Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021

Uma pedra oferecida pelo Conde de Vilar Maior à família Simões.

Aurelio Simões.png

Os pais de José Simões Valente 

José Simões Valente é um conterrâneo que emigrou para os Estados Unidos da América onde exerceu o ofício de alfaiate tendo falecido em outubro de 2018. Muitas das fotografias antigas de Vilar Maior, algumas publicadas neste blog, circulam nas redes sociais. Em 1940 e 1950 uma máquina fotográfica na Vila era raro aparecer. Escreveu-me e telefonou-me algumas vezes e enviou-me, entre outros escritos e fotografias a carta que agora publico.

https://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/requiescat-in-pace-jose-simoes-valente-484273

Filadélfia, 18 abril 2010.

Senhor Júlio Marques

A história começa assim: havia uma pedra na parede da Casa da Amoreira que pertencia ao tio António Simões o qual vivia na parte de cima da igreja no Cimo da Vila. Era casado, pela segunda vez, com a senhora que me parece que se chamava Clotilde, não sei bem se o nome será correto ou se este nome era da irmã que vivia ao lado da casa da minha avó Aninha Valente. Do primeiro casamento, o tio António Simões teve um filho de nome Zé Ferreira que era casado com a minha tia Mariana Simões. Do segundo casamento ele teve três filhos: a mais velha que chamada mariquinhas casou em albardo, onde vivia com a família; uma outra filha que era muito bonita, mas não me lembro do nome dela; o filho mais novo que se chamada Júlio Simões e que eu e ele brincámos juntos, morreu de desastre na queda de um muro. O assunto que me leva a contar esta história, é que a família Simões era muito bem vista e acreditada pelo Reino nos anos de 1700-1800 e entrada de 1900. O quando Vilar Maior é o conhecimento do serviço que a família Simões prestava à nobreza dessa altura, mandou pôr uma pedra - tipo placa - com uns certos dizeres que eu não conheço.

Certo é que na primeira e segunda década dos anos de 1900, essa placa foi tirada da casa onde estava e levada para adega dos Pessanhas, no tempo que era encarregado do casal o senhor Júlio Neves, agora propriedade do seu filho Zé Pedro. Conheço esta história porque foi meu pai que me contou e me lembro da altura que a pedra foi tirada da parede pelo ti Seixas pai do António Seixas não me lembro se o filho também ajudou. Nessa altura já o meu pai trabalhava na lavoura com as vacas do meu avô, o ti Simões velho, marido da avó Clemência. A minha família vivia fora da Vila, primeiro em Seia e depois em Fornos de Algodres e, como era costume, íamos todos os anos passar a festa a Vilar Maior. Toda a gente conhecia o meu pai que era estimada por toda a gente da terra. Na altura, devia ter nove ou dez anos de idade, estava na praça com o meu pai, o meu avô João e outras pessoas que também estavam a ouvir a música e ver dançar as pessoas e, próximo o senhor Júlio Neves a convidá-las para irem à Adega do Pessanha provar o vinho (era dia de festa), mais de meia dúzia aceitou o convite e eu fui também na companhia do meu pai, como curioso. Entrámos na adega (na casa das Portas) e, depois daquela gente provar a boa pinga, puseram-se na conversa, uns de pé e outros sentados, onde houvesse lugar para isso, e no chão estava a pedra (que é a tal pedra de que falo) aonde eu me sentei dizendo-me o meu pai que aquela pedra, onde eu estava sentado, pertencia à família Simões. Perguntei-lhe porque é que aquela pedra tinha ido parar ali àquele sítio… Ele contou:

A família dos Pessanha, sendo a família mais rica da vila, nesses tempos, quando passavam lá na rua que hoje chamam Rua de Cima, não gostavam de ver ali aquela pedra, na casa do tio Simões, herançados seus bisavós e, então o senhor Pessanha convenceu o tio António Simões, já velhote e também um pouco estúpido, a remover dali a dita pedra, talvez a troco de alguma coisa, talvez um favor.

O certo é que a pedra foi levada num carro de vacas para antiga, que nessa altura, não servia para mais nada que do que as pessoas se sentarem quando bebiam um copo de vinho. Lembro-me muito bem que as pedras da parede da Casa da Amoreira, com o decorrer dos anos, ficaram escuras, mas ao meio da parede havia uma pedra mais nova, que foi posta depois de tirar a outra. Hoje, essa pedra estará até pintada e não se percebe o sítio onde estava a tal pedra, mas ainda há muitas pessoas na vila que são capazes de se lembrar disto. Eu não faço ideia, onde pode estar essa pedra. Se continua na adega do Zé Pedro ou se foi levada para algum lado ou, até se foi, partida em bocados para ajudar a fazer alguma parede. A meu ver, deveria estar no património de Vilar Maior. O senhor João Marques e a senhora Graça ou os meus pais, são capazes de se lembrar disto, ou mesmo outras pessoas de idade que ainda vivem na vila. A casa de que falo fica pegada com a de José Simões, agora da Antoninha, quase de frente com a casa do tio Joaquim Médico, que ficava quase ao lado do meu avô. Receba cumprimentos meus.

Subscrevemo-nos José Simões Valente

PS

Senhor Júlio, desculpa minha ortografia mas as máquinas de escrever e os computadores, aqui nos Estados Unidos, não têm acentos nem sinais como em Portugal. Quando se escreve a máquina ainda se podem por os acentos, mas no computador não. Desculpe e faça a sua leitura correta. Se tiver alguma informação acerca da história da pedra exigir que desse alguma informação por hoje mais nada.

publicado por julmar às 18:29
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