
Há escritores que se foram esquecendo. A par de um Júlio Dinis ou de um Ferreira de Castro, esquecido anda Trindade Coelho,
Para quem tem matriz rural, como eu, «Os Meus Amores» é uma leitura que rememora o imaginário da criança que formos. Quanto a literatura é da melhor.
Começa assim:(...)
«Quando atravessou a povoação, rua abaixo,com o rebanho atrás dele, era ainda muito cedo. Ao longo das ruas tortuosas, as portas conservavam-se fechadas, e não vinha das habitações o mais insignificante ruído. Dormia-se a sono solto por todas aquelas casas. Apenas algum cão,subitamente acordado em sobressalto pelo chocalhar do rebanho, ladrava do alto dos escadórios de pedra onde ficara de sentinela, ou de dentro das curraladas, onde levara a noite fazendo companhia aos novilhos. De onde em onde, galos madrugadores entoavam matinas sonoras, que eram como risadas vibrantes de boémios, nalguma estúrdia a desoras.»
De Jarmeleiro a 27 de Outubro de 2008 às 20:51
Ora cá está . Todos os que como eu naceram e creceram no campo, ficamos mais senseblizados pra estes escritos. E quando metem pastores como neste caso até fico arrepiado. Volto logo à minha infancia e juventude e até penso que aqui o pastor sou eu decendo rua abaixo à frente do gado. Até parece que ainda estou a ovir as ovelhas a berrar, campainhas, guisos e chocalhos a tocar, o meu fiel amigo o cão de nome piloto sempre por perto e os galos a grasnar, assim a modos que a gozar de mim que os desafiava na arte de munto madrugar. Depois veio-me à ideia o meu livro de leituras da 4a clase que frequentei mas por causa das ovelhas só fis em adulto e lá estava o poeta Trindade Coelho. Mas com munta pena minha a lição que lá está não é esta. Ei- de ver se encontro este livro - os meus amores- para ler agora que aí vem o Inverno e as noutes são grandes..
De Anónimo a 27 de Outubro de 2008 às 21:59
Meu caro Jarmeleiro , de facto o modo de descrever estas cenas do que era a vida nesses tempos sensibilizam de uma maneira muito mais acentuada e diferente aquelas pessoas que na sua vida real, trilharam ,por assim dizer os mesmos caminhos.
Um dia quando estivermos juntos hei-de contar-lhe a história de alguém que aos 4/5 anos se perdeu quando regressava à Vila, depois de um dia a guardar as ovelhas no penicôto com um irmão mais velho. Outro irmão ficara com as ovelhas a "dormir" nas cancelas e regressavam a casa somente com as cabras. No caminho o irmão que o acompanhava foi ajudar outro pastor a reunir o rebanho para também ele vir para a Vila enquanto a criança esperava sentada na portaleira . Adormeceu e meio a dormir meio acordado começou a caminhar , mas para o lado da Arrifana e algum tempo depois, chorando copiosamente, foi recolhido pelo ti Salazar que o fez repartir com ele a choça onde iria passar a noite. Depois, quando bebermos um copo juntos, contar-lhe-ei tudo o que se passou.
Peço perdão aos outros comentaristas que certamente não entendem muito bem esta linguagem.....mas Jarmeleiro tenho a certeza que a conhece bem.
Um abraço.
De João que Chora a 27 de Outubro de 2008 às 22:20
Meu caro anónimo, chorar é comigo e não percebi nada da sua arenga. Lá que o Jarmeleiro perceba, é natural, porque já percebemos que sabe muito mais do que mostra. Nós estávamos a falar de um autor e de uma obra. Faça como o Jarmeleiro e tente ler o autor.
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