
Este rio que é ribeira e que este ano dá em não ter corrente, faz parte das nossas memórias. Nada seria, nem nó seríamos sem ele. Cesarão peixeiro. Barbo que sem o acompanhamento do copo de vinho por aqui produzido não saberia como sabe.
Com fotografia de Carlos Marques, letra de Manuel Maria e música de quem se oferecer, inauguramos o primeiro post do ano.
Este rio que corre
para trazer
a frescura à terra
sem se deter.
Um fio de vida estendido entre as hortas, um pouco acima
do açude,
como um cordão umbilical
saído do ventre da terra, desenrolado entre as montanhas,
até ao mar.
Ao fim da tarde sentei-me nas resguardas, um instante, só para o ver correr, enleando-se
no mata-cães da ponte.
Na claridade do fundo arenoso
vi, aflorar à superfície,
os limos numa tonalidade avermelhada,
pronunciado o fim de Julho
e um barbo bolinando,
corrente abaixo.
O Manel chamou do balcão.
A mancha vermelha que tingia os limos, ergueu-se
para alcançar as nuvens.
Levantei-me no alento breve
e vermelho
do céu incendiado;
E outro rio correu,
generoso,
para trazer
a frescura aos meus lábios,
na adega do Manel.
De Anónimo a 3 de Janeiro de 2009 às 18:30
Parece-me que estamos a começar mal o ano (todos os males, no entanto, sejam estes!!). A sempre bela fotografia da ponte, rio e parte da aldeia, não aparecem provàvelmente por demasiado pesada")!!!!.
O lugar e a ponte em si, muitas histórias poderiam contar dos segredos ciciados ao ouvido dos namorados!!.
Se um dia deixarem de existir esta ponte, o castelo, o pelourinho, a Senhora do Castelo (estes os que mais perigos correm de desaparecer na sua posição normal) Vilar Maior continuará a existir mas amputada de partes que formam o seu corpo material como espiritual.
De Jarmeleiro a 3 de Janeiro de 2009 às 19:34
Pois é verdade que não aparece, e eu a sismar que era o meu aparelho que tinha avariado. É munto pesada? não falem em peso porque foi esse que desgraçou a ponte. E a ribeira no corre? É mau por uma via e bém por outra. Não correndo não cumpre a função: nem peixes nem regas,nem banhos nem nada. Mas se vem alguma cheia das antigas há que pedir um milagre. É munto estranho neste tempo e inda nao correr. Dizem os entendidos que o fim do mundo não tarda se muntas modernices não acabarem e eu estou em crer que sim.
De Ribacoa a 3 de Janeiro de 2009 às 23:00
O pior de tudo, é que não correndo a ribeira, os moinhos não trabalham e lá temos que ir de burro com os sacos de centeio a moer à Freineda , à Telhada, ou a trocar por farinha ao ti Mendes da Bismula . Velhos tempos.
De "O Vila" a 4 de Janeiro de 2009 às 18:33
Não se deve brincar com coisas sérias mas já que estamos em maré destas coisas, deixai-me que diga aos moradores do Bairro S. Sebastião que se a ponte cair, terão sempre a possibilidade de passar a vau para o outro lado!!!!.
De João que chora a 4 de Janeiro de 2009 às 18:46
Tudo dependendo da época do ano! Experimente o amigo passar a vau quando a ribeira, agora de águas paradas, achar curto o leito, subir e se extravasar nas margens!
De "O Vila" a 5 de Janeiro de 2009 às 00:09
Bom, estamos a falar no caso excepcional de a ribeira ainda não correr e vem no seguimento das precárias condições estruturais em que se encontra a ponte!!.
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