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  <title>VILAR MAIOR, minha terra, minha gente</title>
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  <description>VILAR MAIOR, minha terra, minha gente - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 18:03:34 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Thu, 12 Mar 2026 17:54:00 GMT</pubDate>
  <title>Lisboetas</title>
  <author>julmar</author>
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  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Juventude de Lx.jpg&quot; height=&quot;416&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bd206e706/22846419_y0NoB.jpeg&quot; style=&quot;width: 716px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span&gt;Mocidade, mocidade&lt;br aria-hidden=&quot;true&quot; /&gt;Porque fugiste de mim&lt;br aria-hidden=&quot;true&quot; /&gt;Hoje vivo de saudade&lt;br aria-hidden=&quot;true&quot; /&gt;Como é triste perdermos a mocidade&lt;br aria-hidden=&quot;true&quot; /&gt;Sentimos que é o princípio do fim&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;A. Calvário&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 08 Feb 2026 15:47:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat, Mário Simões Dias</title>
  <author>julmar</author>
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  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;aaamsim~es.jpeg&quot; height=&quot;194&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Be10415f5/22843662_ivZen.jpeg&quot; style=&quot;width: 174px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;(1936-2026)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;isSelectedEnd&quot;&gt;&lt;span&gt;Mário Simões Dias, natural do Rochoso, no concelho da Guarda, guardou sempre no coração as raízes que o ligavam profundamente a Vilar Maior, terra de onde herdou a ascendência e onde viveu parte das memórias mais puras da infância. Foi nas ruas e recantos desta aldeia medieval que brincou, cresceu e construiu a ligação afetiva que mais tarde haveria de marcar o seu percurso humano e intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;isSelectedEnd&quot;&gt;&lt;span&gt;Residindo em Coimbra, onde se licenciou em Filosofia, manteve sempre viva a presença da sua terra na reflexão, na escrita e na forma como olhava o mundo. A sua obra, tantas vezes inspirada em Vilar Maior, revela uma atenção especial às tradições, à religiosidade e às figuras simbólicas que moldam a identidade local, com particular devoção ao Senhor dos Aflitos. Através das suas palavras, preservou memórias, valorizou a história e ajudou a dar voz a uma herança que não quis deixar perder.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;isSelectedEnd&quot;&gt;&lt;span&gt;Mais do que um escritor, foi um guardião da memória coletiva, alguém que soube transformar a saudade e o apego às origens em testemunho duradouro. O seu contributo para a divulgação e valorização de Vilar Maior permanece como um gesto de dedicação e pertença, que continuará a inspirar todos aqueles que reconhecem na terra natal um ponto de partida para a construção da identidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Este espaço não poderia deixar de registar, com respeito e gratidão, o legado de quem soube honrar a sua terra através da palavra, deixando um testemunho sincero e permanente do amor por Vilar Maior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 04 Feb 2026 19:35:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, professora Maria Delfina</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-professora-maria-635772</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;maria delfina (23).jpeg&quot; height=&quot;259&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bd7061ec7/22843341_0ZZ4d.jpeg&quot; style=&quot;width: 214px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;214&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi com pesar que recebemos a notícia do falecimento da professora Maria Delfina Magalhães da Cruz Marques.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foram muitos os que, ao longo dos anos, também em Vilar Maior, aprenderam com ela não só a escrever, a ler e a contar, mas igualmente a encontrar caminhos para a vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É impossível não a destacar como uma figura marcante nas nossas vidas e na nossa terra, pela sua intervenção cultural, que haveremos de assinalar neste espaço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje é dia de nos solidarizarmos, em tristeza, com o professor Mário, com a Cláudia e com a Catarina, deixando-lhes um abraço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Requiescat in pace&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 17 Jan 2026 19:44:00 GMT</pubDate>
  <title>Festa de S. Sebastião, - outros tempos </title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/festa-de-s-sebastiao-outros-tempos-635121</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A tenacidade do povo de Vilar Maior&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Há 100 anos, no dia 15 de agosto de 1915, dia da festa de S. Sebastião, em Vilar Maior, o povo, vendo negada a licença para a realização da procissão resolveu desafiar as autoridades civis realizando o cortejo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A República, implantada em 5 de Outubro de 1910, enfrentou o poder da Igreja, publicando a Lei da Separação e impondo regras restritivas ao exercício do culto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As procissões religiosas eram consideradas ajuntamentos ou manifestações na via pública, pelo que careciam de autorização prévia a conceder pelo administrador do concelho onde se realizassem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ocorrendo no dia 15, terceiro domingo de Agosto, a festa móvel de S. Sebastião em Vilar Maior, que tinha procissão, o pároco recusou-se terminantemente a requerer licença prévia ao administrador do concelho do Sabugal. Alegava o sacerdote que a festa não era dele, mas dos festeiros, pelo que, a haver requerimento, não cabia ao padre assiná-lo nem muito menos fazê-lo chegar ao Sabugal. Limitar-se-ia a presidir à procissão, se autorizada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os mordomos foram ao Sabugal requerer a competente permissão, mas o Administrador, vendo que o padre a não assinara, recusou liminarmente concedê-la, por não ter sido peticionada por quem de direito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chegado o dia da festa, o padre disse missa em louvor de S. Sebastião e no final pediu ao povo para se resignar e abdicar da procissão, pois a falta da licença daria motivos às autoridades para aplicar sanções. Porém, mal o padre abandonou a igreja, as mulheres de Vilar Maior resolveram agir e pegaram nos andores e guiões e saíram à rua com eles, fazendo a procissão, rezando e entoando cânticos. Os homens acabaram por aderir à acção das mulheres integrando-se no cortejo que se fez com normalidade, ainda que em desafio à proibição das autoridades.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O acto do povo de Vilar Maior foi tomado como uma vitória face aos impedimentos republicanos para o normal exercício do culto e o jornal A Guarda, afecto às posições da Igreja, deu larga repercussão pública à digna posição do pároco e à tenaz acção dos seus paroquianos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;In Capeia Raiana, publicação em 2015, na rubrica Efemérides&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 21 Dec 2025 19:55:00 GMT</pubDate>
  <title>Vilar Maior é um presépio o tempo todo</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/vilar-maior-e-um-presepio-o-tempo-todo-632965</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img alt=&quot;Presépio.JPEG&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bfd18874d/22717156_7NphV.jpeg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Natal&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Por não chegar a tempo é que Maria&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Assim cantou um vate já arcano&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Não deu á luz o filho que trazia&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Aqui no nosso sabugal raiano.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Se o tempo precedente ao santo dia&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Em que um deus por nós se fez humano&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Tardasse mais mês e chegaria&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Para ser o milagre lusitano&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Aqui no Ribacoa acastelado&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Presépio de contorno inimitado&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;No orbe eu não sei de outro melhor&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Diria á virgem santa São José&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Procurar outro berço para quê...&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Será novo Belém Vilar Maior&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Dr Leal Freire&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 16 Dec 2025 18:21:00 GMT</pubDate>
