Domingo, 26 de Outubro de 2008

Ontem, hoje ... e amanhã?

 

 

A primeira fotografia será do final do primeiro quartel do século XX: O granito domina e o branco apenas na Igreja que, desafogada, se via da praça. De branco o conjunto de casas propriedade do sr Alexandre (na altura o homem mais rico de Vilar Maior), os Pacos do Concelho, a casa que foi da senhora Clemência ( a senhora das milagradas!) e a prória Igreja. A casa de José Santos havia subido recentemente um andar; depois subiram a casa do ti Zé Silva ao Arco mais a do ti Zé Seixas abaixo da torre e em frente à Igreja subiu a da senhora Aninha da Cruz, a da ti Isabel Seixas e a do ti Zé Dias. E o branco, aos poucos, foi dominando.

Daqui a cem anos como será?... Será?

 

 

publicado por julmar às 12:25
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De Ribacôa a 27 de Outubro de 2008 às 01:46
A fotografia até poderá ser do primeiro quartel do século passado. Porém, poderei dizer com alguma segurança, que pelo início dos anos cinquenta desse mesmo século, pouco teria mudado na panorâmica geral mostrada pela foto antiga. E, digo isto, com base nos seguintes factos:
O chafariz recentemente retirado do largo que aparece em primeiro plano foi construído , salvo erro, em 1952. Poucos anos mais tarde (penso que em 1958), foi construída a cimalha da torre. No ano da construção do chafariz foi remodelada a casa da Senhora Glória, tendo sido libertado o espaço do alpendre por baixo da janela para construção da cozinha , do curral e da escadaria de acesso à casa, a qual se encontrava ligada (seriam uma só) à do Sr. Raul. O muro em pedra do lado direito do largo, vedava um quintal pertencente ao Sr. João Marques, cujo acesso era feito directamente pelo curral da casa, quintal esse que foi destruído aquando da construção do chafariz, tendo em vista ampliar o largo. Na esquina do referido muro, onde se vislumbra uma pedra quadrada encimada por uma outra de menores dimensões, encontrava-se o passo que nessa altura foi transferido para a parede do Sr. "Mergildo " onde ainda permanece. Ao lado e no final do mesmo muro no sentido da ponte, encontrava-se uma escadaria em granito, a qual servia para os peões atalharem caminho, evitando passar entre os dois largos, cuja configuração era muito parecida com a existente até às obras recentemente efectuadas. A seguir a essa escadaria, um pouco antes da curva para a ponte, existia uma "presa" onde as mulheres lavaram muitos cestos de roupa (e se calhar alguma roupa suja). A rua que desce para a ponte era totalmente diferente ; Muito estreita e de piso muito pedregoso. No seu início, mesmo em frente à porta do forno, existia uma fonte (de mergulho?), com a configuração da existente à ponte, mas de maiores dimensões e profundidade. As paredes acima do nível do solo eram constituidas por enormes lages de granito levantadas ao alto, sendo a cobertura feita do mesmo material e possuia uma escadaria, também em granito corrido de ponta a ponta a toda a largura, desde o nível do solo até ao fundo. Penso ter sido arrasada aquando da construção da estrada para as moitas. E pouco mais há a realçar. Lá está a casa do Sr. João Seixas, no que era a sua traça original. Pena que a entrada se encontre encoberta com vegetação, já que tenho ideia que era constituida por duas ombreiras de granito encimada por arco de meia volta da mesma rocha. Ao fundo está a porta da entrada da casa do ti Augusto com as ombreiras caiadas e ao lado direito do quintal, pode ver-se a entrada da casa do ti Zé Badana. A meu ver, a fotografia foi tirada da varanda da casa da Professora Delfina ou da que pertenceu à Senhora Evangelina e que hoje é propriedade da professora Olívia, sendo que a vegetação que aparece em primeiro plano poderá ser da videira que ainda ali existe. Para terminar, também eu digo; Daqui a cem anos como será? Pergunta que me trouxe à memória uma canção antiga de Doris Day com o título: Qui sera, sera.Vale a pena ouvir ou relembrar em You Tube.


De Tília a 27 de Outubro de 2008 às 14:56
Obrigado, a coisa fica mais esclarecida. Penso no entanto que a casa da família Badana actualmente se encontra bastante chegada à frente. Não tinha a certeza se os muros em pedra faziam parte do tal quintal do Sr. João Marques. Da existência da presa já me lembro bem (já depois de algumas alterações tais como a colocação do chafariz e a retirada do tal quintal). Da tal fonte de chafurdo igualmente me lembro, quando ela já não tinha as funções de fonte. Recordo-me que servia, por exemplo (horripilante!!!), para afogar gatos recem-nascidos de que os donos se queriam simplesmente desfazer.
As novas gentes dirão que seriam pessoas bárbaras as que viviam na altura!!!.....é necessário reportarmo-nos a outras épocas, em que porcos e pitas vagueavam pelas ruas da Vila, a seu belprazer .
é de lembrar aquela história que se passava na altura em que os donos de todas as galinhas as tinham de manter dentro dos limites da casa: pelas seis da manhã já a G.N.R. passava a pente fino todas as ruas e ao verem um galináceo na rua perguntavam à primeira pessoa de quem seria o animal: "meu não é", assim respondia não sabendo eles que era o próprio dono que estava a responder.
Nesse tempo a égua de Albino Leonardo já tinha bilhete de identidade mas não as galinhas que essas não eram recrutadas pelo exército (e até dariam um jeitão....-não se lembraram de tal coisa!!!.


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