Domingo, 26 de Outubro de 2008

Leituras

Há escritores que se foram esquecendo. A par de um Júlio Dinis ou de um Ferreira de Castro, esquecido anda Trindade Coelho,

Para quem tem matriz rural, como eu, «Os Meus Amores» é uma leitura que rememora o imaginário da criança que formos. Quanto a literatura é da melhor.

Começa assim:(...)

 

«Quando atravessou a povoação, rua abaixo,com o rebanho atrás dele, era ainda muito cedo. Ao longo das ruas tortuosas, as portas conservavam-se fechadas, e não vinha das habitações o mais insignificante ruído. Dormia-se a sono solto por todas aquelas casas. Apenas algum cão,subitamente acordado em sobressalto pelo chocalhar do rebanho, ladrava do alto dos escadórios de pedra onde ficara de sentinela, ou de dentro das curraladas, onde levara a noite fazendo companhia aos novilhos. De onde em onde, galos madrugadores entoavam matinas sonoras, que eram como risadas vibrantes de boémios, nalguma estúrdia a desoras.»

publicado por julmar às 18:00
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10 comentários:
De Manuel Maria a 27 de Outubro de 2008 às 15:34
O Trindade Coelho, foi por acaso procurador régio no tribunal do Sabugal no início de carreira. Terá bebido aqui muita da sua inspiração e do lirismo popular...


De João que Chora a 27 de Outubro de 2008 às 21:06
Sem dúvida terá bebido não apenas o lirismo, mas também uns copos por essas adegas para ver se lhe acalmavam as angústias e mágoas. Só que as ditas sabem nadar e no dia seguinte lá estavam novamente a fazer a cobrança. E venceram mesmo. O nosso escritor pelo mês de Junho de 1908 - fez agora um século e acho que ninguém se lembrou -resolveu, já que a vida não era como ele a queria, acabar com ela.


De Jarmeleiro a 27 de Outubro de 2008 às 20:51
Ora cá está . Todos os que como eu naceram e creceram no campo, ficamos mais senseblizados pra estes escritos. E quando metem pastores como neste caso até fico arrepiado. Volto logo à minha infancia e juventude e até penso que aqui o pastor sou eu decendo rua abaixo à frente do gado. Até parece que ainda estou a ovir as ovelhas a berrar, campainhas, guisos e chocalhos a tocar, o meu fiel amigo o cão de nome piloto sempre por perto e os galos a grasnar, assim a modos que a gozar de mim que os desafiava na arte de munto madrugar. Depois veio-me à ideia o meu livro de leituras da 4a clase que frequentei mas por causa das ovelhas só fis em adulto e lá estava o poeta Trindade Coelho. Mas com munta pena minha a lição que lá está não é esta. Ei- de ver se encontro este livro - os meus amores- para ler agora que aí vem o Inverno e as noutes são grandes..


De Anónimo a 27 de Outubro de 2008 às 21:59
Meu caro Jarmeleiro , de facto o modo de descrever estas cenas do que era a vida nesses tempos sensibilizam de uma maneira muito mais acentuada e diferente aquelas pessoas que na sua vida real, trilharam ,por assim dizer os mesmos caminhos.
Um dia quando estivermos juntos hei-de contar-lhe a história de alguém que aos 4/5 anos se perdeu quando regressava à Vila, depois de um dia a guardar as ovelhas no penicôto com um irmão mais velho. Outro irmão ficara com as ovelhas a "dormir" nas cancelas e regressavam a casa somente com as cabras. No caminho o irmão que o acompanhava foi ajudar outro pastor a reunir o rebanho para também ele vir para a Vila enquanto a criança esperava sentada na portaleira . Adormeceu e meio a dormir meio acordado começou a caminhar , mas para o lado da Arrifana e algum tempo depois, chorando copiosamente, foi recolhido pelo ti Salazar que o fez repartir com ele a choça onde iria passar a noite. Depois, quando bebermos um copo juntos, contar-lhe-ei tudo o que se passou.
Peço perdão aos outros comentaristas que certamente não entendem muito bem esta linguagem.....mas Jarmeleiro tenho a certeza que a conhece bem.
Um abraço.


De João que Chora a 27 de Outubro de 2008 às 22:20
Meu caro anónimo, chorar é comigo e não percebi nada da sua arenga. Lá que o Jarmeleiro perceba, é natural, porque já percebemos que sabe muito mais do que mostra. Nós estávamos a falar de um autor e de uma obra. Faça como o Jarmeleiro e tente ler o autor.


De Anónimo a 28 de Outubro de 2008 às 16:48
É verdade que o mote seria falar sobre o autor e a sua obra. Será assunto para os mais letrados como o João. Até certo ponto quem disso nada sabe, não devia "meter o bico" mas as palavras são como as cerejas e muitas vezes atrás de umas , outras vêm . Se não lhe agrada essa maneira de expôr por escrito as coisas, tem bom remédio, qual seja passar à frente e não perder tempo a ler coisas que à partida não são do seu interesse. Não tratei mal quem quer que seja e de "bons" conselheiros está o inferno cheio!!.
Para representar o verdadeiro "homo sapiens" já temos o "homem dos chicharrões ".


De Jarmeleiro a 28 de Outubro de 2008 às 00:04
Pois estou munto admirado com este cunvite. Eu até bebia esse copo e pagava otro enquanto se oviam e contavam umas partes passadas naqueles tempos mas é das tais coisas. Eu não sei quem me cunvida nem essa pessoa sabe quem eu sou. Atão já viu bem o que é chegar-se ao pé de uma pessoa e dizer: Ó Jarmeleiro vamos lá a beber um copo e contar aquelas histórias. Asujeita-se a ser mandado para algum sitio que não gosta. Olhe que eu acredito que fique emocionado com estas coisas de antigamente pois a min tamém me acontece. Eu o que não quero é arreliar-me com ninguen. Não gosto é que andem a palpitar quem sou. Ando por aqui para conviver, dar os meu fraco contributo mas mais para aprender qualquera coisita, pois não é como dis o João que chora. Eu posso ter munta esperiência da vida, mas nas letras e na cultura sou aquase um igorante.
Um abraço para todos.


De Anónimo a 28 de Outubro de 2008 às 16:35
Amigo Jarmeleiro : decididamente não entendo muito bem o seu procedimento. Outro dia pegou porque eu o estava a chatear, hoje também não ficou satisfeito por lhe oferecer um copo a beber numa próxima oportunidade e aproveitarmos para falar sobre coisas do passado, o que para nós é sempre agradável. O não sabermos (eu sei) de quem se trata pouco importa se chegado o momento nos apresentarmos e ficarmos a saber da identidade.
Não se enfade e receba um abraço.


De Jarmeleiro a 28 de Outubro de 2008 às 19:39
Atão seja feita a sua vontade. Se dis que me cohece quando me vir avance. Mas vocemecê não se fie na virgem porque pode ficar encavacado quando vir que se enganou. E eu lhe afianço que me mijaria a rir se estivesse nos arredores a ver a cena. Que tanha sorte pois isso é aquase como asertar no totobola.
Os meus cumprimentos.


De Anónimo a 28 de Outubro de 2008 às 22:07
Na verdade, vai aqui grande salsada. Vão-se contando histórias que de facto aconteceram mas posso afirmar com toda a certeza, não são contadas pelo próprio, acrescentando que mesmo os pequenos pormenores não fogem à realidade. O que é necessário é que ninguém fique maltratado.
Bom, saudinha por cá!!!!.


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