  <title>Bodas de Ouro – 50 anos de vida partilhada</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/bodas-de-ouro-50-anos-de-vida-632506</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Toninho Pedro.JPG&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B7f18f2ba/22831749_9BJpQ.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Celebramos 50 anos de união de um casal amigo - O Toninho e a Maria Cândida - um casal daqueles que se confundem com a própria história da aldeia. Cinquenta anos vividos permanentemente aqui, na nossa terra, que é também o berço de antigos ascendentes do Toninho e o chão onde criaram raízes profundas, firmes e duradouras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo destas cinco décadas, não se limitaram a viver na aldeia: deram-lhe vida. Foram empreendedores, inovadores, visionários no seu tempo. Quem não se lembra da primeira lambreta do sr. Zé Pedro, do primeiro táxi, do primeiro trator, ou ainda do primeiro alambique industrial? Ou, mais recentemente, com a implementação do Turismo Rural? Pequenos grandes marcos que trouxeram progresso, movimento e futuro à comunidade, quando tudo parecia mais difícil e distante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas se a inovação marcou o caminho, foi a família que lhe deu sentido. Souberam “prender” os filhos e, mais tarde, os netos — não por obrigação, mas por pertença, por afeto, por exemplo. Garantiram assim a continuidade da família e também da comunidade, mantendo vivos os laços, os valores e a identidade da aldeia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje, nas vossas Bodas de Ouro, ficam os meus mais sinceros parabéns, a admiração e o agradecimento por tudo o que representaram e representam. Deixo este registo neste blog para que a vossa memória perdure, inspire os vindouros e continue a contar a história de quem construiu futuro sem nunca abandonar as suas raízes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parabéns pelos 50 anos. Que venham mais, com saúde, união e a mesma força de sempre&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 11 Dec 2025 11:19:00 GMT</pubDate>
  <title>  Espada de Vilar Maior</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/espada-de-vilar-maior-631522</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div class=&apos;ljparseerror&apos;&gt;[&lt;b&gt;Error:&lt;/b&gt; Irreparable invalid markup (&apos;&amp;lt;img [...] a50&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;&apos;) in entry.  Owner must fix manually.  Raw contents below.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;width: 95%; overflow: auto&quot;&gt;&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;img alt=&amp;quot;Pode ser uma imagem de texto que diz &amp;quot;sung Triple Camera a com Galaxy comGalaxyA50 A50&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://scontent.fopo3-2.fna.fbcdn.net/v/t39.30808-6/594077788_1898389851107503_1384138139361582711_n.jpg?_nc_cat=102&amp;amp;ccb=1-7&amp;amp;_nc_sid=aa7b47&amp;amp;_nc_ohc=TY9vZgcz4OcQ7kNvwHZ8SKd&amp;amp;_nc_oc=Adn-RTMp8G1-b7hoTr7cQ_YwdCgv0lhqlAdSdvmxzm_5fQnPEJwiVJAJr1oRNKB5XDQ&amp;amp;_nc_zt=23&amp;amp;_nc_ht=scontent.fopo3-2.fna&amp;amp;_nc_gid=scAgY3aPqUE6N7Kzzan2rw&amp;amp;oh=00_AfmzKYF3ORRa67yg-3S_sNJBkDQCwy9FaGebAJreQcVDpw&amp;amp;oe=693E2398&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;Esta espada é um indício material forte da ocupação antiga que, junto às gravuras rupestres, outros achados e à topografia - o castelo  no cume de um monte com boa visibilidade sobre o vale do rio Cesarão  - de que este monte tenha sido ocupado desde o Bronze Final e que depois se tenha transformado num povoado fortificado (um castro ou equivalente) durante a Idade do Ferro, que mais tarde foi romanizado e, muito depois, medievalizado com o castelo que vemos hoje. &amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;A História faz-se, antes de mais, com fatos. Uma espada foi encontrada. Sabemos como, sabemos onde,  dabemos quando, sabemos quem. Temos documentos escritos e testemunhos orais. &amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;Para uma melhor e mais fácil leitura para todos fiz a transcrição do documento da cópia do documento que o Carlos Gata nos apresentou, a quem ficamos gratos (pela imagem  também); igualmente gratos ao José Fonseca pelo testemunho recebido do autor do achado o Sr João Valente.&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt; &amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Declaração&amp;lt;/strong&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;António Lopes Quadrado, licenciado em Direito, presidente da Câmara Municipal da Guarda, declaro que recebi do sr João Valente, casado, proprietário, morador em Vilar Maior, uma espada de bronze para ser depositada no Museu regional da Guarda, devendo o sr João Valente receber da Câmara Municipal da Guarda a quantia de dois mil escudos a título de compensação.&amp;lt;/em&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;Logo que a espada seja avaliada por peritos indicados pela Junta Nacional de Educação e lhe seja atribuído um valor superior a seis mil escudos, a referida espada ficará pertencendo à Câmara Municipal da Guarda depois de efetuado o pagamento do excedente ao senhor João Valente ou aos seus legais representantes.&amp;lt;/em&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;                                                   Guarda, 8 de março de 1857&amp;lt;/em&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt; &amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;José Fonseca&amp;lt;/p&amp;gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;&amp;quot;Qu&amp;lt;/strong&amp;gt;em encontrou a espada foi o Senhor Joaõ Valente e embora ele tenha semeado centeio dentro do ressinto d&amp;#39;as muralhas e fora naõ sei quantos anos a espada naõ foi encontrada nesse sítio mas sim no terreno dele que se encontra do lado esqerdo estando a gente em face da grande porta d&amp;#39;as muralhas e esse terreno está cercado por uma parede e foi quando ele andava a rutiar com uma enchada num recanto desse terreno para plantar umas videiras, e nesse sitio encotraõ se dois grandes barrócos perto um do outro, e foi nesse momento ao ele cavar muito mais fundo do que era abitual cavar ou labrar para semear centeio ou outras coisas,e foi entaó num certo momento quandoele estava lançando a enchada á terra que se aperssebeu que tinha.batido numa pessa de metal porque quando bateu onde tinha batido com a enchada ficou a briller,Entaõ ele recuperoua levoua para casa e a pas no téton a entrada da porta de casa&amp;quot;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 15 Nov 2025 16:38:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, Agostinho Teixeira</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-agostinho-teixeira-630974</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Agostinho pala.jpg&quot; height=&quot;424&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Be0183590/22820735_vN6wn.jpeg&quot; style=&quot;width: 593px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda que um pouco atrasado,  quero que neste sítio, onde há um espaço para o &lt;em&gt;&apos;Liber Mortuorum&apos;&lt;/em&gt;, fique o registo de Agostinho da Palma Teixeira, viúvo de Maria da Conceição Valério Dias, filha de Filipe Dias Badana e de Ana Valério. Terá chegado a Vilar Maior há cerca de 50 anos, aquando da descolonização de Angola (11-11-1975) e, como todos os &apos;retornados&apos;, terá sentidos as dificuldades de recomeçar de novo. Foi assim que começou o Café do Pelourinho que funcionou durante alguns anos. Depois passou a residir no Sabugal onde terminou os seus dias. Aos amigos e familiares apresento as minhas condolências. &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 20 Sep 2025 17:17:00 GMT</pubDate>
  <title>As Hortas da Ribeira</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/as-hortas-da-ribeira-629996</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;hortas da ribeira.jpg&quot; height=&quot;639&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B9c18e138/22797761_jWzB4.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;(Fotografia de Carlos Gata)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span&gt;Mudam-se os tempos, muda-se a paisagem. Os que nasceram no século XXI, nunca viram nada assim. A fotografia será da década de 80. Com a emigração iniciada no início dos anos 60, a economia tradicional baseada na pastorícia  e no amanho da terra com o arado, a charrua e a enxada foi sendo abandonada. Primeiro abandonou-se a cultura do centeio, depois deu-se o abandono das vinhas (com a ajuda da CEE que subsidiava o arranque das mesmas), depois as veigas onde se cultivava a batata, o milho, o feijão e o linho até ficarem apenas as Hortas da Ribeira onde uma grande parte das famílias tinha uma pequena leira onde cultivava legumes e hortaliças ( alfácias, couves, tomatas, pimentos, pepinos, melões, etc). Os quintais do Cimo da Vila, terra secadal, onde não entrava o arado, era, cultivados com batata - que era arrancada mais cedo, quando a tulha já tinha terminado - , com couve galega que, na ausência de outra hortaliça, era o que compunha a panela do caldo, com gravanços e uns pés de cardo para coalhar o leite. Tudo foi terminando à medida que se instalavam os &quot;Intermarchés&quot;, superfícies comerciais onde, a troco de dinheiro se tinha tudo, de pior qualidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span&gt;A fotografia, em vésperas de primavera, mostra-nos quintais já semeados, algumas hortas já preparadas para a sementeiras, um rio limpo com o azul do céu refletido, um pomar bem alinhado, casas inteiras com telhado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span&gt;Falta a fotografia atual para ver o contraste, esperando por fevereiro para a editar neste post.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span&gt;E, enfim, agradecer aos últimos resistentes que nos últimos anos lutaram para que a paisagem se aproximasse do que havia sido - José Viana, António Seixas, José da Cruz, Fernando Cerdeira, Adriano Seixas, João Marques e, no presente, António Cunha, Carlos Martins e, se tivesse de haver um prémio iria para António Robalo e Manuela Prata. As desculpas a alguém de que me tenha esquecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 16 Sep 2025 11:10:00 GMT</pubDate>
