Não havia telefone, não havia rádio, não havia televisão, não havia cinema, nem água em casa, nem luz elétrica, nem estrada de macadame. Luzes da civilização viam-se depois do aparecimento da primeira estrela, quarenta quilómetros a oeste na cidade da Guarda. A cultura e o divertimento tinham de ser criadas in loco com os atores e os recursos existentes. E a tradição dizia como tinha que ser, e tinha que ser atualizada todos os anos, geração após geração.
Chegado o entrudo, para além de tirar a barriga de misérias, com a mesa farta com o bucho fumado e uma travessa de carne e enchido cozidos, havia que fazer reinação.
O Zé Cruz há quinze dias que subia aos carvalhos e enchia os bolsos de bogalhas e fazia tulha delas. Disse-o à rapaziada que logo combinaram quem haveriam de ser so contemplados. Chegado o anoitecer, munidos com latas cheias de bogalhas vieram do cimo da vila para baixo. A coisa era simples: Pé ante pé, sem barulho, abriam o trinco da porta e lançavam a bogalhada. Fugiam até à esquina mais próxima para ouvir e ver a reação dos atingidos que era de simples aceitação ou de um «raios parta na canalha»ou «ai, os almas de cevado». Porém desta vez, sabe-se lá de que humor estaria o dono da casa, vai buscar a espingarda, tempo suficiente para a canalhada se pôr ao fresco, praguejava e ameaçava. Um despropósito. A rapaziada, no dia seguinte, na mesma lata, meteu bosta de vaca fesca, colocou as bogalhas e envolveu tudo muito bem. À mesma hora, esperaram que a família começasse a ceia e num instante enfiaram a bogalhada embolada casa dentro. Pés para que vos quero! Espreitaram de sítio seguro. Tudo em silêncio.
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