No primeiro quartel do século passado, viveu numa das aldeias do antigo concelho de Vilar Maior um honrado lavrador, mais que meão e a tender mesmo para riquechito que se distinguia pelo seu fervor de católico apostólico e romano.
Tinha duas juntas de vacas e contratava para o seu manejo dois ganhões.
Estes junguiam os animais alta manhã, mas só seguiam para a arada ou carreja depois de assistirem todos os dias a missa inteira, na qual o patrão tomava a sagrada partícula.
Tinha também um pastor que lhe guardava anediado rebanho de cerca de cem cabeças churras e uma dezena de cabras.
Zagal e reses recolhiam ao aprisco ou chão a estercar perto e à vista de casa
domingos e dias equiparados para que o assoldado cumprisse os preceitos da Santa Madre Igreja.
Na sua corte das vacas, quente pelo bafo de meia dúzia de animais, asseada por constantes malhadas de palha centeeira e alumiada por dois candeeiros a petróleo fazia-se serão, frequentado quase por meio povo. Reinava ali a moral e não se consentia a má lingua.
Um homem de idade que aprendera a ler na tropa e que, muito inteligente e aplicado, comprara livros de lendas,l ia algumas a meio da seroada, assim entretendo e ilustrando o poviléu.
Imprescindível era a reza do terço em que o regra era o próprio Cremos Deus.
Lavrador de teres e haveres, não esquecia, mesmo nas laudes, as obrigações terrenas.
O que, por vezes, dava origem a cacofonias hilariantes, nos padre-nossos e ave-marias.
Estava-se no primeiro e chegara-se aquele ponto – Padre Nosso que estais no Céu, santificado …
Aqui suspendeu a oração para perguntar a um dos ganhões onde metera ele o óleo de untar os eixos do carro.
Este respondeu: Foi no corno.
O homem beato confimou e continuou:
Corno seja o vosso nome
Delheres outra vez, o hiato foi na Ave-Maria
E parou naquele ponto – Bendita sois vós - quando se lembrou de perguntar ao outro criado, se deitara palha na cama dos porcos
Ante uma resposta negativa, continuou
Havias tu de dormir como eles – entre as mulheres
No meio das tarefas, cantava-se o Cremos Deus.
Mas o coro, por ignorância dizia, em vezes de Homens ingratos, homens e gatos.
Muito religioso, foi a intempestade cultual que lhe criou o segundo cognome
O de Porra Povo.
Já vos conto, justificava ele.
Em dia do orago, viera a aldeia o prelado diocesano.
Acabada a procissão da tarde, a que o Senhor Bispo presidiu, começou o vivório
Vivam os músicos. Viva o Fogueteiro. Vivam os mordomos que entram. Viva o senhor Vigário.
Eram vivas e mais vivas
Mas ninguém se lembrava do Prelado.
Então, gritei bem alto:
Viva também o Senhor Bispo, Porra Povo!
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