  <title>O Escritor de Epitáfios</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/o-escritor-de-epitafios-630457</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;O Escritor de Epitáfios&quot; src=&quot;https://img.wook.pt/images/o-escritor-de-epitafios-pedro-gil-vasconcelos/MXwzMTcxMzI4M3wyODIxNjQ3M3wxNzQwNzUxNTgzMDAwfHdlYnA=/250x&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desta vez fui bem enganado. Eu que tenho um blog que alguém, com alguma razão, apelidou de obituário, encomendei o presente livro por pensar que o autor trataria, a sério ou a brincar, da perpetuação do legado dos defuntos. Porque na minha aldeia todas as pessoas são importantes e todas têm uma história que mereceria ser contada, sempre que os sinos tocam a sinal para anunciar (onde o som dos sinos chega) a morte de um conterrâneo, eu no blog faço chegar a notícia até aos confins da terra. Primeiro era o sacristão (o ti Junça, o Daniel, o Alexandre e, por fim, o Chico), agora, que não há sacristão, é um mecanismo elétrico que coloca os sinos  a badalar ou mais exatamente a martelar. Não é a mesma coisa. Também eu um dia morrerei e ninguém mais saberá quem morreu, nem escreverá as breves linhas deo epitáfio do &apos;requiescat in pace&apos;. Até já me passou pela cabeça escrever o epitáfio de todos os velhos da aldeia, incluindo o meu, e deixar encarregado alguém que na hora carregasse no botão: publicar. Dizem os entendidos que uma das primeiras manisfestações ou expressões de humanidade tem a ver com o culto dos mortos provado ao longo da história quer por monumentos gigantescos como as Pirâmides dos egípcios, pela diversidade de artísticos túmulos e de panteões, aos túmulos  escavados nas rochas ou ás campas rasas do cemitério da minha aldeia. Pois, o meu blog é, assim, uma espécie de necrópole onde poderão ver a fotografia do ente querido e umas breves palavras que espelham o melhor da sua viagem terrena. Talvez, com o passar dos anos seja quanto fica, não lavrado em pedra mas numa matéria imaterial, perdoe-se o paradoxo. Concluindo, acho, pois, que é um trabalho valioso. Preservar a memória dos mortos. Com a vantagem de que nenhum deles reclamará.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mas, afinal, por que fui bem enganado?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Porque, esperava uma coisa e saiu-me outra que está completamente dentro dos meus interesses: Andar. E li com gosto a descrição da viagem que o personagem principal faz : O Caminho de Santiago que sempre quis fazer, não fiz e agora não sei se ainda me atrevo. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Como ensinamento devemos saber que no caminho de Santiago ou no caminho da vida todos transportamos uma mochila. Devemos saber o que transportar nela e o peso que carregamos. Saber o que é necessário, deitar a tralha fora.&lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“&lt;strong&gt;Quando fizeres o Caminho nada lhe peças, mas aceita tudo o que ele tiver para te dar”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 15 Jul 2025 10:19:00 GMT</pubDate>
  <title>Enfeitar o chafariz</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/enfeitar-o-chafariz-629037</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;julio palos.JPG&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B06189bfa/22777242_JbzzY.jpeg&quot; style=&quot;width: 720px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;720&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 8pt;&quot;&gt;Ao centro Júlio Palos, ladeado por dois elementos : António Luìs de Britoda, maestro e José Pina, Diretor da Banda Filarmónica de Loriga&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Segundo testemunho de um dos presentes na fotografia, António Luís de Brito, estamos no ano de 1969. O chafariz, com inspiração na arquitetura do castelo, cujas ameias inferiores serviam para colocar os cantâros, era um monumento recente que para além da serventia de àgua com duas bicas, era o orgulho dos vilarmaiorenses, procurado para tirar uma foto de memória para os vindouros. Como esta. O chafariz tornou-se um lugar de intensa  sociabilidade: Era às mulheres que incumbia irem buscar o cântaro da água, mas eram sobretudo as raparigas solteiros que o desejavam,  pela água mas, sobretudo, para se mostrarem. Como a Leonor de Camões: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Descalça vai para a fonte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Descalça vai para a fonte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;leonor pela verdura;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vai formosa e não segura.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Leva na cabeça o pote,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O texto nas mãos de prata,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Cinta de fina escarlata.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Sainho de chamalote;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Traz a vasquinha de cote.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Mais branca que a neve pura;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vai formosa e não segura.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Descobre a touca a garganta,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Cabelos de ouro o trançado,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Fita de cõr de encarnado,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Tão linda que o mundo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;espanta;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Chove nela graça tanta&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Que dá graça a formesura;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;font-weight: 400; text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vai formosa e não segura&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt; Ao aproximar-se a festa do sr dos Aflitos, os rapazes solteiros, grupo com um estatuto especial, roubava, durante a noite, os vasos de flores que as raparigas solteiras haviam cuidado, sabendo bem ao que estavam destinadas: enfeitar o chafariz durante os dias da Festa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 13 Jul 2025 15:47:00 GMT</pubDate>
  <title>Muralhas Lavradas</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/muralhas-lavradas-629314</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;muralhas lavradas.JPG&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B181780b8/22777248_6aRzY.jpeg&quot; style=&quot;width: 723px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;723&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span&gt;Um lavrador tinha de ter brio na arada. Nem sempre se podia lavrar a direito. Olhando para o quadro a lavrar, teria de calcular por onde começar e como iria terminar. Se seriam regos a direito ou em curvatura ou, ainda, se teria de meter regos em falso. Pois, aí tem na fotografia como, dentro das muralhas circulares o lavrador, talvez o ti João Valente que encontrou a célebre espada da idade do bronze, executou a sua arada em geometria curvilínea. A população era muita e os recursos eram escassos. Toda a terra arável tinha de ser aproveitada, neste caso para a cultura do centeio. Estávamos na década de cinquenta do século XX. No século XIX, com a proibição dos enterros nas igrejas, houve um projeto para que, aqui, dentro das muralhas se fizesse o cemitério, não tendo acontecido por se verificar que o terreno não erá propício. O património estava abandonado, os rapazes mostravam a sua valentia em subidas arriscadas à torre de menagem, os namorados aproveitavam um passeio dentro de muralhas, os garotos divertiam a atirar pedras ao castelo ou a mostrar a sua força derrubando as muralhas. Não havia turistas, além dos conterrâneos urbanos que, em família, iam ver o castelo e tirar uma fotografia. Neste caso os visitantes são da família Simões Ferreira  e Araújo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 08 Jul 2025 09:44:00 GMT</pubDate>
  <title>Família Dias Duarte</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/familia-dias-duarte-628181</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Familia Duarte.jpg&quot; height=&quot;615&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B931777c5/22776616_p0JdV.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 8pt;&quot;&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 8pt;&quot;&gt;Da esquerda para a direita: Beatriz, Filomena, Ana Joaquina (mãe), Ana e António.)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Há fotografias, como esta, que falam connosco. A mãe das três jovens, Joaquina Dias (1890-1950) - Pchiu, meninas - nasceu nos finais do século XIX. Os outros figurantes nasceram no primeiro terço do século XX e morrem no primeiro quartel do século XXI. O homem na foto, António Seixas é recém-casado com Ana. Não se encontra o filho mais novo, João, irmão das três jovens que, provavelmente, se encontraria na tropa e viria a ser polícia ou poderá ter sido o fotógrafo.Também não está na foto o pai das jovens, José Duarte (1989 - 1947). As jovens encontram-se com roupa de dias especiais e, dado o ar triste dos rostos e a cor preta dos vestidos, poderá ter sido o funeral do pai. Um pormenor, todas se encontram bem calçadas, de onde se conclui que nem sempre se cumpre o provérbio: &quot;casa de ferreiro, espeteto de pau&quot;. Na verdade, como acontecia noutra famílias o nome da profissão sobrepunha-se ao nome de família, assim se acrescentando ao nome próprio dos filhos (João Sapateiro, Ana Sapateira ...). Ao tempo, havia na Vila, entre outros artistas e artesãos, uma trilogia inseparável no tempo que lhes sobrava dos respetivos ofícios, com visita obrigatória à taberna do sr Gata: Carlos Duarte, sapateiro; José Seixas, pintor; Albino Leonardo, latoeiro. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt; Quando os copos se sucediam, a conversa animava-se e acabavam sempre por defender o ofício que praticavam como o mais imprescindível na vida das gentes da vila.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 20 Jun 2025 11:11:00 GMT</pubDate>
