O professor Alves é que nos iniciou na língua latina. Com o pau na mão direita e a gramática na mão esquerda exercitava-nos em declinações de substantivos e conjugações de verbos espevitando com o pau o espírito que não acertava a terminação. Na terminação é que estava o problema. O essencial eu sabia: todos os casos continham «tivo» e do dominus o «domi» mantinha-se. Por isso, bem que eu o tentava enganar fiado no seu ouvido duro: singular - um tivo domi, um tivo domi, um tivo domi. E já me não deixava ir ao plural. Irritado sem saber se eu dizia bem ou mal, ordenava: vá já ao quadro escrever! Aí a coisa ficava feia.
No domínio das bases, começava-se em traduções de frases simples, algumas que soavam uma coisa e queriam dizer outra como «uvas Athenas portas».
Anos mais avançadosa mansidão de Monsehor Torrão metia-nos na leitura das Catilinárias, das Odes de Horácio, das Guerras Púnicas ou na leitura da Eneida cujo prefácio me obrigou a decorar tão solidamente que ainda hoje o posso fazer. Frases que ainda hoje retenho como aquela que contava, com espírito de humor, da terrina de sopa com esparsos grãos: «Aparent rari nantes in gurgito vasto», aparecem raros navegantes no mar vasto.
De Anónimo a 20 de Janeiro de 2009 às 15:26
O padre Alves!!!!-pintado assim ninguém o imagina hoje, com uma idade já avançada, tirando do acordeão as mais belas melodias. Eram os tempos em que os pais não iam aos tribunais por causa de o professor ter na mão direita o pau e na esquerda o pão. E era nesses velhos tempos, falando da aprendizagem do latim, em que apareciam verdadeiros bus-illis "( história que deixo para Julmar , caso este se lembre com exactidão e esteja na disposição de a contar).
De
julmar a 20 de Janeiro de 2009 às 18:49
Pois então era assim.
Numa aula de latim o aluno tinha que traduzir a expressão in temporibus illis (naqueles tempos). Porém, dada a translineação de que não se apercebera numa das linhas estava tempori e na seguinte bus illis. E pronto foi aí que a porca torceu o rabo.
De Anónimo a 21 de Janeiro de 2009 às 17:09
E creio que todos sabem porque se diz:"aqui é que a porca torce o rabo"!!!....e porquê??--pois é porque o rabo não consegue torcer a porca!!!!.
Então é aí que tá o "busilis"??
Li numa crônica, muitos anos... Nem lembrava mais... Muito divertido!!!
De Anónimo a 20 de Janeiro de 2009 às 19:44
Tanto seminário e sai "requies in pace"
De Anónimo a 20 de Janeiro de 2009 às 19:53
Este é dos que gostam de malhar em ferro frio. Deve ser cardeal !!!
De Anónimo a 20 de Janeiro de 2009 às 22:29
Do Cardeal (lugarejo antes de se chegar ao Sabugal, era o Diz (e agora?-não sei mesmo como se escrevia o nome dele mas a pronúncia era era esta ) que também por lá andava nessa altura.
Como os anos passam!!!!.
De Jarmeleiro a 20 de Janeiro de 2009 às 23:00
Um Zé ninguém nas letras sou eu mas sei que o nosso grande Luìz de Camões quando escreveu os Lusíadas, fartou-se de copiar (agora disem plagiar ) desse grande livro de nome Eneida que muntos anos antes tinha sido escrito por Vergilio. E o luíz Vaz grande poeta, não era nenhum anjinho.
Correcção! copiar não. Quem leu a Eneiada e os Lusíadas sabe que não têm nada a ver um com o outro. O que Camões fez, e só, foi seguir a estrutura narrativa da Eneiada. Plágio nenhum!
De Cardeal Saraiva (de Alpedrinha) a 21 de Janeiro de 2009 às 13:00
Blog ou "Manhã Submersa"?
A "manhã submersa" também não é como a pintam. Conhei o autor no fim dos anod setenta e ouviu da sua boca que guardava boas recordações do seminário. O livro dizia, foi uma necessidade para esconjurar os sonhos que ainda tinha na idade adulta sobre o tempoo de seminário.
De Alpedrinha era o cardeal costa, do tempo de D. Afonso V e D. João II, famoso cardeal de alpedrinha. O saraiva é de Gagos do Jarmelo e nosso contemporãneo.
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