Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Oficina de lavores, no âmbito da Comemoração da doação do foral de D.Dinis

Lavores.JPG

A linha corria, ansiosa, pela agulha. Tinham-lhe dito que iria ser vista e admirada por muitas pessoas, mesmo anos após a sua geradora  terminar o trabalho.

Maria da Graça tinha nas linhas e nas agulhas as suas maiores confidentes. Não havia momento algum em que estas não estivessem presentes. Enquanto o seu João trabalhava a terra, a Graça levava o seu açafate e as suas mãos ganhavam vida própria. Entre os seus dedos, passava a linha e ponto aberto, aqui, ponto fechado, ali, laçada após laçada o seu trabalho ganhava forma. E que lindos trabalhos!

Assim, surgiram, toalhas, colchas, naperons e outros trabalhos que tais. Não havia ninguém que não conhecesse a sua arte. Juntamente com a ti Olinda, a ti Filomena, a ti Olímpia, era vê-las a trabalhar na sua arte e a partilharem os seus conhecimentos.

Herdei da minha avó Graça este gosto pelos lavores. Quem me conhece, diz que sou como ela quando estou a bordar ou a fazer outro tipo de trabalho deste género: trabalho, mas nem sequer olho para o que estou a fazer. Sai-me mecanicamente. Desde que o dedo dê a laçada ou o ponto esteja certo, a teia continua.

Quando, este ano, a propósito da comemoração dos 725 anos do Foral de D. Dinis, se decidiu organizar várias oficinas relacionadas com as artes e ofícios de Vilar Maior, não tive dúvida alguma. De modo a homenagear a minha avó, decidi, imediatamente, dinamizar esta oficina.

Juntaram-se a mim mulheres de Vilar Maior que, tal como a minha avó e os seus familiares davam vida a estes trabalhos: as irmãs Filomena, Ana e Beatriz André; as irmãs Ana Maria, Filomena e Leonor Cunha, a ti Olímpia, a Maria Cândida Cardoso e Maria Cardoso, a Kina e a Carla Seixas. Nesses dias, contámos histórias, costurámos, bordámos, fizemos renda, lembramo-nos do passado que está sempre presente. 

O trabalho realizado nesta oficina foi colocado na mesa dos reis, no banquete realPara além disso, ajudaram à organização da exposição de Artes e Lavores, onde foram expostos os trabalhos feitos pelos seus antepassados e por elas próprias, juntamente com utensílios ligados à produção do linho, candeias e vassouras de bracejo.

Agradeço a todas pela participação e empenho.

(Susana Seixas Marques)

 

publicado por julmar às 16:39
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1 comentário:
De Botas de Mulher a 20 de Agosto de 2022 às 16:42
É muito bonito ver a tradição manter-se na terra.
Trabalhos manuais muito apreciados.


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