  <title>Gente da minha terra - António Seixas</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/gente-da-minha-terra-antonio-seixas-627678</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Seixas.JPG&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B0517f99e/22771416_QzCGZ.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sou António Cerdeira Seixas e cheguei à Vila no dia 20 de Dezembro de 1924, faz hoje 90 anos. Nenhum de vós tinha chegado, salvo o meu primo Fernando que chegara há dois anos. Em 90 anos o mundo e a vila mudaram muito e a minha vida também. Quando cheguei não havia estrada, não havia eletricidade, não havia televisão nem rádio, não havia telefone.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de tudo, cheguei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No ano em que cheguei, acabavam de construir um cemitério novo com a pedra de uma igreja muito antiga, a Igreja de Nossa Senhora do Castelo; nesse mesmo ano, três meses antes de eu chegar, tinham inaugurado a Capela de Nosso Senhor dos Aflitos, pois, à capelinha acrescentaram o corpo, feito com pedra de uma igreja muito antiga a Igreja do Espírito Santo. Nem uma cruz, em pedra, deixaram a testemunhar o sagrado lugar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de tudo, cheguei&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No ano em que cheguei, mais de metade dos que chegaram, morreram passados poucos dias, meses ou anos. A vila era uma fábrica de anjos. Não havia, por perto, farmácias, hospitais, médicos, ou Segurança Social. O pão era escasso e negro como o diabo que o amassou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de tudo, sobrevivi.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante estes 90 anos muitos chegaram, muitos partiram. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda aqui estou convosco, enquanto Deus quiser.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todos nós temos a nossa história. A minha vai longa, é um livro com muitos capítulos, com muitas páginas e as infinitas linhas da minha vida cruzam-se com as vossas próprias linhas de sangue, de palavras e de obras. O privilégio de nascer na vila, de viver na vila, de morrer na vila é poder ter tantos parentes, ter tantos vizinhos, ter tantos amigos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha mãe, que perdi antes de completar quatro anos de idade, corria a primavera de 1928, chamava-se Ana. Tinha três, irmãs: a Filomena (mãe da Leonor que casou com o meu irmão César); A Justina, mãe do Xico Cunha; a Maria. Tinha dois irmãos o Francisco (1891-1965) e o Manuel (1891-1965). Todos eles filhos de José Cerdeira, pastor, e de Isabel dos Santos, tornaram-se numa das famílias maiores da Vila que enquanto a emigração não chegou se cruzaram com os diversos ramos de outas famílias, por regra, da vila também: Com Monteiros, Cerdeiras, Caramelas, Silvas, Lavajos, Fonsecas, Proenças, Santos, Cunhas, Seixas, Pratas, Badanas. Por via dos Cerdeiras, para além da costela de Eva, terei uma costela galega, se verdade for que os Cerdeiras da Galiza aqui vieram parar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu pai, José Seixas (1884-1948), era filho de João António Seixas, com a profissão de caiador, e de Ana Monteiro (1852-1917) que tiveram ainda, a Isabel e o Bernardo, gente de que só os mais velhos se lembram. Casou com a minha mãe no dia 5 de Fevereiro de 1916, ele com a idade de 32 anos e ela de 26 anos. Quando cheguei já tinha cá o irmão César e a irmã Isabel. A Hermínia chegou e foi antes de mim. Depois mais uma Hermínia que chegou e foi depois de mim. Mais dois anjinhos a aumentar a corte celestial. Todos Cerdeiras de mãe e Seixas de pai.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mãe morreu. Não me lembro. Meu pai precisado de mulher para ele e de mãe para os filhos, casou em Novembro de 1928 com Mercês Dias, de 27 anos, natural de Badamalos. Nasceu, então, a Maria, o Adriano e o João.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; A esse tempo não havia meninos, mas garotos; não havia educação mas instrução. Os pais davam a criação que, para além do sustento, significava tornar os filhos bem-mandados o que se fazia seguindo o dito popular, que fazia lei na ausência dela, &lt;em&gt;Quem dá o pão, dá o pau&lt;/em&gt;, e se o primeiro andava arredio, o pau estava sempre à mão. Os mal-mandados eram malcriados que a desobediência sempre foi a causa da desordem e por mor dela é que andamos neste vale de lágrimas. A instrução primária na escola seguia o mesmo objetivo – ser bem-mandado – e seguia o mesmo método – com a imprescindível régua, que com regra e régua se haviam de fazer gente bem mandada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Devo confessar que ainda que me tenham aplicado o método com rigor, o objetivo ficava muito aquém, o que levava sempre ao reforço do método.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os anos passavam e, quase sempre, com mais pau e menos pã, ia crescendo à pressa e pouco, o suficiente para aprender o essencial à vida, procurar o bem e fugir do mal, baseado em estratagemas e artimanhas, em safar-me desta que depois logo se vê, porque enquanto o pau vai e vem folgam as costas, uma filosofia prática que não havia tempo para cogitações. A artimanha era para os filhos do &lt;em&gt;deus dará&lt;/em&gt; a mais necessária de todas as artes, a única mesmo que resultava na luta pela vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas, porque filho de peixe, sabe nadar, ainda que contrariado, lá ia, ajudar o meu pai caiador, abranger-lhe isto e chegar-lhe aquilo, fazer-lhe um recado a este e outro aquele, ir ao comércio comprar uns pregos caibrais, com umas lamparinas pelo meio, por mor de não fazer as coisas como lhe era dado. Foi assim que de garoto passei a rapaz e, mais, do que pensava, aprendi as regras do ofício de meu pai, mesmo as que eram segredo seu: a composição das cores. Sempre que chegava esse momento, para ele um ritual sagrado, havia de arranjar maneira de que eu não visse e me afastasse do local e do momento. Umas vezes espreitei, outras vezes a D. Balbina minha protetora tomava nota para depois me transmitir as doses, sequências, jeitos e formas de confeção que faziam o milagre da cor, em mistura de que resultavam cores inigualáveis. Quem disto duvidar que dê um passeio pela Rua de Baixo e que atente nas sancas dos beirais deteriorados, nas orlas de janelas a desfazerem- se, no reboco gasto pelo tempo a desprender-se … e lá está a cor como se imanente fosse aos materiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era isto que o ti Zé Seixas temia, que alguém se botasse a fazer tintas como só ele fazia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Nem o meu Tonho algum dia o saberá! Nem o meu Tonho! Dizia para si e disse-o aos amigos um dia em que o vinho foi mais generoso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Disse-o, em voz baixa, ao Zé Duarte, Sapateiro e ao Albino Leonardo, Latoeiro, uma trindade cujo deus das horas vagas era baco, o único a que verdadeiramente adoravam naquele altar que era a taberna do senhor António Gata. Ali, alongavam as horas como se o mundo e a vida passassem a uma dimensão transcendente e só ali encontrassem perguntas e respostas incomuns. O Albino dizia, solene, em parte adiantada do cerimonial:- É do vinho – digo-vos- é do vinho que virá a salvação da humanidade. Convicto da sua tese, resolveu proceder ao surribamento de terras para plantação de vinhas, tanto quanto o amealhar do ofício e a bondade da sua Zabel lho permitiam. E do muito vasilhame que lhe saía das mãos a sua preferência ia para os cântaros para medir e transportar o líquido salvífico e para os funis grandes para o introduzir em enormes tonéis. Sem vinho, nem verdade, nem salvação!  In vino veritas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o Zé Duarte era diferente. O mundo é o que é, mesmo quando o vinho o inspira, o mundo não deixa de ser o que é. O melhor que há a fazer é aceitá-lo e ajeitarmo-nos a ele. E numa filosofia feita de evidências não pensadas dizia que as imperfeições e as asperezas da vida é que são a razão de haver ofícios como o dele. E virando-se para o Leonardo que era homem que vasculhava livros antigos e outros de sabedoria oculta, como o Livro dos Engrimanços do S. Cipriano, questionou-o sobre como é que Adão e Eva podiam sair do paraíso para a terra, sem caminhos feitos, e sem calçado que os protegesse de espinhos e abrolhos. Não iriam muito longe, a menos que a Terra ficasse logo ali ao virar da esquina.         &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deixados os éteres tabernais, baixado à realidade banal e brutal, o que o meu pai temia era a concorrência, porque eu, garoto a caminho de rapaz, para ganhar algum, fazia os ajustes mais baixos e, não me tendo instruído muito na escola, depressa a vida me ensinou a fazer contas sem prova dos nove mas com prova real. Claro que as minhas tintas não eram as tintas do ti Zé Seixas, mas quem se interessou pelas tintas do ti Zé Seixas senão ele mesmo? Estou em crer que meu pai era um artista capaz de perder tempo e dinheiro a fazer pintura para olhos que a não apreciavam. Há pinturas dele no coro da Igreja de S. Pedro, alguém repara nelas? A pintura do Escudo de Armas na parte inferior do coro, que eu lhe vi fazer, taparam-no, sem cerimónia, com o para-vento da porta principal. Meu pai, sim, era um artista. Um artistão, diria o Zé Vicente, uma alma cujo génio ficou encolhido no emaranhado das circunstâncias atrofiadoras do espírito criador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sou um artesão com gosto na obra bem feita, mas sem paciência para esperar por amanhãs longínquos. Impaciento-me se o caldo demora a chegar à mesa, se a fruta fica serôdia no amadurar. Por isso, porque o sol não tem pressa tanta vez me levantei antes dele. Sei que é preciso dar tempo ao tempo mas desgosto-me que assim tenha que ser. Talvez porque tive que me fazer à pressa: se ficava para trás ninguém me esperava, caída a noite ninguém me procurava, se não comia ninguém se ralava. Assim que pude libertei-me do mando do meu pai a quem servia a troco de quase nada, justando um reboco aqui, uma taipa ali, uma pintura acolá, tudo coisas de pequena monta mas que me permitiram dar cumprimento à maldição bíblica do “ganharás o pão com o suor do teu rosto” e ser dono de mim mesmo, pela primeira vez, o gozo de ter dinheiro, de poder dispor dele, de comprar um espelho e um pente, uma caneta de tinta permanente, um relógio, de comprar uns sapatos, uma navalha. Mais do que tudoisso, um lenço para oferecer à Ana. Sim, à Ana filha do amigo de meu pai, o Zé Duarte, o ti Zé Sapateiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A amizade descobri-a desde cedo na partilha da condição de outros garotos como eu, filhos do &lt;em&gt;deus dará&lt;/em&gt;, que era o único que cuidava de nós. Na ausência do que de nosso pudéssemos partilhar, congeminávamos idas aos ninhos, subidas a sítios impossíveis, desafios de cuspir longe e de mijar alto, de atirar pedras mais longe, cada vez mais longe, de fazer uma barrela ao Pantaleão ou de atentar o tonto de Valongo. E, claro, mais do que ir ao rebusco, roubar fruta pelo prazer de roubar e pelo prazer da fruta. Nada há que saiba tão bem como fruta roubada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O amor é coisa mais complicada que a amizade. Não se sabe quando vem, não se sabe como chega: talvez seja uma chispa nascida de um cheiro, de uma cantiga atirada ao ar, ou, mais provável, de um olhar. Aceso o lume será, ora brando brasio ou labareda intensa, ou incêndio indomável reduzindo tudo a cinza. E a cinza pode parecer apenas cinza, mas, por vezes, há uma brasinha que restou escondida e que, acarinhada, reacende a chama do amor. As vidas longas, se são vidas vividas, passam por tudo, por isso,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de tudo, estou aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(aniversário dos 90 anos comemorado no Centro de Dia)&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 04 Jun 2025 18:05:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, Beatriz Martins - José Manuel Fonseca</title>
  <author>julmar</author>
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Em 1961 o Zé Jerónimo emigra para o Reino de França, como se dizia “tentar a sorte” fugindo à miséria a que a demasiado grande maioria o povo de Vilar Maior estava destinado, meses depois junta-se a Beatriz com os três filhos, também eles numa passagem a “SALTO”, recordo para sempre a amizade com o organizador desta passagem, o Vicente da Nave.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Do reino de França recordo a Felicidade da família e o “mais que grande” orgulho da Beatriz em francês “fierté”, pelo reconhecimento no bairro onde viviamos, fica para sempre os 100 Anos de Mèmère, da incondicional amizade da Madame Cartier e os seus gatos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Foi com esse orgulho, e aí sim vaidade, que recordo Beatriz a assistir na primeira fila a entrega de prémios escolares do filho sob admiração, alguma inveja e talvez incompreensão à mistura de alguns outros pais franceses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Desde muito cedo que Beatriz assumiu que a geração seguinte melhor vingaria com a aposta no ensino e foi com esta convicção que no início dos anos setenta decidiu enviar os filhos para Portugal onde foram colocados em colégios em regime de internato, foi um sucesso em termos intelectual amas a separação entre pais e filhos, demasiado dolorosa. Até fisicamente recordo o Zé com peso a mais para a idade e passado um ano tinha peso a menos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Beatriz decidiu regressar a Portugal para se juntar com os filhos o Zé Jerónimo viria depois, assim a Beatriz encontrasse casa na Cidade da Guarda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O Zé Jerónimo nunca mais voltou a reunir-se com a família e Beatriz só com o seu trabalho, melhor “trabalhos”, coragem e determinação que inclui uma horta manteve os filhos a estudar, com o reconhecimento e admiração de todos os que a conheceram. Teve muitas vezes que aplicar, contra vontade disciplina, rigor e exigência para com os filhos…reconheço, tinha mesmo de ser!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Nunca Faltou amor, recordo tempos de adolescência em que os primeiros amores ferem e, à Beatriz, a quem passei a tratar de “MMA”, pedia colo e ela largava tudo, inicialmente incomodada com a falta de tempo, porque tinha sempre imensas tarefas/trabalhos. Deitava-me com a cabeça no colo da MMA e curava tudo...dizia-me eu sei Zé, acariciava-me esquecia o tempo que não tinha e dava-me todo o tempo do mundo até me sentir melhor ... e a MMA repetia ei sei Zé, e… só com isto sentia-me compreendido, nessa adolescência que nenhum dos que são adolescentes compreenderão alguma vez! O colo da MMA tudo curava! E eu toda a vida lhe pedi colo!.. como quem pedia a Bênção à Mãe. Na Vila, cientes do poder da mãe os filhos diziam “dê-me a sua Bença mãe”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Crescemos, …a vida separou-nos, tivemos que ir à luta com a Beatriz como exemplo, recordo os momentos dos reencontros, casamentos, alguns dias de Natal, nascimentos dos netos, … &lt;span class=&quot;html-span xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1hl2dhg x16tdsg8 x1vvkbs&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;html-strong xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1hl2dhg x16tdsg8 x1vvkbs x1s688f&quot;&gt;todos com linhagem da Princesa Beatriz&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Não estivemos mais juntos porque os terríveis enjoos/vómitos de que padecia nas viagens, não nos permitiam exigir o seu sacrifício.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Dos filhos, netos, bisnetos e de todos os que tiveram o privilégio de a conhecer, sobra a consensual admiração, carinho, amor pela nossa PRINCESA BEATRIZ!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; tabindex=&quot;-1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;…e… eu…PERDI O MEU COLINHO MMA!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;html-div xdj266r x14z9mp x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x1e56ztr&quot;&gt;&lt;span class=&quot;x6zurak x18bv5gf x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 xzsf02u xlh3980 xvmahel x1x9mg3 xo1l8bm&quot; style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Texto de José Manuel Fonseca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 03 Jun 2025 10:53:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, Lurdes Martins</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-lurdes-martins-626232</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Lurdes Martins.jpg&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B90186473/22765528_Oo5VN.jpeg&quot; style=&quot;width: 720px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;720&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 8pt;&quot;&gt;(Foto e texto de Vitor, neto da falecida )&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Faleceu Maria de Lurdes das Dores Martins, filha de José Martins e de Maria das Dores, nascida em 1942. Há gente que nunca abandonou Vilar Maior: A Lurdes foi uma testemunha de todos os que partiam e de todos os que chegavam, de tudo quanto mudou e permaneceu na Vila. A sua humildade, bonomia, amabilidade e educação será um legado precioso que nos deixa. Da última vez que esttive na Vila, à porta de sua casa, da conversa demorada com o senhor Bernardino, ficou-me o prenúncio,  &lt;em&gt;A Lurdes está no hospital, está muito mal. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As minhas sentidas condolências para o senhor Bernardino, para os filhos e toda a família.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 22 May 2025 10:48:00 GMT</pubDate>
