
Que sabe sobre este homem?
Tília e Tintimportintim acertaram e cheio. Trata-se do professor António Esteves Pinheiro, professor do Ensino Primário, no tempo em que isso representava um alto estatuto. Teria ao que ouço alguns dotes literários e já ouvi referências a uma monografia (não publicada) sobre Vilar Maior. Ouvi também que teria sido ele o compositor de versos e música em dada ocasião, cujos versos deficiente e defeituosamente recordo:
(...)
Pois segundo ouvi dizer
Que vão fazer uma estrada
Oxalá venha esse dia
Se não for Zum-Zum
Vai haver muita alegria
Foguetes tum-tum
Bandas na rua da vila
Concerteza até perlim-perlim
Porque a malta sem conforto
Com fartura é sempre assim
(...)
Que acontecimento seria?
Terá sido ele o autor também de outras composições sobre a vila?
Eu, se o não soubesse não o reconheceria por esta foto, pois, lembro-me dele já reformado e de avançada idade.
De seu jornaleiro, quase criado de servir, foi o ti Faia do Carvalhal e quase sempre colega de enxada o ti António Lavajo. Mas estes, um e outro, bem que merecem um retrato singular.
Aceitam-se, desde já, lamirés para o efeito.
De "Tília" a 26 de Junho de 2008 às 12:30
Bem, a personagem em questão, apresenta-se com um ar distinto, bem parecido (seria mesmo um galã naquela época), um semblante de pessoa um tanto austera mas cheio de bondade e já me calo, não pensem "os da bola de cristal" que lhes estou a mover concorrência!!!!...).
Perguntar-me-ão: mas de quem se trata??!!-se soubesse já o tinha dito.
Seria um senhor "figura pública" no nosso meio (quem sabe mesmo se extra-muros ...). Concerteza que seriamos muito crianças quando ele tinha este aspecto. Certamente não vivia habitualmente na vila, olhando ao seu aspecto de quem não anda debaixo de todo o género de intempéries ou que labuta diariamente nos campos (....até posso, de algum modo, estar errado, quem sabe?.....).
Sei que não é exactamente isto que se pergunta. Escrevi alguma coisa, entrei em contato convosco...
e isso me alegra.
O resto deixo para vós e quem sabe voltarei, depois de desvendarem o segredo!!!..
De "Tília" a 26 de Junho de 2008 às 12:34
Pensando bem.....vou arriscar um nome: tratar-se-à do Sr. Professor António Esteves Pinheiro????......
De Tintimportintim a 26 de Junho de 2008 às 17:50
Na minha opinião, tratar-se-á de alguém com algum estatuto social, pela sua indumentária e pelo seu olhar que transparece respeito e autoridade. Provavelmente, terá sido um professor que leccionou durante muitos anos em Vilar Maior. Gostava de saber se o meu palpite foi certeiro.
De Maria Adelina Pinheiro Bárbara a 23 de Março de 2009 às 11:51
Bom dia.
O professor António Esteves Pinheiro era meu avô materno e padrinho de baptismo. Sou a filha mais nova da sua filha Alexandrina d'Assunção Franco Dias Pinheiro. Era um homem maravilhoso. Muito ligado à familia, rigoroso mas também muito carinhoso. Ele adorava-me. Tenho saudades dele e também da minha avó. Já agora deixe-me dizer-lhe que a minha mãe ainda é viva e tem 89 anos. Infelizmente tem a doença de Alzheimer e já não nos conhece.
Muito obrigada.
Maria Adelina
De "Tília" a 26 de Junho de 2008 às 21:53
Agora que já tenho a certeza da identidade da pessoa em questão vou dizer alguma coisa acerca da poesia em epígrafe.
Lembro-me de essa letra ser cantada e ensaiada, em jeito de marcha, no largo das portas, com rapazes e raparigas vestidos a rigor. Recordo-me principalmente de, como nos ranchos folclóricos de agora, os rapazes estarem cingidos por uma faixa em volta da cinta.
A memória, já me atraiçoa um pouco mas esse acontecimento estava inserido num encontro de representações das freguesias na sede de concelho.
Lembro-me que um dos adereços era a forma do nosso castelo em cartão com musgos (não serão exactamente musgos..aquelas formações da flora que existem nas paredes do castelo...). Foram retiradas das próprias pedras e coladas nas paredes do dito adereço.
Os ensaios eram à noite, presenciados por muito povo (certamente que seria no verão ou pelo menos, com bom tempo e sem frio).
O Sr. Professor dirigia o ensaio e voltava atrás, quando "a coisa" lhe não parecia ser executada na perfeição.
Recordações (já um tanto desvanecidas....).
De Ribacôa a 27 de Junho de 2008 às 01:09
António Esteves Pinheiro, natural de Malhada Sôrda (Vilarmaiorense por adopção), foi figura proeminente em Vilar Maior, onde casou, constituiu família, exerceu a profissão de professor primário nos anos 40/50 (?) do século passado, onde faleceu e está sepultado .
