As giestas, ou gestas na vila, são tão comuns que dificilmente nos apercebemos de quão importantes são e, sobretudo, de quão importantes foram no passado. Mesmo os académicos e interessados no mundo vegetal parece não lhe atribuir grande importância como poderá confirmar se experimentar uma procura no Google. Mesmo a Wikipédia, essa enciclopédia que cresce a cada dia, não diz mais que:
«Giesta é a designação vulgar de várias espécies botânicas arbustivas pertencentes à tribo Genisteae sobretudo dos géneros Spartium, Genista eCytisus, mas também outros géneros menores», acrescentando a foto e classificação que se segue:
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| Classificação científica | |||||||||||
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Porém existem para cima de 25 géneros de giestas, sendo que a mais comum na vila é a da maia branca, seguindo-se a da maia amarela, conhecida popularmente como gesta negral.
Ora, quase que poderíamos dizer que até aos anos sessenta doséculo passado a vida seria muito difícil sem esta planta arbustiva que crescia apenas onde não estorvava a agricultura: nos cabeços e nas beiradas dos muros. O seu principal uso, era sem dúvida como combustível. Não haveria lar sem lareira, essa pedra onde o lume da família nunca se apagava. Era a lareira o centro do lar, o lugar onde se aqueciam os corpos, onde se cozinhavam os alimentos, onde a luz se acendia na noite e, onde, por mor dos cuidados do corpo se alimentava a alma com a conversa, com o desfiar de histórias, com rezas pelos vivos e pelos mortos. Ora, para quem é da aldeia (no tempo em que não havia acendalhas) sabe bem que não há modo de apichar o lume sem uma raminha de gesta, ou um braçado delas para fazer arder a lenha mais grossa. Iniciar uma combustão não é fácil sem a criação das condições necessárias e suficientes. Se a gesta fosse verde, se a gesta estiver molhada, se estiver verde e molhada, nada a fazer. Papel mesmo de jornal era uma raridade, palha era mal empregada.
Além das lareiras, eram ainda as gestas que alimentavam os três fornos públicos que coziam o pão toda a semana noite e dia. E, quando foi no início da emigração a exaustão e recursos era tanta que os forneiros já não sabiam onde procurar gestas para aquecer os fornos. Porque além de combustível, seu principal uso, as giestas eram, quando tenras, alimento de cabras e ovelhas; eram usadas, na escassez de palha, usadas para fazer a cama ao vivo, tendo assim também uma função de fertilizante.
Tinham também usos ligados ao sagrado como era o caso do toco (fogueira) do natal e no caso das variedades Bela-luz e Rosmaninho usadas para fazer as feiras do S. João.
Hoje são um elemento dominante na paisagem sobretudo na época da floração em que alguns cabeços vestidos de branco, semelham um grande nevão. A razão deste domínio na paisagem é a ausência de cabras, de ovelhas e de agricultura, aliada ao fato da facilidade de propagação das sementes e da facilidade de reprodução e crescimento.continuam a ser, sem dúvida, o principal combustível, mas agora dos incêndios que pintam a paisagem a preto.
Outros usos menores, ainda que importantes: Serviam para fazer nagalhos, preferindo-se para o efeito as negrais; a sua casca verde servia para fazer ataduras; a sua parte lenhosa para fazer sonivas; serviam para infligir castigo aos animais e às crianças quando eram transformadas em fustigas; a fustiga era o principal instrumento do jogo designado A Fustigada; Serviam ainda como vassouras para varrer ruas, eirados, etc.
Ainda que importante não me consta que apareça nas canções populares.
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