Quarta-feira, 16 de Junho de 2021

Os Lúcios da Vila e os outros Silvas

Varanda do Xico Bárbara.jpg

Casa onde viveu (antes do ti Francisco Bárbara e do atual proprietário que a reconstruiu) José Silva, Lúcio Silva e mais tarde Ana Silva

A antroponímia ocupa-se do nome das pessoas, sendo que está ligada a um interessante ramo da antropologia, o parentesco que, sendo uma construção social, se funda no facto natural da reprodução dos indivíduos. E, ao contrário de outras classes de seres em que basta um nome comum para os designar, aos seres humanos que nascem é preciso dar-lhe um nome próprio a que se acrescenta o nome de família ou sobrenome. Em comunidades relativamente fechadas e que tendem mais para endogamia, por vezes, o repertório de nomes disponiveis é limitado, pelo que se recorre a outros complementos - pai, filho, novo, velho ou indicação do lugar onde vive ou, ainda, o recurso a alcunhas. Para o nome próprio, a maior parte das vezes, recorre-se ao nome dos progenitores, dos avós, tios ou pessoas consideradas.

Em Vilar Maior, lá pelos anos de 1850, vive José Silva de ascendência materna que não podemos precisar. Sabemos, contudo, ser filho de um padre,  condição à época não invulgar. O pai proporcionou-lhe estudos com vista à sua ordenação sacerdotal que não se verificou. No entanto, esses estudos permitiram-lhe o exercício da função de escrivão de Juiz de Paz e de Secretário da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, durante longos anos. Proprietário de uma quinta nos Vales, casou com Maria Valério de quem teve um filho a que chamou Lúcio. Este casou com Josefa Costa e teve um filho a que deu o nome de Bernardo, outro a que deu o nome de José Lúcio e uma filha a que chamou Ana. Todos Silva. Cada um deles, por sua vez, deu o nome de Lúcio a um dos filhos. 

Entretanto, José da Silva, presumido filho do padre Florêncio José da Silva que , nos anos cinquenta e sessenta do século  XIX, exerce as funções de capelão da Misericórdia de Vilar Maior, viúvo de Maria Valério, casou com Margarida Joaquina Pereira, natural de Nave de Haver, filha de um ferreiro que havia de ensinar a profissão aos netos, dos quais se distinguiu na arte o ti Zé Silva. Moradores na Rua Direita, tiveram uma extensa prole, quatro filhos (Francisco, Joaquim, António e José) e cinco filhas (Maria, Isabel, Leopoldina, Ana e Teresa).

Os Silvas, como acontecia antigamente, casaram, sobretudo os mais antigos, quase todos com pessoas da Vila, das seguintes famílias: Monteiro, Leonardo, Caramelo, Marques,  Alves, Dias, Gonçalves, Seixas, Valério, Gouveia, entre outras.

  Assim, a família Silva cresceu e multipicou-se cumprindo a ordem do criador, espalhou--se pelos cinco continentes. E se não fora a desobediência (o desmando, a paixão, a loucura) do meu trisavô, nenhum dos Lúcios e dos outros Silvas teria visto a luz do dia, nem eu estaria aqui a contar esta história.

publicado por julmar às 11:25
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5 comentários:
De Teresa Castro Cirne de Castro a 5 de Agosto de 2021 às 04:45
Boa noite.
Encontrei o seu Blog nas minhas pesquisas genealógicas. Vilar Maior, a sua terra, foi também berço de alguns dos meus antepassados, os Cardoso. E li este poste na esperança de os ver entre os Monteiro, os Caramelo…
Deixei partir os sábios 90 anos de cada um dos meus Pais…
Mas já localizei todos os meus tetravós e os Cardoso eram de Vilar Maior. Sei pouco sobre eles. Poderei trocar impressões no futuro?
Grata
Teresa


De julmar a 15 de Agosto de 2021 às 10:30
Claro que pode. Os Caramelo também são meus ascendestes. Cumprimentos


De Teresa Castro a 19 de Agosto de 2021 às 15:32
Quando encontrei o seu blog, “andava eu” por Vilar Maior procurando referências, noticias, qualquer blá-blá-blá sobre os meus ascendentes do ramo Cardoso, que, segundo certidões obtidas por um dos meus cunhados, viveram e se multiplicaram (alguns) por lá. Mas, enquanto parte dos ramos Fonseca Faria, Pereira Monteiro, Fernandes, Teixeira e Ribeiro se vão encontrando em lugares, cargos, partidos, profissões, actividades várias, etc., dos Cardoso, nada…
Quanto ao seu blog, pensei que seria um pouco como o meu – simples amadorismo. Mas não é. Por isso, se achar que esta curiosidade sobre as minhas gentes da sua terra extrapola os seus objectivos, eu não farei a descrição respectiva.
Curiosamente, o nome do meu Pai era Lúcio
Cumprimenta e agradece
Teresa Castro
PS. Perguntam se não tenho blog no Sapo. E é preciso ter para rascunhar pouco mais do que esta troca de ideias? Os IPs gravados podem ser utilizados por quem mais?


De julmar a 3 de Setembro de 2021 às 04:56
Com o advento das redes sociais, os comentários no blog tornaram-se tão raros que, como agora aconteceu com o seu, só bastante tarde tomo conhecimento. Gostei de ler e saber do gosto que partilhamos pelos ascendentes. Os Cardosos constituíram ( e constituem) aqui uma forte linha genealógica. Quanto à pergunta que faz sei tão pouco sobre o assunto que não lhe sei responder. Obrigado pelo seu comentário


De Teresa Castro a 3 de Setembro de 2021 às 10:14
Bom dia
Obrigada mais uma vez pela sua resposta e simpatia. Porem, como é tão raro encontrem-se pessoas que estão por dentro do tema que procuramos, fazendo agora a descrição sumária dos meus antepassados Cardoso, vou tentar mais uma vez. Talvez me possa dar as pistas para lá chegar. Será?
Então o Ramo Cardoso vem da minha Avó Josefa de Jesus Faria (Parada), filha de Rosa Maximina Cardoso que nasceu a 6 de Maio de 1847 em Vilar Maior e casou, também, em Vilar Maior com João Pereira Monteiro da Fonseca Faria (Cerdeira). Era filha de José Maria Cardoso e de Maria Benedita (ambos de Vilar Maior). Era neta paterna de Bernardo José Cardoso (Vilar Maior) e de D. Ana Bárbara (Teixoso) e neta materna de José Gomes Caramelo (Malhada Sorda) e Isabel Guerra (Badamalos). Era também a mais nova de 6 irmãos (as irmãs Maria, Ana e Isabel e os irmãos Bernardo e José, nascidos, respectivamente, em 1836, 1838, 1839, 1842 e 1844.) E quem eram, como viveram todas estas pessoas? Gostava imenso de saber.
Grata, Teresa Castro



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