 2008 às 16:57
É a teoria da pescadinha de rabo na boca. Não havia giestas porque havia piaras de gado. Agora há giestas em abundância, porque nenhum rebanho existe.


De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2008 às 23:00
E sobram os fogos.


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