Era um homem multifacetado já que, para além do dever de ofício (moldar as cabeças - ou pelo menos tentar -) dos jovens daquele tempo e de ser um grande viticultor, possuía raras qualidades artísticas, consubstanciadas na autoria de letras (versos) que ele próprio musicava. Igualmente, ensaiava dramas e outros eventos, cujos artistas eram as próprias gentes de Vilar Maior. Terá sido, aliás, com os versos/canção acima referidos, que ele e as gentes da Vila conquistaram um primeiro lugar num concurso (ou seria um cortejo de oferendas?), levado a cabo lá pelos finais dos anos cinquenta, no Sabugal, com a participação de todas as freguesias do Concelho. Já agora, a primeira estrofe começa assim:
O Vila modernizada
Vai ser falada
Coisa engraçada
(...) Pois segundo ouvi dizer (..)
E tenho quase a certeza que é autor de outras composições sobre Vilar Maior, tais como:
Ó Vilar Maior ó Vila
És a rainha da Beira
No meio de terras lindas
És com certeza a a primeira.
Ó Vilar Maior ó Vila
Tens castelo e pelourinho
Quando se baila na praça
Anda tudo em burburinho
(...) (...)
E Ainda:
Vilar Maior
terra de sonho e de Beleza
Tu és de todas a princesa
Do paraíso aqui da Beira
Vilar Maior
grinaldas compostas de amor
Onde tudo são lindas cores
Vilar Maior, Vilar Maior
que nos convidas a sonhar
Nos teus pinheirais
Ouvem-se cantar
Bonitas donzelas
De noite ao luar
(...)
Esta, ainda não há muitos anos a ouvi cantar (e muito bem cantada) pela juventude da Vila, numa das cálidas noites de Agosto.
Quanto aos seus dotes literários, julgo já ter lido algo da sua autoria. Vou fazer uma pesquisa no velho sótão e o que encontrar, se encontrar, prometo trazê-lo a este espaço.
De pedro cardoso a 27 de Junho de 2008 às 11:15
Caro Professor Julio,
Peço desculpa pelo abuso de usar o seu bolg, mas creio que será por uma razão inquestionável. Permita-me então que informe os nossos conterraneos, que neste momento a realização da Festa em Honra do Sr. dos Aflitos 2008 está seriamente em causa. A comissão para 2008 desistiu dessa missão.
Assim, caros vilarmaiorenses, se realmente sentimos a Nossa Terra, está na hora de nos unir-mos mais que nunca para que a Nossa Festa não desapareça. Creio que ainda estamos a tempo de fazer alguma coisa, mas todos somos poucos para cumprirmos essa tarefa.
Dia 6 de Julho vai realizar-se a segunda reunião com a população, para tentar-MOS encontrar uma solução.
SE SE PERDE ESTE ICONE DE VILAR MAIOR POSSO VOS GARANTIR QUE É O PRINCÍPIO DO FIM (TÃO ANUNCIADO) DE VILAR MAIOR E DAS NOSSAS TRADIÇÕES.
Desistir é próprio dos fracos, e dos fracos não reza a história.
De O Cota a 2 de Julho de 2008 às 15:42
Pois então e à laia de lamiré sobre o retrato dos dois jornaleiros (quase criados) do professor Pinheiro, aí vai um esboço da fotografia que eu lhes traço a preto e branco, pois que naqueles tempos, pelo menos para estes personagens, retrato a cores era impossível.
Assim, para além de um e outro trabalharem quase diariamente em casa do professor, possuíam em comum outras particularidades, tais como:
Para ambos a vida terá sido madrasta, já que a caneta (enxada) com que escreveram (cavaram)durante uma vida, não lhes trouxe nem fortuna, nem cultura. Nasceram pobres e incultos e assim morreram;
A calosidade das suas mãos, podia ser medida pela lisura dos respectivos cabos das enxadas que, saliente-se, eram de um brilho intenso, como se tivessem sido afagados com a lixa do mais fino grão e envernizados a preceito com o melhor dos vernizes. Tudo, porque a descava, a cava ao camalhão e a esborralha das vinhas das Gaiteiras, Porto Sabugal, Buraco , Galhardos, etc., a isso davam azo;
E eles, que tanto labutavam nas vinhas de outrém, tambem comungavam do gosto (ou seria vício?) pelo precioso néctar, o qual, ironicamente, a maioria das vezes compravam. Se o Deus Baco existe, estou certo que ambos pertencerão à sua guarda de honra ou, no mínimo, à legião dos seus eleitos. Outra particularidade e talvez relacionada com a anterior, tem a ver com o facto da garotada assim que pressentia que o vinho lhes tinha subido à cabeça, não mais os largava e logo começavam a ser alvo das suas judiarias, azocrinando-lhes o juízo. Então quem não se lembra do" pintanso" dos rapazes com o António Lavajo e e a luta deste em defesa da sua boina espanhola? Já antes acontecera com O Craveiro, com a Maria Cuca, Com o ti Manel Adrião e tantos outros. Um sortilégio da malta nova que haviam de ter, à falta de outro entretenimento, como que uma espécie de bôbo da côrte para animar as tardes domingueiras.
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