  <title>Vilar Maior em meados do séc. XIX - Registo de Batismo</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/vilar-maior-em-meados-do-sec-xix-625831</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Registo de Batismos de 1845 a 1860&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No livro de registo dos batizados (Torre do Tombo) de 1845 a 1860 constam 377 assentos. Que informações podemos colher de um documento destes? Para isso convém saber qual a estrutura deste tipo de documento. Em primeiro lugar, o seu autor é sempre o pároco da freguesia que, neste caso é o padre Joze Ignacio de Faria, ilustre personagem da Vila e de quem noutro sítio falaremos. Em regra, é o próprio pároco que realiza o batismo mas pode ser realizado, sob sua licença, por outro clérigo. E temos sorte que o padre Joze Ignacio de Faria é uma pessoa diligente e cuidadosa com uma caligrafia facilmente legível, com as circunstâncias de, por vezes, se esquecer de molhar a pena no tinteiro e de nos vermos às aranhas para a decifração de uma ou outra palavra. São vários os párocos a quem ele autoriza fazer batizados – ao capelão da Misericórdia Vila de nome Florêncio José da Silva, a padres de familiares dos batizandos, aos párocos vizinhos (Aldeia da Ribeira, Badamalos, Malhada Sorda, Reboloza). Diz o documento o primeiro nome (e apenas o primeiro) do batizando que, quase sempre, vai ao nome dos pais, dos avós ou dos padrinhos. A maior parte são nomes comuns, no caso dos homens, por ordem decrescente: Joze (46); António (39); Manoel (20); Joaquim (19); Bernardo (16); João (14); Francisco (13); Júlio (6) e, menos comum, um tal Hipólito.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No caso das mulheres, surge, destacadamente, simplesmente, Maria (73); depois:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Izabel (17); Anna (11); Luiza (8); Joaquina (6); Justina (6). Alguns nomes menos comuns como Felicidade, Felizarda, Izadora (que, já no séc. XX, o povo abreviou para Gidória, a uma descendente chamada Maria Dias), Josefa, Jozefina, Brígida, Ignácia ou Henriqueta.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;São mencionadas circunstâncias excecionais como as de que foi batizado sob condição de necessidade, de perigo de vida, solenemente ou particularmente, ou de haver dúvida sob ter ou não ter sido batizado.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Segue-se depois a filiação referindo o nome do pai e da mãe e a naturalidade dos mesmos, se se trata do primeiro ou segundo/terceiro matrimónio de algum dos cônjuges, se é filho legítimo ou de pai incógnito, se é mãe solteira (3), ou se os pais são solteiros (1).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No caso dos Expostos (23), não há, obviamente filiação, mas aporta-nos outro tipo de informações, como se descreve noutro local.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A naturalidade dos ascendentes aporta-nos um interessante conjunto de informações sobre a circulação de mulheres e homens e atrás deles todo o tipo de comércio. A Malhada Sorda aparece como a terra que mais trocas faz com a vila. Interessante também a quantidade de trocas entre a Quinta da Arrifana, como é designada à época, e Badamalos. As trocas fazem-se, desigualmente, com as terras vizinhas: Nave de Haver, Bismula, Batocas, Poço Velho, Carvalhal, Aldeia da Dona, Aldeia da Ponte, Alfaiate, Miuzela, Monteperobolso, Freineda, Jarmelo, Safurdão, Marmeleiro, Sabugal, Penamacor, Fundão. E, também, Allamedilla, em Espanha, Guarda, Porto. Certamente, por razões de honra, alguns viriam batizar os filhos a uma terra estranha e o padre Joze Ignácio não seria pessoa, conhecedor, por experiência própria, das fraquezas da carne, de recusar o sacramento, porta de acesso à salvação. Um dos assentos descreve pormenorizadamente a cerimónia do batismo de um adulto, que ele calcula ter vinte anos(de que noutro lugar daremos conhecimento).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os nomes dos padrinhos é um outro dado importante. Para além dos laços de consanguinidade, a comunidade vivia dos laços de vizinhança e de patrocinato na construção de formas de cooperação na troca de trabalho e de produtos e no estabelecimento de formas mutuamente aceites de domínio/subordinação. Por vezes, ter um bom padrinho significava poder ganhar com regularidade o jornal, obter um favor, enfim, sentir alguma proteção. Por aqui, se repetia amiúde, “&lt;em&gt;Quem tem bons padrinhos, não morre na prisão”&lt;/em&gt;. Em torno do patrocinato quantas histórias ouvimos contar, quantas outras, muito mais, nunca foram contadas!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O registo de batismo é o início da história de cada indivíduo que vem ao mundo. Para muitos foi a única história que sobre eles se escreveu que, para alguns deles, começou por ser uma história de abandono, como a de Maria Natividade:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;Assento de Batizado de uma Exposta&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;«Aos vinte dias do mês de Dezembro de mil oitocentos e cinquenta e nove, o Revº Joaquim Sacadura, capelão desta freguesia baptizou particularmente a uma Exposta a que pus o nome de Maria da Natividade aparecida à porta de Domingos Fernandes desta freguesia que mora de traz da Misericórdia sendo exposta na noite de dezanove para o dia vinte, não trazia papel algum por onde constasse ter sido baptizada, no dia vinte e um do dito mez lhe pus os Santos óleos, trazendo de enxoval duas envoltas, uma touca, …, cinco cueiros, quatro camisas, duas toucas, …, uma liga e para constar por este assento era ut supra»&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;Reverendo Joze Ignacio de Faria»&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 03 May 2025 10:33:00 GMT</pubDate>
  <title>Passeio pela pena do poeta - Vilar Maior</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/passeio-na-pena-do-poeta-vilar-maio-625264</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Ponte .png&quot; height=&quot;652&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B8e17f29c/22756797_pFOyZ.png&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;VILAR MAIOR&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Muita água!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Muita Fraga!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E muita giesta!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vilar Maior! Badamalos! Arrifana!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Folha do Escabralhado e da Bismula!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Terras por onde o rio da minha alma corre!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O lugar do Pereiro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E lá ao fundo cantando a Ribeira…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O cheiro a resina dos pinheiros…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A flor das giestas…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As maias!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O açude dos dos Gatas acima das poldras!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O moinho! As Veiga semeadas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E ao passar ao bacelo do Carlos Freire,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A curva das cerejeiras…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A torre de menagem …&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A flecha branca da igreja…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As alminhas…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O Pelourinho…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O paço dos Rebochos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A lenda da senhora dos cornos…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vozes e passos indo e vindo no grande no casarão deserto…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Almas penadas do outro mundo…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E o Vento fazendo ranger as portas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As noites frias!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A lareira acesa pela noite fora!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As bogalhadas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Os caretos de Entrudo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O toco! As janeiras!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As ceifas, as malhas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Os bailaricos no terreiro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A concertina do Zé Laranja …&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Eternamente desafinada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;(como se alguém se importasse!...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;a tocar no cima do povo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A capela dos Senhor dos Aflitos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A capelinha de S. Sebastião…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Carreirinhos abertos na erva das Hortas da Ribeira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Levando aos poiares de pesca!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Leiras de pimentos e feijões de estacada ao alto nas hortas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai a frescura da adega!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai o presunto dependurado do tecto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;(guitarra portuguesa comida às fatias)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Com um copo de tinto a correr da pipa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai pimentos curtidos na talha!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai queijinho fresco de cabra todos os dias!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E as resguardas da ponte…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai se aquela resguardas falassem!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Sob a nogueira ao portão do Manel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Os beijos dos namorados!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai nogueira que velha estás!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai casais de namorados, o que é feito de voz agora?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai Mocidade! Mocidade!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Quando o sonho comandava a vida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A minha gaita-de-beiços&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Comprada no mercado de Alfaiates!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Como me lembrais agora?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E a grande Amoreira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;que havia no Curral grande do Simões&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E a rusga aos ninhos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E o rebusco às vinhas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;à saída da escola?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E o Chico Bárbara passando à porta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;a cavalo no seu boi preto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;cumprimentando com um ´’olá menino Joãozinho’?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Ai! Ai! Ai!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Mil vezes ai!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Que a minha mocidade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;há muito foi na enxurrada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;da vida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Agora…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;É a Marta quem me diz&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;- Pai vamos apanhar as sardaniscas!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E eu…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Mocidade… Mocidade…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Pela mão dela,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Vou&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;à caça de sardaniscas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;nos muros dos quintais…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Também&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;a cavalo no meu boi&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;preto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;João Valente Martins&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 14 Apr 2025 09:18:00 GMT</pubDate>
  <title>Tratado da cegueira</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/tratado-da-cegueira-624068</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Cegueira.jpg&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B9018d1c1/22750804_266g2.jpeg&quot; style=&quot;width: 540px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;540&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span&gt;Às vezes espanta-me a cegueira dos outros, desta vez envergonho-me da minha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;div class=&quot;relative max-w-[var(--user-chat-width,70%)] bg-token-message-surface rounded-3xl px-5 py-2.5&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;whitespace-pre-wrap&quot;&gt;Fiquei maravilhado por ter descoberto, ao fim de anos e anos, a passar nesta via de entrada principal da Vila, a olhar sem prestar atenção, sem reparar que aquele banco, onde me terei sentado algumas vezes, à beira do caminho,  podia, com mérito, ser uma obra de arte. Uma obra de arte silenciosa, humilde e profundamente comovente.  O artista, sem pretensão estética, não olhou apenas à parte utilitária do objeto, pois, esculpiu ao centro, à altura de uma pessoa nele sentada, um rosto humano sereno e compenetrado; do lado direito um copo e do lado esquerdo uma garrafa; um subtil convite a uma paragem para um breve descanso e retemperar forças do peregrino a caminho da Senhora da Ajuda. Rente ao chão estende-se um cordão de granito, aproveitamento do resto do que teria sido uma pia; o fundo é uma vulgar parede caiada de branco onde a erosão ao longo dos anos foi desenhando um mapa de contornos indefinido. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;whitespace-pre-wrap&quot;&gt;Por vezes, a arte está no vulgar; por vezes, as coisas mais comuns abandonam os trapos gastos da familiaridade; por vezes, cai-nos a venda quotidiana, e a realidade já não é o que era, transfigura-se; por vezes para vermos melhor, temos de fechar os olhos.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/article&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 01 Apr 2025 15:39:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, Beatriz Duarte</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-beatriz-duarte-622922</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Beatriz.JPG&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B8d17392d/22748034_OzLJR.jpeg&quot; style=&quot;width: 405px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;405&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;(15.05.1933 - 29.03.2025)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Faleceu a ti Beatriz. A filha mais nova de José Duarte e de Ana Joaquina Dias, irmã da Filomena, da Ana e do João. Com a sua morte aproxima-se o fim de toda uma geração que viveu tempos difíceis. A Beatriz, sozinha, criou quatro filhos, hoje quatro homens. Trabalhou duramente na aldeia, fazendo trabalho na casa e no campo. Como tantos emigrantes, também ela demandou as terras de França onde trabalhou durante muitos anos. &lt;span&gt;Por fim,  regressou à sua aldeia, trazendo consigo as marcas de uma existência vivida com valentia. Com a perda da autonomia, ela que toda a vida cuidou dos outros, encontrou cuidados e acolhimento no lar da Bismula onde terminou os seus dias. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Do seu jeito de ser fica-nos a sua amabilidade, o seu sorriso, o seu exemplo de mulher corajosa e cuidadora e, sobretudo, generosidade. E, na hora da morte o que fica não é o que recebemos mas o que demos. O funeral decorreu na segunda feira, com missa de corpo presente, a que se seguiu o enterro no cemitério, num harmonioso fim de tarde de sol primaveril.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aos filhos José, Carlos, Fernando e António e suas famílias as nossas sentidas condolências.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;&quot;Aqueles que passam por nós, não vão sós,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;Não nos deixam sós,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;Deixam um pouco de si,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;levam um pouco de nós&quot; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;                                                                  Antoine de Saint Exupéry&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 09 Mar 2025 16:11:00 GMT</pubDate>
  <title> 2000 Postagens de História, Memória e Emoção</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/vilar-maior-minha-terra-minha-gente-622155</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://scontent.fopo3-2.fna.fbcdn.net/v/t39.30808-6/462288666_8425787817537019_5245357014551830801_n.jpg?_nc_cat=107&amp;amp;ccb=1-7&amp;amp;_nc_sid=2285d6&amp;amp;_nc_ohc=goFGjfgmHTkQ7kNvgHWtb8d&amp;amp;_nc_oc=AdgcxLb_AUop6qKzGhHHlIZwrPTK_p_cUO0Uxl2wDgLlIUTXK_XUgJppi1-UwDOQIJk&amp;amp;_nc_zt=23&amp;amp;_nc_ht=scontent.fopo3-2.fna&amp;amp;_nc_gid=AJZMKXRcbAW1ipOaiajczXZ&amp;amp;oh=00_AYFnMFaEnK2ezFhc9etOoz5ruz6HmJii_Uqx1x5xbPymag&amp;amp;oe=67D3A229&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Caros leitores e conterrâneos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Hoje, ao sentar-me para escrever mais uma vez neste espaço que construímos juntos, fui tomado por uma surpresa e uma emoção indescritível: este é o post de número 2000 do blog &lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Vilar Maior, minha terra, minha gente&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Parece que foi ontem que, em 6 de agosto de 2006, publiquei as primeiras palavras neste cantinho virtual dedicado à nossa terra, à nossa história e às nossas memórias. O tempo passou e, com ele, vieram tantas recordações, relatos, fotografias e partilhas que ajudaram a manter viva a identidade de Vilar Maior e o amor que nos une a esta terra. Por aqui passou tanto da Vila - pessoas, lugares, acontecimentos, histórias. Tudo aqui registado, vivos e defuntos. Aqui se reencontraram pessoas das mais diversas partes do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Cada post publicado foi um elo nesta corrente de memória coletiva. Juntos, revisitámos tradições, contámos histórias de gentes que marcaram a nossa comunidade e celebrámos as belezas que fazem de Vilar Maior um lugar tão especial. Mas, acima de tudo, fortalecemos laços, mesmo à distância, porque este blog sempre foi mais do que um simples espaço virtual: é um ponto de encontro para todos aqueles que levam Vilar Maior no coração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;A marca dos 2000 posts não é apenas um número. É um testemunho do carinho e dedicação que tenho por esta terra, mas também da força da comunidade que se reuniu em torno deste espaço. Cada visita, cada comentário, cada partilha me impulsionaram a continuar e são a razão de eu seguir escrevendo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Agradeço, de coração, a todos que acompanharam esta jornada, seja desde o início ou nos anos mais recentes. Que venham mais histórias, mais memórias, mais recordações e, quem sabe, mais 2000 postagens para honrar e celebrar nossa querida Vilar Maior!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Com gratidão e amizade, Júlio Marques&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 08 Mar 2025 20:24:00 GMT</pubDate>
  <title>Às Mulheres da minha aldeia</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/as-mulheres-da-minha-aldeia-621764</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Graça rendeira preto.jpg&quot; height=&quot;609&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B9817aafc/22740380_nyZ8j.jpeg&quot; style=&quot;width: 889px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;889&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;As mulheres da minha aldeia sempre foram o pilar invisível, mas inquebrantável, que sustentou famílias, tradições e memórias. Eram elas que amanheciam antes do sol, preparando o pão, cuidando dos filhos, lidando com a terra e com os animais, sem nunca se queixarem do peso que carregavam nos ombros. Mulheres de mãos calejadas e olhares firmes, que sabiam que a vida era feita de trabalho e resistência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Também havia os homens – e que seria deles sem elas? A natureza, na sua inteligência, mandava, regra geral, que os homens morressem primeiro, pois não saberiam cuidar de si. Viúvas ficavam vestidas de negro para sempre, não apenas em sinal de luto, mas porque a sociedade esperava delas essa devoção silenciosa. Seguiam em frente, carregando sozinhas a memória dos que partiram e a responsabilidade de manter as famílias unidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Na minha aldeia, as mulheres eram as primeiras a levantar e as últimas a descansar. Elas davam à luz, criavam os filhos, enterravam os seus mortos e seguiam vivendo, mesmo quando a vida parecia não lhes dar tréguas. Eram donas de uma força silenciosa e de uma dignidade que o tempo não conseguiu apagar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Hoje, quero homenagear essas mulheres, que foram mães, avós, irmãs e filhas, que amaram e sofreram em igual medida, que riram e choraram sem nunca perder a essência daquilo que eram. Mulheres que, mesmo sem saber, ensinaram-nos o verdadeiro significado de coragem e resiliência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Lembramos aquelas que, desde tenra idade, pegaram na enxada e no sacho, que cavaram a terra com mãos calejadas e pés firmes, que mondaram ervas, ceifaram o trigo, regaram os campos, garantindo o sustento da casa. Mulheres que, mesmo cansadas, voltavam para os seus lares, onde a lida nunca terminava. Acendiam o lume, enchiam a panela com o que a terra dá e, com mestria, aproveitavam cada ingrediente com sabedoria, lavavam a roupa na presa de Vale de Castanheiros ou na ribeira, fiavam e teciam, transformando fios em peças de aconchego. E cantavam, para afugentar o mal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Foram mães dedicadas, esposas incansáveis, filhas diligentes e avós sábias. Carregaram cestos e cântaros à cabeça, levaram os filhos ao colo e suportaram fardos invisíveis, aqueles que a vida lhes impôs sem pedir licença. Com a força de quem nunca desiste, enfrentaram o vento e a chuva, o frio e o calor, sem nunca baixar os braços. Resistiram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Hoje, queremosr lembra e honrar estas mulheres. Porque foram elas que, com sacrifício e resiliência, ergueram famílias e transmitiram valores. São elas que nos ensinaram que a verdadeira força não mais do que nos músculos, se encontra na alma, na coragem de continuar, no amor que colocaram em cada tarefa, em cada gesto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Que neste dia e em todos os outros, possamos reconhecer e agradecer o legado que deixaram e continuam a deixar. Porque sem elas, a nossa aldeia não seria o que é. Sem elas não seríamos, deram-nos tudo. deram-nos a vida, cuidaram de nós. A todas as mulheres da nossa terra, a nossa eterna gratidão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 07 Mar 2025 19:34:00 GMT</pubDate>
  <title>Requiescat in pace, Lurdes Cunha</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-lurdes-cunha-621176</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Lurdes cunha.JPG&quot; height=&quot;720&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B2d17c3a2/22740442_dVhlt.jpeg&quot; style=&quot;width: 540px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;540&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com 85 anos de idade, faleceu, em França, a nossa conterrânea Lurdes Bárbara Cunha, filha de Francisco Cerdeira Cunha e de Justina Bárbara. Fazia parte de uma extensa fratria: Isabel, José, Manuel (já falecidos) e Celeste, Francisco, António e Fernando. Apresentamos as nossas condolências às filhas, irmãos e restante família.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 06 Mar 2025 18:36:00 GMT</pubDate>
  <title>HOJE NÃO HÁ MÉDICO.</title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/hoje-nao-ha-medico-620676</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;LÁSTIMA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Acabaram-se as brincadeiras e o caracteristico ambiente de folia e&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;boa disposição dos dias carnavalescos .&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Voltamos à realidade das venturas e agruras do dia a dia comuns.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Logo de manhã,bem cedinho,ainda sob o manto cinzento do alvorecer chuvoso,meto-me a caminho do Centro de Saúde da nossa cidade do Sabugal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Não há marcações e ê confiar na sorte de se ser atendido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Com pontualidade germânica ,que é aconselhada a quem quer ver resolvidos os seus assuntos mais urgente,meti caminho pelos 20 quilómetros que distam da minha residência até à cidade capital do concelho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;A sala de espera muito composta de gente de idade avançada, aguardava pela ajuda daqueles em quem se confia,em última instância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Pontualmente,às 8 horas , a funcionária administrativa faz deslizar o pesado vidro da abertura e,com voz timida e seca,anuncia o que todos já temem: HOJE NÃO HÁ MEDICO!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Hoje não ha medico,como não houve muitas vezes no passado recente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Medico que &quot;garante&quot; urgências e atende os que têm direito a medico de familia ,e não o têm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Assim,aqui não há marcações e quem precise de atendimento médico proximo,tem de arriscar . Ou tem de ter meios para procurar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;a medicina privada,a medicina dos priveligiados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Quem cala consente e estas gentes humildes,não têm outra consolacāo que não seja esperar por melhores dias,que nunca mais chegam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Carlos Gata&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 13 Feb 2025 18:21:00 GMT</pubDate>
  <title>Viagens para a Vila </title>
  <author>julmar</author>
  <link>https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/viagens-para-a-vila-617544</link>
  <description>&lt;p&gt;(Texto de 2004, do blog Pitagórico antes do nascimento do Vilar Maior, minha terra, minha gente)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais uma vez me pus a caminho pelo IP5 que por Albergaria nos leva à raia. Chegados a Vilar Formoso, vira-se a Sul, passas-se por Nave de Haver, ao lado das Batocas e depois de virar à direita passa-se por Aldeia da Ribeira e chega-se a Vilar Maior. Com esta viagem não nos deslocamos apenas no espaço: mergulhámos no Portugal interior, profundo, no antes de D. Dinis: as pessoas velhas que por lá moram e os mais novos que por lá vão, vêm do princípio dos tempos, basta olhar-lhes atentamente as feições. Entramos ali como se fizessemos um parentese na História - estão ali os personagens todos no presente que são e no passado que se lhe conhece. Eu olho-os e falo com eles e pergunto-lhes pelos parentes e ficam satisfeitos por dizerem e eu por ouvir. Contam-me histórias, repetidas todas em todos os encontros que já tivemos e voltá-las-ão a repetir eu sei lá quantas vezes. Histórias onde não há ficção: as pessoas são reais, os burros, as vacas e as cabras são reais, os lugares são reais. E eles pensam que eu ao ouvi-los sou tão real como eles a contá-las. Esquecia-me de dizer que a viagem é para assistir à festa. Festas há muitas mas esta é a festa. Aos de fora ( coitados não são de cá, são de terra alheia, infelizes que nem sabem quanto perdem) tenho de lhes dizer que é a festa do Sr dos Aflitos que todos conhecem e a quem todos rezam. Ele é ainda mais real do que tudo quanto dissemos ser real. Todos sabemos a sua casa e todos somos dele testemunhas. O senhor padre pregador pode falar de Deus pai, de Deus Espírito Santo, de nossa senhora e dos Santos mas existir realmente, existe o senhor dos Aflitos: Eu próprio sou testemunha anual: Finda a devota procissão tudo se conjuga para atingir o clímax da realidade: O adeus ao Senhor - o pregador mais pelo tom da voz que pelo conteúdo, o dolente hino cantado e acompanhado pela filarmónica, o abanar dos lenços, soluços abafados, lagrimas vertidas umas e contidas outras, e o recolher do senhor ao som portentoso de morteiros. E as almas contritas - as que deram graças, as que imploraram, as que aliviaram a dor - retornam aos corpos que enformam para os conduzirem aos cuidados mundanais e ao prazer do jantar da festa. &lt;br /&gt;Depois é o caminho inverso pelo IP5, para um mundo bem menos real.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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